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sábado, julho 03, 2010

Rio technicolor - Copacabana Palace (1962)


(via @luisnassif)

Produção Franco/ Italiana/ Brasileira de 1962, Copacabana Palace é um filme que não passaria de médio não fosse a qualidade da trilha sonora, onde estão presentes João Gilberto, Tom Jobim, Luis Bonfá, Os Cariocas e Norma Bengell. Além disso, as imagens em Technicolor de um Rio de Janeiro do princípio da década de 60 são belíssimas.

O filme começa com um avião da Panair pousando no Santos Dumont, enquanto, na trilha sonora, uma cantora italiana emite em bom português os acordes de ‘Samba do avião’. Mylene Dèmongeot, que - parece - teve um caso com Tom Jobim no Rio, até hoje conta que a música foi composta para ela.

Três estrangeiros desembarcam no Rio: uma princesa (Mylene), que chega cheia de fantasias de passar três noites de amor tórrido com o amante que trouxe da Europa; um golpista que banca o milionário para roubar as jóias de milionários de verdade; e uma aeromoça (Koscina), que quer aproveitar a escala no Rio para travar um contato mais profundo com um artista brasileiro que tinha conhecido em Lisboa: Tom Jobim!!! Todos se hospedam no Copacabana Palace.







quarta-feira, março 25, 2009

Cine-mundi - Romênia (ou: Sob a sombra de Ceausescu)


Está em cartaz no Palácio das Artes, de 23 de março a 7 de abril, a mostra Cinema Romeno Atual, com a exibição de três longa-metragens de importantes realizadores contemporâneos. Bem aceitos pela crítica e observado com bons olhos pelos principais festivais, A Leste de Bucareste (2006), Como Eu Festejei o Fim do Mundo (2006) e 4 meses, 3 semanas e 2 dias (2007) representam a melhor fase do cinema da Romênia – que, antes disso, só havia conseguido prestígio internacional com A floresta dos enforcados, de Liviu Ciulei, na década de 1960.

Considerando os intensos conflitos étnicos da região, salpicados pelas reviravoltas políticas desde a II Guerra Mundial – o Leste europeu permaneceu sob domínio soviético até 1989 –, não surpreende que as produções significativas tenham hiatos de décadas. Assim como o próprio Balcãs, a indústria cinematográfica está se recontruindo, o que reflete no enredo dos seus longa-metragens. Produz, hoje, cerca de 15 filmes por ano.

O cinema dos países que ficaram sob o domínio do regime até 1989 – principalmente os produzidos nos Balcãs e na Polônia, que são bem parecidos – ainda sofrem com a sombra soviética. Ainda são melancólicos, escuros e frios, que tentam rir da vida com pitadas de humor seco e ingênuo, como em A leste de Bucareste. Já os dramas pessoais são permeados por incertezas, erros e medo, a exemplo da protagonista Otília de 4 meses, 3 semanas e 2 dias. Aliás, o filme de Mungiu é essencial em tempos de discussão sobre a liberação do aborto. Assista e tire suas conclusões.

Seja comédia de costumes, dramas individuais ou narrativas inusitadas, as histórias mostram uma nova Romênia, que tenta se desvencilhar de seu passado. O moderno tenta caminhar pelas ruas escuras, pelos prédios em frangalhos e, de vez enquando, se esbarra em algum caco das estátuas de Stálin e Ceausescu derrubadas no fim da década de 1980.

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+ Cine-mundi neste blog

Cine-mundi: Polônia (08/07/2005)
Cine-mundi: Peru (20/10/2007)
Cine-mundi: Bolívia (09/12/2008)
Cine-mundi: América Latina (13/05/2008)


+ Sobre cinema na Romênia

Programação completa da Mostra
Crítica: Estadão - 4 meses, 3 semanas e 2 dias
Crítica: Estadão - A leste de Bucareste
Crítica: Contracampo - Como festejei o fim do mundo

terça-feira, dezembro 09, 2008

Cine-mundi: Bolívia – A proposta libertária de Ukamau


Ukamau (dir. Jorge Sanjinés, 1966) é uma das mais instigantes e belas obras do rico cinema latino-americano da década de 1960. Com enredo envolvente, denuncia os atritos entre o povo andino e os mestiços – uma alegoria das reivindicações indígenas, tão maltratados pelos colonizadores.

A história gira em torno do assassinato da mulher de um camponês, a mando de um mestiço. Durante um ano, o aymara Andrés Mayta, arquiteta sua vingança. No dia escolhido, numa tomada aérea – que muito lembra a luta de Antônio das Mortes, em o Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro, de Glauber –, os dois partem para a luta corpo a corpo.

Aí, o choque de genialidade de Sanjínes: em vez de dar ao camponês a chance de matar sem piedades o mestiço, propõe um luta, na qual o indígena dita as regras. Há uma inversão de valores sociais. Não há um triunfo pelo simples sabor da vingança e, sim, uma proposta libertária, que dá ao oprimido a chance de exercer o poder sobre o ex-opressor.

Em Ukamau, assim como em outros filmes da época, há uma ligação muito forte com a terra. Seja no arado, no cultivo, ou mesmo na proposta nacionalista de defesa do território. Aliás, o viés documental, é proposta chave do cinema da época: menos vale o roteiro dos filmes – apesar que Sanjinés foi brilhante no seu –, do que o retrato social da América Latina feito pelas lentes desses diretores.

Esse recorte da sociedade foi proposto por quase todos diretores e produtores dos anos 1960. A Argentina tem seu documento histórico na Escola de Santa Fé, de Fernando Birri; Cuba, nas lentes de Gutierrez Alea; e assim por diante. Talvez o Brasil seja o país mais difícil de identificar apenas um diretor que retrate o país, uma vez que Glauber Rocha se propôs em criar um cinema universal.

A universalidade também parece eficaz na luta pela solidificação do cinema latino-americano. Dessa forma, Glauber se propõe a desmitificar oprimido e opressor, dominante e dominado. Ao criar um sujeito universal, ele repensa a organização da sociedade e modifica nossa concepção histórica de que o povo latino-americano sempre será oprimido.

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terça-feira, maio 13, 2008

Cine Mundi - América Latina



Renan Damasceno

Em fins da década de 50 e início dos anos 60, o cinema produzido na América Latina, especiamente no Brasil, Argentina, Chile e Cuba, foi definido como uma nova corrente cinematográfica que buscava pensar e trabalhar o cinema de forma diferenciada, que retratasse a realidade e os problemas terceiromundistas. Os filmes deveriam ser caracterizados como um instrumento de militância política. Tal movimento ficou conhecido como Nuevo Cine Latinoamericano.
A linguagem usada nos filmes deveria ser gerada dentro dessa nova realidade e a necessidade de mudança se fazia urgente, pois os moldes da estética hollywoodiana era burguesa, imperialista e opressora.

Em detrimento à cinematografia estadunidense, os filmes terceiromundistas deveriam ser tal qual a nossa realidade: imperfeito, feio, errado. Mais preocupado com o conteúdo do que com a forma. Como afirma Fernando Birri: deveria ser um cinema desalinhado.
Do cinema soviético, Glauber extraiu os princípios e experimentações da montagem. O cinema liberto de enredo (A idade da terra, 1980), metafórico (Terra em Transe, 1967) e ensaístico de Einsenstein e a exposição do espectador a uma ação sensorial ou psicológica, proposto pela "montagem de atrações" (Câncer, 1972).

Do cinema de autor, proposto por Bazin, sorveram a idéia do cineasta enquanto agente que interfere diretamente no registro da realidade através da sua subjetividade. Alguns cineastas foram além dessa idéia de autorismo se organizando em grupos que pretendiam mostrar, não apenas seu olhar individual, mas de toda uma nação. Sob a teoria do cinema de poesia de Buñuel, Glauber Rocha trilhou novos caminhos para a arte revolucionária latino-americana em sua Eztétika do Sonho. Um equilíbrio entre subjetividade e objetividade, concreto e onírico.

Por fim, no neo-realismo italiano, o Nuevo Cine tem sua maior inspiração. Extrairam as técnicas de documentário e a utilização de equipamentos leves que propiciavam maior mobilidade para as filmagens externas.



sábado, outubro 20, 2007

Cine Mundi - Peru

Pantaleão e as visitadoras (dir. Francisco Lombardi. 1999)

- À primeira impressão, a versão cinematográfica do clássico de Vargas Llosa, Pantaleão e as Visitadoras, parece uma 'pornochanchada', no melhor estilo brasileiro, com pitadas de erotismo e muito humor. Ambientado no meio da Amazônia Peruana, os planos muito se assemelha aos de Fitzcarraldo, de Werner Herzog. Enfim, um realismo fantástico, assinado por Llosa e adaptado à risca pelo diretor Francisco Lombardi.

"Pantaleon y las visitadoras", (Vargas Llosa, em 1973), foi a forma encontrada pelo escritor peruano de criticar as hipocrisias do poder e da sociedade. O resultado: o defronte entre o exército, guardião da moral e protetor da pátria, e a profissão mais antiga do mundo, prostituição. A narrativa: Realismo Fantástico, assinado pelo escritor que mais representa o país no exterior. Uma mistura de realidade e ficção. Personagens reais em situações surreais.

O humor é irretocável. Característica de Llosa que o diferencia de grandes escritores latinos, de escrita semelhante, como Garcia Márquez e Júlio Cortázar.

Em 1975, o livro foi transformado em roteiro e co-dirigido pelo próprio autor. A nova versão (foto) foi o único filme produzido no país vizinho, em 1999. Venceu o prêmio Goya de melhor película estrangeira falada em espanhol e ganhou sete Kikitos de Ouro, em Gramado.

Além de Pantaleon, "A cidade e os cachorros", de Llosa, também foi adaptado para o cinema.


Madeinusa (dir. Cláudia Llosa. 2006)

Deus está morto. O filme é vermelho, cor do sangue que escorre da virgem Madeinusa, que no Dia Santo é prometida ao próprio pai.
A loucura, inquieta. A inocência, perdida. A submissão, eterna.
Com os valores religiosos acima dos valores humanos, a hipocrisia segue escondida atrás das Cordilheiras Brancas, longe dos olhos de Deus.

Um filme curioso, mas não deixa de ser interessante. Madeinusa é uma menina de 14 anos que vive no vilarejo de Manayaycuna, localizado em algum ponto remoto das montanhas da Cordilheira Branca peruana. Os habitantes, são conhecidos pelo fervor religioso e por um estranho ritual, celebrado tradicionalmente todos os anos. Para eles da Sexta-Feira Santa ao Domingo de Páscoa o pecado não existe, pois Deus está morto.

Assim todas as pessoas do povoado podem fazer o que quiserem no decorrer desses dias, sem nenhum remorso ou culpa. Porém a chegada acidental do jovem geólogo Salvador, justamente na véspera da celebração, desperta a curiosidade de Madeinusa.

sexta-feira, julho 08, 2005

Cine-mundi - Polônia

A cinematografia polonesa – assim como todo cinema europeu – assemelha ao cinema brasileiro quando consideramos sua forma artística de fazer filmes.Pode não ser muito popular entre o público brasileiro, mas é mundialmente premiada e apreciada.

A Polônia foi uma das pioneiras na cinematografia.Ainda antes da consagração dos irmãos franceses Lumiére, inventores do cinematógrafo, os poloneses criaram formas de imagem em movimento, mas a história do cinema polonês passaria por diversas crises.

Na primeira metade do século XX, a Polônia investiu no cinema mudo, logo sufocada pelo cinema sonoro que surgira nos Estados Unidos na década de 30.Durante a Segunda Guerra Mundial, o cinema polonês quase morreu devido à invasão Hitlerista, mas ressurgiu com equipamentos abandonados nas cidades destruídas, sendo importante as filmagens documentais da destruição alemã no território polonês.

Mas não só de problemas é marcado o cinema da Polônia.Grandes diretores foram revelados devido à escola de Cinema de Lodz, como Krzystof Zanussi e Roman Polanski – este último teve carreira internacional inclusive em Hollywood.Seu formato Artístico deve-se a criação no final da década de 20 da START (sigla em polonês de Sociedade dos devotos do cinema artístico) e era preocupada na criação de filmes artísticos e sociais.

Colocado um pouco da história do cinema polonês vamos a análise.Em tempos que o mundo volta-se às produções megalomaníacas dos americanos como Star Wars III e Guerra dos Mundos, a intelectualidade do cinema europeu parece um pouco fora de moda.O público de cinema hoje se compreende numa grande massa de expectadores que cada vez mais acomoda frente as megaproduções – em grande parte americana - que os priva de pensar e refletir.Tudo é fabricado de modo que o receptor tenha a maior facilidade de compreensão, a única preocupação é que os efeitos especiais os impressionem.Como conseqüência temos um grande público fascinado e preso ao cinema hollywoodiano, aumentando assim o domínio americano no modo de vida de todo mundo, criando a ocidentalização das culturas, posteriormente implantando seu American Way of Life.

Dos filmes que acompanhei destaca-se Pregi (Vergões), dir. Magdalena Piekorz, 2004 e Edi (Edi), dir. Piotr Trzaskalski, 2002. No primeiro, a história gira em torno de um jovem agressivo de aproximadamente 30 anos. Sua agressividade tem origem na infância, criado por um pai agressivo foge de casa na adolescência e leva uma vida solitária de explorador de cavernas subterrâneas até descobrir o amor, que o leva reconciliação com o pai. Tarde demais. Numa Justificarcarta emocionante, seu pai deixa o pedido de desculpa acompanhado por uma fita gravada pelo filho nos momentos de espancamentos na infância.

No segundo conta a história de um catador de metal que divide seu trabalho com o fascínio pela leitura de velhos livros encontrados em lixeiras.Convidado para dar aulas particulares, Edi é acusado de ter engravidado a garota e o castigo imposto pelos irmãos da vítima é cuidar do bebê.Mesmo não sendo o pai, o protagonista da história cuida da criança até ser desvendado a mentira, quando o bebe é tirado de sua proteção sem nenhuma explicação.


Vale considerar a forma artística de sua produção.A imagem tem uma aparência antiga e escurecida, típico do cinema europeu.Das semelhanças com o cinema brasileiro leva-se em conta a riqueza dos roteiros, sem muitos diálogos explorando as imagens, suas produções não parecem ter custos altos, tendo cenários naturais – mostrando as impressionantes e exuberantes paisagens polonesas.

Na era dos avanços dos efeitos especiais e das megaproduções, o cinema polonês é uma boa alternativa de resgate ao cinema clássico.


Texto: Renan Damasceno

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