sexta-feira, outubro 02, 2009

Rio-2016: Será que nós podemos? (Parte.1)


Sem querer colocar água no chopp dos cariocas. Deixo claro.

Faltam menos de sete anos para a Olimpíada Rio-2016. Serão duas eleições presidenciais até lá. Se o cenário para 2010 já é nebuloso (dificilmente Lula, o garoto propaganda dos jogos, conseguirá emplacar sucessor), é inimaginável como será o pleito seguinte, que escolhe quem estará no cargo durante os jogos.

Nesse período também acontecerão dois eventos esportivos internacionais em terras tupiniquins: a Copa das Confederações, em 2013, uma espécie de preview da Copa do Mundo, que será no ano seguinte. Até agora, quase nenhum projeto saiu do papel e alguns, antes mesmo de começar, já estão sendo criticados – o caso do Morumbi.

O Brasil planeja gastar cerca de R$ 11 bilhões para a Copa. É impossível precisar quanto uma olimpíada custaria a mais.


Desvio de Verbas e Superfaturamento de obras


Pesa a favor do Rio a experiência vitoriosa do Pan-2007. Entretanto, pesou no bolso do contribuinte o gasto 443,5% aci
ma do planejamento inicial. O evento estava orçado, nos três níveis de governo, em R$ 523,84 milhões, mas custou R$ 2,847 bilhões. À exceção do Engenhão, arrendado pelo Botafogo, pouco da estrutura criada para os jogos ainda é utilizada.

A falta de instrumentos de controle rígido nos gastos poderá ser o principal vilão dessa história. Um rio de dinheiro poderá ser desviado, atrasando as obras e penalizando a população e os cofres das União.

Parece ironia, mas não é: as obras de 2014 são fiscalizadas por uma subcomissão na Câmara formada em sua maioria por deputados investigados em operações de enriquecimento ilícito e desvio de verbas – entre eles, dois mineiros investigados na Operação João de Barro (Carlos Willian, PTC, e Ademir Camilo, PDT), um na Sanguessuga (Reinaldo Moreira, PP) e outro acusado nas duas (João Magalhães, PMDB).


No calor dos fatos, como de praxe do atual governo, não se mensura o impacto de um evento dessa amplitude. Sim, gira a economia, gera empregos temporários, alavanca o turismo, o país ganha em notoriedade e importância. Mas isso custa..e, na maioria das vezes, muito caro.
(Renan Damasceno)

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+ Sobre políticas do esporte neste blog:
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Futebol e segurança pública
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