segunda-feira, maio 30, 2011

Better than Jordan?

Às vésperas da série decisiva da NBA, o hexacampeão Scottie Pippen (ex-Chicago Bulls), apimentou ainda mais a discussão sobre quem foi o maior jogador de basquete de todos os tempos. Impressionado com a atuação de gala do ala LeBron James na vitória do Miami Heat sobre seu ex-time por 83 a 80 – triunfo que credenciou a franquia da Flórida à finalíssima contra o Mavericks –, Pippen afirmou na sexta-feira (27) que LeBron é mais completo que Michael Jordan, seu ex-companheiro de Bulls, e considerado o maior atleta do esporte.

“Jordan é provavelmente o maior pontuador que já passou pela NBA, mas acredito que LeBron James talvez seja o maior jogador de todos os tempos. Ele não é só um grande cestinha. Além do seu grande poder ofensivo, também é bom marcador e consegue dominar o jogo do início ao fim”, disse Pippen em entrevista à rádio ESPN americana.

Em pouco tempo, a declaração alcançou repercussão mundial e se tornou um dos assuntos mais comentados do Twitter. Diante da indignação dos fãs, principalmente do Bulls, Pippen usou a própria rede de microblogs para se retratar. “Não me entenda errado. Jordan era e ainda é o maior, mas LeBron tem todos os meios, hoje em dia, para chegar ao nível dele”.

Embora os mais apaixonados não aceitem comparações, James caminha para uma carreira tão vitoriosa dentro de quadra quanto a do hexacampeão Michael Jordan, que se aposentou em 2002. No entanto, a polêmica envolvendo sua transferência do Cleveland Cavaliers para o Heat ofuscou sua popularidade. A principal crítica foi que ele abandonou o time que o revelou para se juntar às estrelas Dwyane Wade e Chris Bosh para ter chances de ganhar um título – atitude que Jordan não tomou mesmo com as sete tentativas frustradas antes de ser campeão em 1991.

As estatísticas dos dois impressionam. Em suas primeiras oito temporadas (1985-1992), Jordan alcançou média de 32,2 pontos por jogo, ao passo que LeBron mantém 27,7. Os dois foram escolhidos MVP (jogador mais valioso) mais de uma vez, conquistaram duas medalhas olímpicas e conquistaram dois títulos da Conferência Leste. Em 589 partidas, Jordan marcou 19.010 pontos (ao fim da carreira chegou a 32.292, atrás apenas de Kareem Abdul-Jabbar e Karl Malone). LeBron, em 627 jogos, fez 17,362. Falta a LeBron os títulos, que consagraram Jordan na década de 1990.

sexta-feira, maio 27, 2011

Uma nova chance

Renan Damasceno - Estado de Minas

Desde 1947, quando foi criada a NBA, vários astros que ajudaram a formar a história da mais importante liga de basquete do mundo não conseguiram conquistar o tão sonhado anel de campeão. O lendário ala Elgin Baylor defendeu o Lakers por 13 anos (1958 a 1971) esbarrando sempre no imbatível Boston Celtics, de Bill Russell.

Na década seguinte, foi a vez de Pete Maravich (Hawks, Jazz e Celtics) correr atrás do título em vão. Dos 12 atletas que formavam o Dream Team em Barcelona'1992, a metade jamais ergueu a taça: Patrick Ewing, Charles Barkley, Karl Malone, John Stockton, Chris Mullin e Christian Laettner. A extensa lista tem ainda Reggie Miller, Dikembe Mutombo e Dominique Wilkins.



Nesta temporada, dois dos mais importantes jogadores em atividade têm uma chance que não é fácil de ser repetida. O armador Jason Kidd, de 36 anos, e o ala alemão Dirk Nowitzki, de 32, conseguiram nova oportunidade de conquistar o anel de campeão, após saírem frustrados de suas primeiras tentativas.



Quarta-feira, os veteranos lideraram o Dallas Mavericks na vitória sobre o Oklahoma City Thunder, por 100 a 96, fechando a série final da Conferência Oeste em 4 a 1. Com o resultado, o time texano se credenciou à finalíssima depois de cinco anos – encarando justamente o algoz de 2006, o Miami Heat.

Revelado pelo próprio Mavericks em 1994, Kidd se transferiu para o Phoenix Suns três anos depois. Após fracassar em cinco temporadas, foi negociado ao New Jersey Nets, franquia pela qual chegou a duas decisões seguidas. Em 2002, ao lado de Keith Van Horn e Kenyon Martin, foi atropelado pelo Los Angeles Lakers (4 a 0) e, no ano seguinte, chegou a vencer duas partidas, mas esbarrou no San Antonio Spurs de Tim Duncan (4 a 2).

Já Nowitzki fez uma temporada impecável em 2006, quando foi escolhido o jogador mais valioso (MVP), e levou o Mavericks à primeira decisão de sua história. Mesmo com atuações memoráveis, o alemão não conseguiu superar o Heat, que naquele ano havia se fortalecido com o tricampeão Shaquille O’Neal jogando ao lado de Alonzo Mourning e Dwyane Wade. Nesses playoffs, o alemão está fazendo mais uma vez a diferença. No primeiro jogo contra o Thunder fez incríveis 48 pontos. Sua média é de 28,4 pontos na fase decisiva, número superior a de sua carreira (23).

quinta-feira, maio 19, 2011

Classificação livre

Se o Motley Crue ganhou notoriedade pelos excessos na década de 1980, a primeira passagem da banda pelo Brasil, 30 anos após o início na Califórnia, mostrou que a rotina de três décadas no palco é mais cansativa, maçante e mecânica do que supõe a vã filosofia do sex, drugs and rock'n roll.

À véspera de desembarcar na Argentina para dois shows no estádio do Racing, em Avellaneda, os pais do "hair metal", aqui mais conhecido por "metal farofa", fizeram show digno de terça-feira fria e preguiçosa, daquelas de passar o tempo no trabalho apontando lápis.


Apesar do esforço de Mick Mars, Nikk Sixx, Vince Neil e Tommy Lee - no caso do primeiro, esforço físico mesmo, por causa do problema crônico na coluna -, o show foi sem grandes emoções: cronometrado (1h30 e nada mais), sem interações além da conta e (oh, god!) sem mulheres no palco.

No Credicard Hall, em São Paulo, na última terça-feira (17), o Crue foi quase um grupo de tios gente-fina, que faz questão de tocar o que os meninos gostam. Tommy, que nunca foi de falsos pudores - vide as atuações ao lado da S.O.S Pamella Anderson -, estava comportadíssimo. Sixx, o preferido dos fãs, pelas aventuras esmiuçadas em This Is Gonna Hurt: Photography and Life Through The Distorted Lens of Nikki Sixx, que figurou na lista dos livros mais vendidos do NYT, fez nada além do dever de casa.

Mars, visivelmente debilitado pela doença degenerativa nos ossos, se enconstava em uma das partes do palco para apoiar as costas. Seu solo foi desordenado, sem técnica e feeling.

O repertório foi executado com a precisão de quem coloca a mesma porca num parafuso há 30 anos. Foram 15 músicas, 15 clássicos, 15 filmes que se exibiam na frente dos olhos dos fãs - de 15 a 50 anos.

Eu estava lá e, embora não presenciasse uma apresentação de fôlego como as de outrora, levantei meu copo de cerveja e ouvi o setlist que sonhava desde os 16, numa boa, como um moleque extasiado que tem a oportunidade de ver seus ídolos, no melhor estilo de filme de Sessão da Tarde.

O repertório -Wild Side, Saints of Los Angeles, Live Wire, Shout at the Devil, Same Old Situation, Primal Scream, Home Sweet Home, Don't Go Away Mad (Just Go Away), Dr. Feelgood, Too Young to Fall in Love, Ten Seconds For Love, Smokin' In The Boys Room, Girls, Girls, Girls, Kickstart My Heart, Looks That Kill

terça-feira, maio 03, 2011

segunda-feira, maio 02, 2011

Yes, we kill!

Folha da Noite, 2 de maio de 1945



Folha de S. Paulo, 2 de maio de 2011


Yes, we kill


Apesar de ser considerado um furo mundial da CNN, a primeira informação compartilhada sobre a morte do terrorista e líder da Al Quaeda Osama Bin Laden teria vindo do twitter de Keith Urbahn, funcionário do escritório do ex-secretário de Defesa, Donald Rumsfeld. O tweet teria sido publicado assim que a notícia corria no corredores da Casa Branca e enquanto Obama estaria formulando seu discurso oficial. Se for, podemos chamar a informação de @keithurbahn o maior furo até aqui em uma rede social? Acho que sim.

O assunto dominou os trending topics (lista dos assuntos mais comentados) logo que a informação foi dada pela rede de TV norte-americana, pouco antes da meia-noite (de Brasília). E gerou, em pouquíssimo tempo, o maior número de piadas, frases e trocadilhos da história do twitter. Separei algumas:

- "@osama At Islamabad with 4 others" postado pelo foursquare no Facebook foi a pista para o exército americano encontrar Osama.

- O ex-governador da Califórnia acaba de divulgar uma nota oficial: "Hasta la vista, baby!"

- Corre boato que tudo não passa de ação mundial de marketing da Gillete. Amanhã, Osama Bin Laden aparece no intervalo da Oprah Winfrey de barba feita.

- Al Quaeda sem líder? PMDB tem nomes a indicar e insatisfeitos já flertam com partido do Kassab.

- RIP Osama Bin Laden: Campeão Mundial de Pique-Esconde - nove anos, sete meses e 20 dias.

- Resumindo: bastou a rede do PlayStation cair para os soldados trabalharem.

- Agora, a única chance dos Democratas perderem em 2012 é Obama ser parado numa blitz no Rio e recusar-se a soprar o bafômetro.

terça-feira, abril 05, 2011

Novos Horizontes



Projeto legal do João Marcos Veiga, do blog Notas Geraes, com o pianista Mauro Continentino, no Espaço 104, em BH.

Santo Ibiraci

Hoje, como não fazia há um bom tempo, tomei com a calma dos dias de folga duas xícaras do café Ibiraci, produzido ali perto de Franca, divisa com Pedregulho, e meu futebol melhorou sensivelmente na tradicional pelada de segunda-feira.

Nunca fui um Canhoteiro, Garrincha ou um Tostão, mas melhorou. Mais um pouco, fico até melhor que o André Santos pelo lado esquerdo (não que isso dispense grande esforço para qualquer bípede).

Diante das declarações do presidente Kalil, hoje, e do futebol apresentado pelo Atlético, desde anteontem, imagino que esteja na hora de o Galo tomar uma atitude. Ou, no melhor dos casos, um Ibiraci.
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sexta-feira, abril 01, 2011

Grande Zé! (1931-2011)


Quinho, jornal Estado de Minas, em 30 de março.

sábado, março 12, 2011

O discurso do rei

Conhecido pelo talento e pela gagueira, ex-atacante Elivélton, herói do título celeste na Libertadores de 1997, aprimora a fala com programa de rádio em Alfenas

Renan Damasceno - Estado de Minas

Renan Damasceno/EM
Elivélton é pastor evangélico, dono de escolinha de futebol e apresentador de rádio

Alfenas
– "Elivélton? O jogador? Mas você não é gago?", pergunta um incrédulo ouvinte do programa semanal Um novo começo, da Rádio Novo Lar, desta cidade do Sul de Minas. O misto de espanto e satisfação por falar ao telefone com um dos mais vitoriosos atletas do país na década de 1990 se repetiu com frequência durante os mais de dois anos em que a atração foi ao ar, de 2007 ao fim de 2009, quando o famoso apresentador interrompeu a atração para retornar aos gramados, pela Francana, no interior paulista. Com a aposentadoria definitiva, o programa, voltado ao público evangélico, deve ser retomado este ano.

"Eu era gago, gaguinho de tudo. Quando falei que queria apresentar um programa de rádio, todo mundo se assustou", conta o ex-atacante, autor do gol que deu ao Cruzeiro o título da Copa Libertadores de 1997, com a vitória por 1 a 0 sobre o peruano Sporting Cristal, no Mineirão, quatro anos depois de ser bicampeão pelo São Paulo (1992 e 1993). "Microfone nunca foi meu forte, mas recorri à experiência para soltar a voz. Durante a carreira, eu corria, me escondia dos repórteres para não dar entrevistas. Se gaguejasse, os colegas não me davam sossego."

Do samba Gago apaixonado, composto por Noel Rosa em 1930 – "Eu de nervoso esto-tou fi-ficando gago –, ao personagem animado Gaguinho, do Looney Tunes – "É isto aí, pe-pessoal" –, a gagueira sempre foi alvo de chacota. O recente filme O Discurso do rei, do britânico Tom Hooper, vencedor de quatro estatuetas no Oscar deste ano (filme, diretor, roteiro e ator, para Colin Firth), no entanto, veio destravar esse assunto – com o perdão do trocadilho. Inseguro pelos problemas da fala, o rei George VI (Colin Firth) foi obrigado a assumir a coroa britânica quando o irmão David abdicou para se casar com uma plebeia. À beira da Segunda Guerra Mundial, o monarca teve de recorrer a um terapeuta australiano de métodos nada convencionais, Lionel Logue (Geoffrey Rush), para treinar a oratória e discursar com confiança aos súditos em momento tão delicado.

"Minha experiência no rádio foi fantástica. Como era ao vivo, não podia quebrar o ritmo. Josélia, minha esposa, me ajudava a apresentar o programa, que durava uma hora. Eu falava uns 10 minutos sem parar. Gaguejar mesmo, quase não gaguejava. Mas, às vezes, ainda dou uma rateada", confessa Elivélton.

Em certo momento do filme, George VI, voz já mais firme, fala aos ouvidos de Logue: "Eu tinha que gaguejar um pouco para eles saberem que era eu".



CARREIRA À beira de completar 40 anos, Elivélton mora em Alfenas, vizinha à cidade natal, Serrania. Divide o tempo entre a loja de artigos religiosos e o Elivélton Esporte Clube, de futebol soçaite, onde funciona sua escolinha de futebol. Casado há 18 anos com Josélia Rufino, é pai de três filhos – o mais novo tem 12 anos. Ele e a mulher são diáconos da igreja Sara Nossa Terra, na qual o ex-jogador ministra culto de 40 minutos toda semana.

Quarto filho de uma família de sete irmãos, Elivélton trabalhou como cortador de cana de açúcar, gari e servente de pedreiro antes de fazer um teste nos juniores do Esportivo, de Passos. "Vi aquele menino franzino treinando um dia à tarde e estávamos à procura de um ala-esquerdo para disputar o Mineiro. Fui até lá conversar, mas ele não falava quase nada, de tão gago e humilde. Pedi para se apresentar nos profissionais na manhã seguinte. Marquei um amistoso contra um time da cidade e ele arrebentou no jogo. Aí tive a certeza de que iria longe no futebol", comenta o ex-jogador Jair Bala, à época treinador da equipe passense.

Durante aquele Estadual, Carlos Alberto Silva, então no São Paulo, enviou um olheiro para acompanhar Aritana, apelido dado por Jair Bala ao atacante, pela semelhança com o cacique e autoridade indígena do Alto Xingu. Ainda em 1989, o jovem seguiu para o tricolor. Lá, viveu os melhores momentos em 20 anos de carreira: conquistou duas Libertadores, dois Paulistas (1991 e 1992), um Brasileiro (1991) e, antes que seu time vencesse o segundo Mundial Interclubes, foi vendido ao Nagoya Grampus, do Japão, em meados de 1993.

Nesse período, foi convocado para a Seleção Brasileira, mancando seu solitário gol com a camisa verde-amarela, na vitória sobre a ex-Tchecoeslováquia por 2 a 1, no Serra Dourada, em 1991. No ano seguinte, quando defendia a equipe no Pré-Olímpico do Paraguai, levou uma pedrada na cabeça, arremessada pelos torcedores. Ele garante não ter deixado marcas. "Fora a que ficou na minha testa", brinca.

A sorte sempre o acompanhou, especialmente nas decisões. Em seu retorno ao futebol brasileiro, em 1995, fez o gol do título estadual do Corinthians no triunfo por 2 a 1 sobre o Palmeiras, no segundo tempo da prorrogação, em Ribeirão Preto. Dois anos depois, com a camisa celeste, fez o gol do Cruzeiro sobre o Sporting Cristal, na segunda etapa da decisão.

Desde então, não conseguiu se firmar em nenhum outro time. Passou por Internacional, Ponte Preta, São Caetano, Vitória e Bahia, por times do interior de São Paulo e do Mato Grosso. Em 2007, teve um derradeiro momento de glória. "Estava no Uberlândia e joguei contra o Cruzeiro, no Mineirão. Fui substituído no segundo tempo e a torcida cruzeirense me aplaudiu de pé."

domingo, fevereiro 13, 2011

Touro domado

De maior ídolo a mercenário e ingrato, Ronaldo sucumbe


Tempo, implacável nocauteador. Aos 34 anos, Ronaldo vai anunciar hoje (14/01), em entrevista coletiva, sua aposentadoria do futebol, após quase duas décadas de brilhante carreira. Frustrado com a eliminação do Corinthians na Libertadores (somada ao vandalismo protagonizado pela torcida após a derrota) e com dificuldade em perder peso, ele antecipara decisão que estava marcada para o fim do ano.

Todos os clichês são tentadores para descrever a trajetória do Fenômeno, eleito três vezes melhor jogador do mundo (1996, 1997 e 2002), bicampeão mundial (1994 e 2002) e autor de 414 gols, com a camisa verde-amarela (62, sendo 15 em Mundiais), e pelos sete clubes que defendeu: Cruzeiro (44), PSV (54), Barcelona (47), Inter de Milão (59), Real Madrid (104), Milan (9) e Corinthians (35).

Ressurgido de contusões gravíssimas, envolvido em escândalos na vida particular, ídolo e vilão nos clubes que defendeu, Ronaldo é o nosso Touro Indomável, nosso Jake LaMotta
, lendário boxeador do Bronx, vivido por Robert De Niro, em Touro Indomável, melhor filme de Martin Scorsese.

Não falta a Ronaldo drama particular para tornar-lhe personagem scorcesiano: sua vida, de Castelo de Chantilly a travestis, tem ingredientes para um roteiro de primeira grandeza.
Assim como o primeiro boxeador a vencer Sugar Ray Robinson, ele foi gênio em seu esporte, mas as polêmicas e os desafios transformaram sua vida em um ringue.

Sejamos mais sutis. Outrora o maior do mundo,
as idiossincrasias que cometeu ao longo da carreira não o transformará em um apresentador gordo de cabarés, tal qual LaMotta, mas serão suficientes para macular a imagem de mito, que já se confunde com a de ingrato (saiu da Inter, após receber apoio da torcida durante a recuperação) e mercenário (trocou a paixão Flamengo pelo projeto Corinthians).

Desta última acusação, no entanto, está farto. Inteligente - nunca falou além do necessário -, Ronaldo sabe que futebol, assim como a Igreja e o jogo do bicho, se alimenta de fé. E que Deus é dinheiro, muito dinheiro.



quarta-feira, fevereiro 09, 2011

Como nascem as causas

As críticas de um consumidor contra a Brastemp, levou o nome da fabricante de eletrodomésticos a figurar entre os assuntos mais discutidos do mundo no Twitter na última sexta-feira. Dono de uma geladeira Brastemp que apresentou deifeito há três meses, o paulista Oswaldo Borelli usou o canal de vídeos YouTube para contar seu difícil relacionamento com a empresa, que ainda não solucionou seu problema.

No vídeo de pouco mais de 4 minutos, gravado em frente sua casa, Borelli conta que gastou R$ 268 com reparos e parou de desembolsar quando o orçamento para resolver o problema ultrapassara R$ 3 mil, mais do que o valor da geladeira.

O assunto, até aqui, já era deveras interessante. Mas como toda exposição busca lá suas recompensas, resolvi bisbilhotar a vida do tal @oboreli - endereço no twitter no qual fez questão de divulgar em vídeo -, a partir do número 45223, do seu endereço no Youtube.

Borelli foi vereador de Santana de Parnaíba, interior de São Paulo, até 2008 e participou do Secretariado Estadual dos Vereadores do PSDB, que representa os mais de 1500 filiados do partido com vaga nas câmaras municipais paulistas. Ele teve 3604 votos nas eleições de outubro, postulando vaga na Assembleia, número insignificante diante dos 453.647 views do seu vídeo, que lhe rendeu o topo dos TTBr.

Agora, será que ele vai se lançar "O Borelli da Brastemp" em 2012? Aposto um Délio Malheiros que Borelli vai se promover como "o vereador do consumidor" em Santana no Parnaíba. Uma pena que vou me esquecer deste assunto em poucos dias e não acompanharei o desfecho da profecia.

quinta-feira, janeiro 27, 2011

Especulação funerária

Com a taxa de mortalidade no Brasil estável em 6,3/1.000 habitantes na última década, cerca de 1, 2 milhão de brasileiros batem as botas todos os anos. Com o aumento na demanda por uma vaguinha bem acomodada a sete palmos do chão, "ser jogado na vala comum" se transformou de despretensioso provérbio a motivo de insônia aos que anseiam um sono eterno sossegado.

Tomei conhecimento há alguns meses em conversa com meu pai e depois com o Marcelo Dias - um amigo advogado muito atento aos negócios, de pés de eucaliptos a pés na cova -, sobre o aumento na procura por terrenos em cemitérios, por necessidade familiar ou por precavidos com medo de passar a eternidade loteado em um cubículo de repartição pública.

Nossa cultura escatológica explica tanto temor dos tementes a Deus. Religiões monoteístas ocidentais, como a Católica e as Neo-pentecostais que gorjeiam por cá, pregam que seus membros valorosos de uma fé verdadeira serão "livrados do fogo do inferno" e "suas almas levadas todas para o céu".

Porém, tamanha benesse divina e promessas de vida eterna em suaves prestações têm custado caro aos cristãos. Um terreno no cemitério de Alfenas, por exemplo, com pouco mais de dois metros quadrados que custava R$ 2,5 mil, é vendido, hoje, a cerca de R$ 6 mil.

A inflação foi puxada por uma mórbida "especulação funerária", de funcionamento simples: o empresariado ávido por negócios, certo que sua hora ainda não chegou, comprou o cercadinho há alguns anos e, hoje, com a iminente lotação dos cemitérios municipais, vende a preços exorbitantes, alavancando também o valor dos que garantiram seu pedaço de terra sem esse propósito.

Mais uma vez, os analistas de mercado tiveram olho-vivo, ainda mais que as opções oferecidas ao certâme de defunto não têm sido das melhores, assim na terra como no céu.

sábado, janeiro 22, 2011

O tempo e o vento



ILICÍNEA. Nome originado da planta Congonha, da família das Ilicinaseas, muito usada no Sul de Minas Gerais. O chá de suas folhas exalam sabor e aroma peculiares. Congonhas foi o primeiro nome do povoado que, em 1938, como distrito, recebeu o nome de Ilicínea. Em 1953, desmenbrada do município de Boa Esperança, foi elevada a igual categoria. As fotos, de janeiro de 2006, são de casas de quase um século, de meus bisavós, avós, tios-avós, na zona rural da cidade, na qual nasci em 1986.

quarta-feira, janeiro 19, 2011

A outra esquina

O ano era 1988. Na extinta casa noturna Pianíssimo acontecia o encontro memorável de dois grandes músicos. No piano, aquele que deu as primeiras bases para a formação do Clube da Esquina, ainda no edifício Levy da Avenida Amazonas; na guitarra, um ícone do rock progressivo brasileiro. Numa sequência de shows, desfilaram pelos acordes de Marílton Borges e Fredera temas de jazz, bossa nova e da MPB.

Música Popular Brasileira que por sinal reserva uma importante página para essa atuação. No disco Os Borges (1980), a faixa Outro Cais, composição do primogênito da família, Marílton, traz Elis Regina conduzida pelo timbre marcante de Fredera. O álbum, que revela toda a capacidade artística dos Borges, também contou com Milton Nascimento e Toninho Horta.

Apesar do sumiço das últimas décadas, Fredera fez história na música do país. Ainda na década de setenta, foi considerado uma lenda do rock brasileiro, através de composições ao mesmo tempo densas e irreverentes e solos de guitarra eletrizantes para um dos principais grupos progressivos da época, o Som Imaginário – banda que acompanhou Bituca por certo tempo e que trazia nomes como Robertinho Silva, Wagner Tiso, Zé Rodrix e Naná Vasconcelos.

Na década de 1980 ele lançou o álbum solo Aurora Vermelha, disco premiado e que representou um marco para a música instrumental do país, segundo o maestro canadense Gil Evans. Mesmo deixando os palcos depois de acompanhar artistas como Gal Costa, Ivan Lins, Gonzaguinha e Raul Seixas, consolidou-se como um intelectual (é autor de diversos livros) e artista versátil, atuando ativamente ainda hoje na área das artes plásticas. (João Marcos Veiga)

terça-feira, janeiro 18, 2011

Enbrulhando peixes

Rio de Janeiro. 18/01/1915.
"Toda vez que um temporal desaba sobre esta cidade e ela, em alguns pontos, sofre os terríveis efeitos das inundações, a imprensa no dia seguinte, ao passo que noticia minuciosamente todos os horrores por que passaram os habitantes das ruas e bairros inundados, clama por uma providência, chama a atenção dos poderes públicos municipais, apela para as altas autoridades da República, convencida de que cumpre um dos seus mais sagrados deveres: O de zelar pelo bem estar da população, pugnando pelos seus direitos". (Jornal do Brasil)

segunda-feira, janeiro 17, 2011

A volta do ditador

Como não há catástrofe que não possa piorar - mesmo depois de terremoto com saldo superior a 250 mil mortes, fraude eleitoral e uma epidemia de cólera que já levou outras 3 mil -, o ex-ditador haitiano Jean-Claude Duvalier, o Baby Doc, pousou no solo do país mais pobre da América Latina neste domingo (16/01), em voo da Air France vindo da França - país no qual o aceitou em exílio político, em 1986, após outros países recusar estadia.

Recebido efusivamente por descamisados de memória curta, aos gritos de "Viva Duvalier", o ex-ditador disse que gostaria de ajudar a reconstruir a nação devastada por um terremoto. Usando terno e gravata azuis e acompanhado de sua atual esposa francesa, Veronique Roy (sempre foi um gorducho mulherengo), ele afirmou que sentiu grande alegria ao colocar os pés novamente em solo haitiano.

O retorno inesperado ocorre no momento em que o país enfrenta uma crise política, além de epidemia de cólera e dificuldades da reconstrução após o terremoto devastador de janeiro do ano passado. A data escolhida, talvez a dedo, aconteceu também no dia exato em que deveria ocorrer o segundo turno das eleições presidenciais no Haiti, mas a votação foi adiada por causa de uma disputa em torno dos nomes que deveriam constar na cédula eleitoral.

Perfil do ditador - Jean-Claude Duvalier tinha apenas 19 anos quando herdou o título de "presidente vitalício" de seu pai, François "Papa Doc" Duvalier, que governou o país de 1957 a 1971. Baby Doc, que pediu perdão ao povo haitiano em 2007, é acusado de corrupção, repressão e abuso de direitos humanos durante o tempo em que esteve no poder.

Como o pai, ele contava com uma milícia particular conhecida como os Tontons Macoutes. Os Duvalier são tidos por analistas como dois dos mais violentos governantes da História.

sábado, janeiro 15, 2011

Guerras desconhecidas do Brasil




O ESTADO CONTRA O POVO. A reportagem Guerras Desconhecidas do Brasil, do jornalista Leonêncio Nossa e do repórter fotográfico Celso Júnior, publicada em dezembro do ano passado pelo O Estado de S. Paulo, reúne relatos de 32 revoltas armadas que provocaram a morte de 538 civis e 100 baixas nas tropas legais do Estado no século no Brasil.

Os episódios mostram a paranoia do Estado brasileiro em usar seu poder de fogo para conter beatos barbudos, rezadeiras, descontentes com a política econômica ou pequenos agricultores em busca de terra, e tomar partido de latifundiários e grileiros nas brigas composseiros. Foram revoltas populares sem ideologia ou tutela de partidos políticos e instituições militares ou religiosas.

Um dos melhores trabalhos de apuração, texto, fotos e projeto gráfico que já li.

Para baixar o caderno Guerras Desconhecidas do Brasil, clique aqui.

domingo, janeiro 09, 2011

Prova cabal

Denunciado pelo morto. Reynaldo Dagsa, vereador em Manila, Filipinas, fotografou o momento em que seu assassino, Michael González, preparava a arma para o tiro. Segundo a polícia local, o político, que tirava foto da família, não percebeu que estava fotografando também seu algoz. González e seu cúmplice (atrás, de regata) foram presos graças à foto.