sexta-feira, maio 26, 2006

DiaryBoard - "Um choque de genialidade"


" Nem o capuccino quente depois do filme me ajudou a digerir Jean Luc Godard. Minha primeira experiência com seu cinema foi um choque, um espanto, um novo sentido de arte cinematográfica. Em uma palavra: Genialidade - pra não comentar em poucas e injustas linhas um brilhantismo irredutível.
"A Chinesa" (La Chinoise, 1967) é uma aula de socialismo, de revolução, de história. De Marx e Lenin a Sartre, Camus passando pelo teatro de Samuel Becket e Brecht, o roteiro é digno de um gênio. Godard é pra ser lido e não apenas assistido, as imagens complementam o brilhantismo do texto. É um filme para ser revisto, esmiuçado, estudado, digerido aos poucos.
Godard me proporcionou nas telas o que Garcia Márquez, Sartre e Borges me propiciam na literatura, um estado de euforia, um ecstasy, um prazer.Impossível traduzi-lo em palavras sem reduzi-lo"

quinta-feira, maio 18, 2006

Clássicos do cinema brasileiro - Vidas Secas



"Este filme não é apenas uma transposição fiel para o cinema de uma obra imortal da literatura brasileira.
É antes de tudo, um depoimento sobre uma dramática realidade social de nossos dias e a extrema miséria que escraviza 27 milhões de nordestinos e que nenum brasileiro pode ignorar. "

Inserido na fase mais produtiva do Cinema Novo, Vidas Secas é - do início ao fim - seco, árido e rude. A fotografia é marcada por excelentes locações, que reforçam o clima de aridez do filme.

Outra característica são os longos períodos de silêncio preenchidas por açoes ríspidas e excelente interpretação dos atores (principalmente as crianças que pouco falam durante o filme).
Uma das principais obras de um dos maiores diretores da história do nosso cinema, Nelson Pereira dos Santos.


Ficha Técnica
Título Original: Vidas Secas
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 103 min.
Ano de Lançamento (Brasil): 1963
Direção: Nélson Pereira dos Santos
Elenco: Átila Iório (Fabiano)
Maria Ribeiro (Sinhá Vitória)
Jofre Soares (Fazendeiro)
Maria Rosa

quinta-feira, maio 04, 2006

EspaçoLiteratura - Jorge Luís Borges


James Joyce
( in Elogio das Sombra, Borges, 1969)

Em um dia do homem estão os dias
do tempo, desde o inconcebível
dia inicial do tempo, em que um terrível
Deus prefixou os dias e agonias,
até aqule outro em que o umbíquo rio
do tempo terrenal torne a sua fonte,
que é o Eterno, e se apague no presente,
no futuro, no passado o que agora é meu.
Entre a aurora e a noite está a história
universal.Do fundo da noite vejo
a meus pés os caminhos de hebreu,
Cártago aniquilada, Inferno e Glória.
Dá-me, Senhor, coragem e alegria
para escalar o cume deste dia.


Borges, Jorge Luís ( 1889 - 1986) - Escritor. Considerado o maior poeta argentino de todos os tempos e um dos maiores escitores da Literatura mundial.
Meu guia pelos labirintos da escrita, uma fonte inesgotável de conhecimento e uma mescla requintada de experiências literárias de toda parte do mundo.
Borges é uma biblioteca que me atrevo a conhecer.

+ Borges na Internet:
Textos - www.releituras.com/jlborges_menu.asp
Biografia e entrevista - http://www.secrel.com.br/JPOESIA/jlb.html
Sobre a obra - www.terra.com.br/almanaque/vidaeobra/borges.htm
Crítica Literária - http://www.tanto.com.br/cassia-artigo.htm

quarta-feira, março 08, 2006

Post-Urban, posturbanização, posturbação, pertubação.

O primeiro título desse blog - Urban Photography,Storyboard II - era referência ao gênero fotográfico que mais me agrada, no entanto nunca havia postado fotos do gênero aqui.

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" O universo aqui é o da vida-satélite e dos tipos que giram em torno de órbitas próprias, colorindo a vida de um AMARELO HEPÁTICO E PULSANTE. Não o amarelo do ouro, do brilho e das riquezas, mas o amarelo do imbaçamento do dia-a-dia e do envelhecimento das coisas postas. Um AMARELO MANGA, farto. ( Trecho do fime Amarelo Manga de Cláudio Assis)

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"O amarelo não entrou por acaso. Faz parte. Amarelo é sol nascente, isto é, novo dia, renascer. E é também a cor da gema do ovo. Tudo o que vive veio do ovo, se lembra das aulas de história natura!? É a cor do ouro, que representa nobreza, valor. Também a cor do amaranto, que não murcha. "
(José J. Veiga, texto: Vestido de fustão)


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Fotos: Renan Damasceno.
Foto 2 - www.leedsphotography.co.uk

Cinema - As 5 melhores produções nacionais de 2005.

Infelizmente, mais uma vez, o Brasil não produziu filme de judeu e cachorrinho, afinal é disso que hollywood gosta!

1 – Dois Filhos de Francisco – (Dir: Breno Silveira, com Ângelo Antonio, Dira Paes, Jackson Antunes e José Dumond).
A favor do consenso, nenhuma obra produzida em 2005 supera a qualidade e o roteiro do primeiro longa-metragem de Breno Silveira. E sem dúvida, esta figura entre as maiores produções da história do cinema nacional.O filme mostra a trajetória da banda neo-sertaneja Zezé di Camargo e Luciano de forma simples , objetiva, com uma linguagem primorosa e não faz apologia à pobreza como única forma de alcançar o sucesso – erro crasso de várias produções nacionais.

2 - Cabra Cega – (Dir: Toni Venturi, com Leonardo Medeiros, Débora Duboc e Jonas Bloch)
Vencedor de grandes prêmios no circuito nacional, Cabra cega destaca-se pelo baixo orçamento e pela excelente qualidade de seus atores.O filme – passado em grande parte dentro de um apartamento, onde o revolucionário Tiago fica escondido da polícia – é marcado pelas incertezas, traições e pela força da juventude na luta contra a Ditadura Militar.Enredo sufocante. E a trilha sonora assinada por Chico Buarque e Fernanda Porto em uma excelente versão de Roda Viva.


3 – Cidade Baixa – (Dir: Sérgio Machado, com Lázaro Ramos, Wagner Moura e Alice Braga)
Passado na cidade baixa de Salvador o filme narra o triângulo amoroso da prostituta Karinna e os dois amigos, Naldinho e Deco.Quanto ao elenco é dispensável comentar que Lázaro Ramos e Wagner Moura são as duas maiores revelações dos últimos anos.O filme é seco, gritante e realista, com diálogos curtos e diretos.

4 – Cinema, Aspirinas e Urubus – (Dir: Marcelo Gomes, com Peter Ketnath, João Miguel)
Um dos filmes mais elogiados pela critica no festival de Cannes. Em 1942, no meio do sertão nordestino, dois homens vindos de mundos diferentes se encontram. Um deles é Johann, alemão fugido da 2ª Guerra Mundial,que dirige um caminhão e vende aspirinas pelo interior do país. O outro é Ranulpho (João Miguel), um homem simples que sempre viveu no sertão e que, após ganhar uma carona de Johann, passa a trabalhar para ele como ajudante. Viajando de povoado em povoado, a dupla exibe filmes promocionais sobre o remédio "milagroso" para pessoas que jamais tiveram a oportunidade de ir ao cinema.

5 - Gaijin, Ama-me como sou (Dir: Tizuka Yamazaki)

Grande vencedor do Festival de Gramado 2005, Gaijin II (como também é chamado pois funciona como uma continuação de Gaijin, filme da mesma diretora, de 1982) é a história de uma família japonesa radicada no sul do país desde 1908.As circunstancias históricas acabam adiando a volta da família para o Japão.Bom filme, realmente merecedor de prêmios deste nível.

terça-feira, fevereiro 28, 2006

A metáfora libertária de Glauber.

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“Espero que o sinhô tenha tirado uma lição.
Que assim mal dividido esse mundo anda errado,
Que a terra é do Homem,
Não é de Deus nem do Diabo" .
(João Guimarães Rosa)

Misticismo e fanatismo cego estão no centro da obra que projetou Glauber Rocha. “Deus e o Diabo na terra do sol” retrata as alucinações, as visões e a loucura que a fome, a miséria e a ignorância podem inspirar num povo desesperado.

Glauber narra a realidade nordestina na pele de Manuel, vítima do coronelismo, marcado pela seca e entregue às profecias e ao fanatismo dos homens, dividido - sem nenhuma conduta – entre Santo Sebastião (o profeta negro que promete que o sertão vai virar mar) e Corisco (o cangaceiro que faz justiça com suas mãos, por si e em nome de Lampião).

Assim, fundem-se as imagens de Deus e o Diabo na pele desses dois homens marcados pela loucura e pela solidão da seca (que no filme fica mais evidente pela voz de Othon Bastos narrando as duas personagens). A missão de exterminar Deus e o Diabo fica a encargo de Antônio das Mortes.O homem sem crença e livre, dono de sua própria lei. Reside na carabina de Antonio das Mortes o ideal libertário e revolucionário do filme. Exterminados o profeta e o cangaceiro, seria o primeiro passo para a saga da libertação do povo nordestino, uma revolução social tirando-os da ortodoxia, das promessas de salvação e da opressão religiosa.

Os paradoxos apresentados em Deus e o Diabo na Terra do Sol - entre a morte de Deus e a valorização do homem - marcam uma das características das obras do Cinema Novo, inspirado em obras francesas e principalmente no realismo Italiano (com Rosselini sendo seu grande inspirador).A valorização do homem e sua cultura como única forma de libertação é o que busca a estética cinema-novista, renegando a forma hollywoodiana, criando uma forma essencialmente brasileira de fazer cinema.

O realismo é presente no cenário do filme.O sol escaldante, o gado morto e as pedras no solo seco demarcam o caminho da lenta procissão de êxodo nordestino em busca da terra longínqua onde “choverá ouro e pedra se transforma em pão”.Os simbolismos religiosos são representados de forma crua com o sacrifício em nome de Deus, a purificação da alma com o sangue de um recém nascido e a imagem bíblica da mulher traidora na pele de Rosa, esposa de Manuel.O povo de Morro Santo vê-se preso entre a cruz e a espada, entre a profecia e a realidade sertaneja.

Enfim, fugindo das dimensões divinas e satânicas, entre Deus e o Diabo, jaz o homem, dono de sua própria história e da busca incessante pela liberdade.

Ficha Técnica:
Título Original: Deus E O Diabo Na Terra Do Sol
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 125 min.
Ano de Lançamento (Brasil): 1964
Direção: Glauber Rocha
Roteiro: Glauber Rocha e Walter Lima Jr.
Fotografia: Waldemar Lima

Elenco: Geraldo Del Rey ( Manuel) Othon Bastos ( Corisco) Maurício do Vale ( Antônio das Mortes) Yona Magalhães (Rosa) Lídio Silva ( Santo Sebastião)

sábado, janeiro 21, 2006

Para ler, assistir e ouvir....

Assistir:
Ilha das Flores (Brasil, 1989, dir. Jorge Furtado)
O documentario encontra-se no site Curta o curta.

Em 13 minutos Jorge Furtado consegue criticar o capitalismo, a ganância, a prepotência e as inversões dos valores.
Ilha das flores situa-se no Rio Grande do Sul,o local é usado para depositar o lixo de Porto Alegre e cidades vizinhas. O local foi comprado por um criador de porcos e o restos organicos são aproveitado para a alimentação de seus animais.
O restante rejeitado pelos porcos é ofereciado aos moradores das regiões periféricas da ilha. Eles se organizam em grupos de 10 pessoas para escolher o restante de verduras e legumes.
Forte, reflexivo e de causar indignação.

Ler :
Viver para Contar (Gabriel Garcia Marquez, 2002, 467 pags.)

Indispensável para compreender a obra de um dos maiores escritores latino- americano. Nessa autobiografia Marquez passa por sua infância até chegar ao trabalho como jornalista e escreve passagens importantes que serviram de inspiração para livros como " O amor no tempo do cólera.

Ouvir:
Squirel Nut Zippers

Banda americana de jazz criada nos meados da década de 90 . variedade de sonoridades e vocais bem trabalhados.

segunda-feira, janeiro 09, 2006

O metal sob os olhos da mídia.

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Titulo Original: O metal sob os olhos da mídia
Por: Renan Damasceno
Texto publicado no site www.metalfuria.com.br



Um dos fundadores do grupo de Thrash Metal Pantera – juntamente com seu irmão, o baterista Vinnie Barrel -, “Dimebag” Darrel foi assassinado durante a apresentação de seu grupo Damageplan, há pouco mais de um ano. O que traz grandiosidade ao fato não é apenas a perda que Dimebag representa, haja visto a importância do Pantera na influência de uma gama de bandas estadunidenses, e sim a repercussão que o fato obteve na mídia.

Parece desatualizado tocar num assunto intensamente discutido durante os meses que sucederam a morte de Darrel. Ledo engano. Quero, não apenas apresentar uma análise da cobertura feita pelos comandados de Roberto Marinho, como mostrar o legado da morte e uma posterior conscientização.

Vamos ao fato.

Em 09 de dezembro, o guitarrista Dimebag Darrel morreu assassinado por um maluco chamado Nathan Gale, de 25 anos, que disparou cinco tiros contra o músico. Além de Darrel, mais duas pessoas que assistiam ao show e um segurança foram mortos.Segundo testemunhas, antes dos disparos, Gale teria dito “Você acabou com o Pantera. Você arruinou a minha vida.”

O fato foi noticiado na mesma noite pelo jornal noturno da Rede Globo, o Jornal da Globo. Encabeçado pelo âncora Willian Wack, o canal mostrou seu despreparo, desprezo e preconceito contra os gêneros musicais “underground’s” . Wack apresentou Darrel como usuário de drogas – fazendo uma alusão ao seu apelido “dimebag”, trouxa de maconha – e como pregador do ódio e da violência. Não bastou. A ignorância não cessou e foi necessário convocar Arnaldo Jabor.

Sim, Arnaldo Jabor, aquele cineasta, que pertencia à esquerda comunista do país e hoje ataca a mesma como um direitista nato. Aquele que se vendeu ao cinema comercial, traindo Glauber Rocha e os ideais do Cinema Novo. Aquele que critica incessavelmente as colunas sociais de Caras, mas não perde uma oportunidade de desfilar entre celebridades em fotos de revista.

Como fã de Cinema Brasileiro que sou, reconheço sua importância. Leio seus artigos em diversos jornais, o considero um dos grandes entendedores da política americana e um exímio comentarista. Mas seu comentário e sua ignorância são questionáveis. Reproduzo-o a seguir, intitulado “Não Sobrou Nada”:

“O rock começou como canto à alegria e à liberdade, música de esperança numa era de utopias e flores. Aos poucos, a ilusão foi passando. Em 68, a esperança jovem foi sendo detida pela reação da caretice mundial. Os ídolos começaram a morrer: Janis Joplin, Jimmy Hendrix sumiram juntos. Na década de 70, o que era novo e belo se transforma nos embalos de sábado à noite e começa o tempo da brilhantina. Junto com a caretice dos Beegees, o que era liberdade cai na violência. Em Altamont, no show dos Stones, a morte aparece. Charles Manson é o hippie assassino e o heavy metal o punk vão glorificar o barulho e o ódio. Com a pressão do mercado mais sólida e invencível, a falsa violência comercial, sem meta, nem ideologia, fica mais louca e ridícula. Os shows de rock viram missas negras que lembram comícios fascistas. É musica péssima, sem rumo e sem ideal. A revolta se dissolve e só fica o ódio e o ritual vazio. Hoje, chegamos a isso, a essas mortes gratuitas. A cultura e a arte foram embora”.

Quem conhece Heavy Metal sabe que a intenção da música não é pregar "ódio e violência" e que os eventos destinados ao estilo musical não são "missas negras".Surpreendo-me ao saber que tal expressão ainda é usada, quando sabemos que “missas negras” é fruto do preconceito da Igreja Católica ao referir-se a cultos realizados por minorias.Uso as palavras de Ricardo Boessio em um artigo do site Duplipensar. “Nem o colunista global, nem os leitores aqui precisam gostar do peso do heavy metal. Ninguém precisa gostar de um estilo musical. Porém querer tachar como violento, ou que prega a violência é uma ignorância tamanha, digna de pessoas intolerantes e que querem empurrar os seus gostos pessoais para os outros”.

Indo ao cerne da questão, preconceito está diretamente ligado ao ódio e a violência e não a um estilo musical, vide o documentário de Michael Moore “Tiros em Columbine”, onde tentam empurrar a música de Marylin Manson como influência e causa dos assassinatos na high-school Columbine, nos Estados Unidos.

Não é surpresa que um jornal atue de forma conservadora, especialmente na Rede Globo.O problema é quando uma reportagem é prejudicada pela ignorância, pelo desejo de disseminar o preconceito e da necessidade de rotulação.

É de causar indignação como que o maior orgão formador de opinião do país pode cometer tão grandioso erro, manchando o nome de um movimento, por causa de um crime ocorrido, onde o assassino nem pertencia ao movimento; e mais questionável quando essa mesma emissora "conservadora" promove estilos como o funk, som de terceira qualidade e com letras imundas e imorais! Drogas? E o Belo, pagodeiro do grupo Soweto, condenado a 8 anos de prisão por tráfico e associação ao tráfico de drogas? E o Rafael Ilha, do grupo Pop Polegar, que engoliu um isqueiro e robou um cobrador de ônibus para sustentar seu vício? E assim enumeraria uma infinidade de ídolos “não-metaleiros” envolvidos em casos semelhantes.

Finalizando.Deve passar longe das telas e impressos de Copacabana e da Elite carioca, da qual Jabor faz parte, eventos como o Live Aid organizado em grande parte por astros do Rock, inclusive o “terror das boas famílias”, Black Sabbath; O show ocorrido em 1992 em homenagem a Freddy Mercury, ex-vocalista do Queen, reunindo nomes como Extreme, Metallica e Guns’n Roses que teve sua renda revertida para o combate a AIDS; Haja visto a reunião do Pink Floyd este ano para arrecadar dinheiro para combater a fome na África. As manifestações contra a guerra no Iraque liderada por nomes como Eddie Vedder, do Pearl Jam; As manifestações anti-capitalismo estadunidense do System of a Down, Green Day e do “The Boss”, Bruce Springsteen no hit “Born in USA”; A luta pelo direito das mulheres liderada pelo grupo L7; E uma infinidade de exemplos.

O heavy Metal certamente não é o gênero mais correto. Ódio e violência são problemas relacionados à sociedade corrompida pelo desprezo político e à desorganização social e não a um estilo musical. Não me aborreço apenas como fã do Heavy Metal, mas também como acadêmico de jornalismo, que assiste a tamanha irresponsabilidade e desprezo pelo espectador que assiste ao jornal.

quarta-feira, janeiro 04, 2006

Chico Buarque - A casa do Oscar

A casa do Oscar era o sonho da família. Havia o terreno
para os lados do Iguatemi, havia o ante-projeto presente no
próprio, havia a promessa de que um belo dia iríamos morar
na casa do Oscar. Cresci cheio de impaciência porque meu
pai, embora fosse dono do Museu do Ipiranga, nunca juntava
dinheiro para construir a casa do Oscar. Mais tarde, num
aperto, em vez de vender o museu com os cacarecos dentro, papai vendeu o
terreno no Iguatemi. Deste modo, a casa do Oscar antes de
existir foi demolida, ou ficou intacta, suspensa no ar como
a casa do beco de Manuel Bandeira. Senti-me traído,
tornei-me um rebelde, insultei meu pai, ergui o braço
contra a minha mãe e saí batendo a porta da nossa casa velha
e normanda: ‘Só volto pra casa quando for a casa do Oscar!’



Pois bem, internaram-me num ginásio em Cataguases, projeto
do Oscar. Vivi um seis meses naquele casarão do Oscar, achei
pouco. Decidi a ser o Oscar eu mesmo, regressei a São Paulo,
estudei geometria descritiva, passei no vestibular e fui o
pior aluno da classe. Mas ao professor de topografia que me
reprovou no exame oral, respondi calado: ‘Lá em casa tem um
canudo com a
casa do Oscar...’



Depois larguei a arquitetura e virei aprendiz de Tom Jobim.
Quando minha música sai boa, penso que parece música de Tom
Jobim. Música de Tom, na minha cabeça, é casa do Oscar.(Chico Buarque)

quinta-feira, dezembro 29, 2005

Resenha - Budapeste

Resolvi dar uma pausa na leitura de Garcia Márques para reler Chico Buarque. Usando as palavras de José Saramago, não ouso dizer que algo novo aconteceu na literatura brasileira.
Uma construção engenhosa. Budapeste é um clássico da narrativa contemporânea. O livro se desenvolve, não apenas na linearidade do texto, mas de acordo com que as palavras vão surgindo, uma a uma, dando ao texto um ritmo cadenciado, envolvente e primoroso.
José Costa protagoniza o esvaziamento da língua portuguesa para adentrar ao idioma húngaro.Busca rechaçada pelas experiências vividas na capital húngara, Budapest. A cidade, um labirinto por onde Costa caminha descansando os olhos sobre o mapa, flanando pelas ruas e pontes sobre o rio Danúbio, parece ora cinzenta, ora amarelada.
A narrativa descritiva de Chico é outro atrativo. A Hungria e seu idioma são apresentados, primeiro de dentro de um quarto de hotel, para depois ser desvendados através dos ensinamentos da professora de idioma Kriska.
Enfim, o texto termina onde se confunde Chico com Zsoze Kósta.

Livro - Budapeste, Chico Buarque, 2003. 174 pags.
Premio Jabuti de Literatura - 2004.
Chico Buarque (1944 - ), carioca, escritor e compositor; autor de Estorvo( 1990) Benjamim(1995)

quarta-feira, setembro 14, 2005

Anos 80: O fim da música brasileira

A música brasileira é patrimônio de nossa cultura. Esteve ligada, ora na luta social, com estilos gerados nas periferias do país, ora na luta política, sendo uma grande arma de mobilização na luta contra a ditadura militar.Da “Era de Ouro do Rádio”, na década de 40, ao nascimento da Bossa Nova, o Brasil conseguiu respeito no cenário internacional.Nomes como João Gilberto e Tom Jobim conquistaram palcos americanos e gêneros populares como o samba, passaram a fazer parte de nossos registros históricos.

No contexto histórico-político, a música popular, representada principalmente pelos cariocas da Bossa Nova e os baianos do Tropicalismo, tiveram suma importância na mobilização dos jovens na luta pelo restabelecimento da democracia.Muitos deles passaram anos exilados, sendo procurados e torturados.

Enfim chegamos aos anos 80 e inicia-se na música brasileira um período de empobrecimento cultural, influenciado pelas tendências internacionais. Esse empobrecimento fica explicito quando analisamos a qualidade musical desse novo gênero intitulada rock brasileiro.Os acordes bem trabalhados e as músicas bem construídas – características de nossa música popular - dão lugar a músicas de poucos acordes, ma elaboradas e com letras sem significados.

Formado principalmente por estudantes universitários paulistas, cariocas e brasilienses - a maioria de famílias da alta sociedade -, esses “músicos” não correspondia à situação social de grande parte da população.Suas letras, algumas demasiadas sentimentais, outras por uma luta que não existia. Enfim, rebeldes sem causa. Impulsionados pela industria fonográfica, capitalistas sem nenhuma preocupação com a moral.

A derrocada da música atual é conseqüência dessa irresponsabilidade. Ao ligarmos o rádio, não conseguimos ouvi-lo por mais de dez minutos.Houve uma massificação da música.Surgem e desaparecem bandas a todo o momento.Sem nenhuma preocupação despejam letras sem sentido com três ou quatro bicordes mal trabalhados.

O esforço intelectual de nossa verdadeira musica popular brasileira foi destruída por meia dúzia de “bandinhas burguesas”.

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sexta-feira, julho 08, 2005

Cine-mundi - Polônia

A cinematografia polonesa – assim como todo cinema europeu – assemelha ao cinema brasileiro quando consideramos sua forma artística de fazer filmes.Pode não ser muito popular entre o público brasileiro, mas é mundialmente premiada e apreciada.

A Polônia foi uma das pioneiras na cinematografia.Ainda antes da consagração dos irmãos franceses Lumiére, inventores do cinematógrafo, os poloneses criaram formas de imagem em movimento, mas a história do cinema polonês passaria por diversas crises.

Na primeira metade do século XX, a Polônia investiu no cinema mudo, logo sufocada pelo cinema sonoro que surgira nos Estados Unidos na década de 30.Durante a Segunda Guerra Mundial, o cinema polonês quase morreu devido à invasão Hitlerista, mas ressurgiu com equipamentos abandonados nas cidades destruídas, sendo importante as filmagens documentais da destruição alemã no território polonês.

Mas não só de problemas é marcado o cinema da Polônia.Grandes diretores foram revelados devido à escola de Cinema de Lodz, como Krzystof Zanussi e Roman Polanski – este último teve carreira internacional inclusive em Hollywood.Seu formato Artístico deve-se a criação no final da década de 20 da START (sigla em polonês de Sociedade dos devotos do cinema artístico) e era preocupada na criação de filmes artísticos e sociais.

Colocado um pouco da história do cinema polonês vamos a análise.Em tempos que o mundo volta-se às produções megalomaníacas dos americanos como Star Wars III e Guerra dos Mundos, a intelectualidade do cinema europeu parece um pouco fora de moda.O público de cinema hoje se compreende numa grande massa de expectadores que cada vez mais acomoda frente as megaproduções – em grande parte americana - que os priva de pensar e refletir.Tudo é fabricado de modo que o receptor tenha a maior facilidade de compreensão, a única preocupação é que os efeitos especiais os impressionem.Como conseqüência temos um grande público fascinado e preso ao cinema hollywoodiano, aumentando assim o domínio americano no modo de vida de todo mundo, criando a ocidentalização das culturas, posteriormente implantando seu American Way of Life.

Dos filmes que acompanhei destaca-se Pregi (Vergões), dir. Magdalena Piekorz, 2004 e Edi (Edi), dir. Piotr Trzaskalski, 2002. No primeiro, a história gira em torno de um jovem agressivo de aproximadamente 30 anos. Sua agressividade tem origem na infância, criado por um pai agressivo foge de casa na adolescência e leva uma vida solitária de explorador de cavernas subterrâneas até descobrir o amor, que o leva reconciliação com o pai. Tarde demais. Numa Justificarcarta emocionante, seu pai deixa o pedido de desculpa acompanhado por uma fita gravada pelo filho nos momentos de espancamentos na infância.

No segundo conta a história de um catador de metal que divide seu trabalho com o fascínio pela leitura de velhos livros encontrados em lixeiras.Convidado para dar aulas particulares, Edi é acusado de ter engravidado a garota e o castigo imposto pelos irmãos da vítima é cuidar do bebê.Mesmo não sendo o pai, o protagonista da história cuida da criança até ser desvendado a mentira, quando o bebe é tirado de sua proteção sem nenhuma explicação.


Vale considerar a forma artística de sua produção.A imagem tem uma aparência antiga e escurecida, típico do cinema europeu.Das semelhanças com o cinema brasileiro leva-se em conta a riqueza dos roteiros, sem muitos diálogos explorando as imagens, suas produções não parecem ter custos altos, tendo cenários naturais – mostrando as impressionantes e exuberantes paisagens polonesas.

Na era dos avanços dos efeitos especiais e das megaproduções, o cinema polonês é uma boa alternativa de resgate ao cinema clássico.


Texto: Renan Damasceno

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domingo, junho 05, 2005

Urban Photography - Apresentação do Projeto

Moro em BH há pouco tempo, mas nesse espaço de tempo descobri lugares e imagens interessantes.Sempre fui apaixonado por fotografia e nesta página pretendo publicar algumas fotos que tirei da capital nos últimos meses.Nessa foto está a estrada de ferro industrial de contagem, no Bairro Eldorado.

A criação deste blog faz parte de um trabalho de comunicação desenvolvido com intenção de resgatar a experiência visual, mas continuarei nessa página a postar alguns artigos e opiniões, enfatizando a área política e cultural.Minha visão política sempre foi direita (se é que nesse país ainda exista essa distinção), apesar de simpatizar com raríssimas ideologias petistas, acredito que populismo - assim como em toda América Latina – não combina com a realidade, ainda menos com a realidade brasileira; não se resolve miséria com assistencialismo paternal e é impossível agradar proletariado e empresários ao mesmo tempo.

Como disse no about ( ai do lado) sou apaixonado por leitura de qualquer gênero ( exceto auto-ajuda, que é livro de quem tem problema sexual mal resolvido),viciado em música( nesse ponto sou bem mais exigente, sendo até um pouco chato) e pretendo compartilhar alguns comentários.Tenho minha página pessoal (
http://www.renandamasceno.weblogger.com.br/ ) e outros links pessoais estão disponíveis do lado da tela.

Flws galera.
Um Abraço a todos que a partir de hoje entrar nesse blog e espero que gostem.


Foto: Estrada de Ferro Industrial,maio de 2005, Contagem/MG.
Ouvindo: Annihilator - Refresh the Demon.