sábado, maio 29, 2010

Polemista profissional


Acabo de ler - e recomendo! - a biografia Polemista Profissional, de Paulo Eduardo Nogueira (Ed. Imprensa Oficial), sobre a vida e carreira do jornalista Paulo Francis - aquele que falava de soquinhos, que todo mundo em criança adorava, morto em 1997, de complicações no coração.

Causa: Petrobras.

Ao contrário das biografias requintadas e minimalistas em moda, o texto de Polemista profissional é enxuto, direto e claro, porém elegante e escrito com leveza, ao gosto de Francis. Um trabalho de apuração jornalística de Paulo Eduardo, que usa na medida certa o recurso das citações diretas - pouco utilizado nas biografias brasileiras.

Nascido Franz Paul Trannin da Matta Heilborn (Rio de Janeiro, 1930), neto de alemães, Francis - que mudou de nome por sugestão do diretor Paschoal Carlos Magno, em seu tempo de ator, na década de 1940 -, tomou gosto pelas velhas máquinas de escrever na década de 1950, como crítico teatral no Diário Carioca.

Sua carreira como tal foi marcada por passagens embaraçosas, como as brigas com Tônia Carreiro e sua desilusão com o conformismo da crítica brasileira, que vivia nos botequins com as contas penduradas em atores e autores. Durou pouco. Assumiu a coluna política do carioca Última Hora, a convite do amigo Samuel Weiner, partindo dali para Tribuna da Imprensa e O Pasquim, nos anos pós-1964.

Gozando de estabilidade financeira, alcançada com os rechonchudos salários da era pós-Folha, em O Estado de S. Paulo (coluna Diário da Corte, também em O Globo, ao lado) e Rede Globo, Francis tornou-se popular na década de 1980, com suas inserções nos jornais de grande audiência da emissora de Roberto Marinho - outro antigo desafeto.

Não era mais trotskista, ao contrário, seu conservadorismo lhe rendeu tantos outros inimigos. Simpatizava com a não intervenção do estado na economia, admirava Fernando Collor, defendia as estatizações.

Nos anos anteriores a sua morte, causada principalmente pelo desgosto dos processos impetrados pela Petrobras (em resposta à acusação de que os diretores da estatal possuiam US$ 50 milhões em contas na Suíca), Francis se dedicou ao programa Manhattan Connection, ainda grande sucesso do canal GNT, comandado por Lucas Mendes.

Abaixo, algumas colunas de Francis no jornal da Globo:


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