quinta-feira, novembro 04, 2010

Dando o mínimo

Espremido entre câmeras, microfones e pão de queijo, cedidos gentilmente pelo gabinete do Relator do Orçamento de 2011, senador Gim Argello (PTB-DF), fui avaliar o tom dos comandados de Dilma em temas de apelo popular, tais como salário mínimo e CPMF.

Renan Damasceno

Brasília - A ante-sala de pouco mais de 20 metros quadrados do 14º andar do Congresso Nacional – exatamente aquele corredor que une as duas partes da torre – foi palco da primeira discussão sobre o reajuste do salário mínimo que passa a valer em janeiro de 2011. Dezenas de dirigentes sindicais e representantes de aposentados e pensionistas, munidos de placas pedindo “Valorização”, encurtaram o espaço do senador Gim Argello (PTB-DF), relator do Orçamento da União de 2011.

O novo valor está em discussão, uma vez que a Medida Provisória que estabelece o reajuste baseado no INPC somado ao Produto Interno Bruto de dois anos anteriores não poderá ser aplicada desta vez devido à retração PIB em 2009. A MP passou a valer em 2005, comungada de forma quadripartite - centrais sindicais, entidades de aposentados, empresariado e governo.

Soa à brincadeira a primeira proposta de reajuste real apresentada por Argello de R$ 1,85, insuficiente até para um caldo de mandioca – diria Lula, o ex. No mesmo tom, o deputado Paulo Pereira da Silva, presidente da Força Sindical e deputado federal (PDT-SP), retruca desdenhando o “reajuste em parcelas, tipo Casas Bahia”. Dilma, para evitar desgaste antes mesmo de assumir a faixa presidencial, pensa em quantia superior a R 550.

As centrais sindicais pedem um aumento maior, de R$ 580. “Não descartamos também um acordo que estabeleça um índice para os próximos dois anos, desde que seja vantajoso para o trabalhador”, afirmou Paulinho.

Argello vai sentar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com a eleita, Dilma Rousseff, para discutir um novo modelo. “Temos que fazê-lo dentro da realidade. A questão não é agradar, é ser responsável”, adiantou. Segundo dados apresentados pelo senador, para cada R$ 1 de reajuste, o governo gasta R$ 286 milhões.

P.S. A Transição

Finalizo esse texto enfrentando, ironicamente, uma turbulência no voo entre Brasília e Belo Horizonte, provocada pelas nuvens carregadas na divisa entre Goiás e Minas. Na mesma fila da minha poltrona, está o jovem deputado petista Odair Cunha. Três à frente, Roberto de Carvalho, vice-prefeito de Belo Horizonte. Avisado em chamadas do Aeroporto Juscelino Kubitschek, o deputado e futuro desempregado Virgílio Guimarães não embarcou. Administrar o partido na partilha de cargos será um desafio ainda maior para Dilma.

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