quarta-feira, fevereiro 13, 2013
Saudades e cinzas não foram apenas o que restou
Ao receber a incumbência de comandar esta croniqueta durante a festa de Momo, não perdi tempo e fui vasculhar músicas, discos e livros sobre a folia. Logo no primeiro dia, porém, descobri que nem os versos de Vinicius nem o samba de Nelson Cavaquinho, Noel e Cartola substituíam a experiência de ficar espremido no meio de um bloco, embolado ladeira abaixo, cantando e se arriscando ao tamborim.
Em quatro dias, visitei duas dúzias de blocos, subi e desci ruas e avenidas, com várias perguntas na cabeça e um bloco de papel na mão. Rasguei e rabisquei anotações que julguei impublicáveis. Descobri, entre outras coisas, que a dor é parte essencial do samba – e não falo das irremediáveis paixões de carnaval, que os foliões costumam levar uma quaresma inteira para curar.
Além da saudade e das cinzas, restaram bolhas nos pés, ressaca e a sensação de uma bateria inteira dentro da cabeça ao deitar no travesseiro. Acordei com gosto de fim de festa na boca e arrematei mais uma dose de animação antes de cair novamente na farra. Tive a certeza de que as entidades divinas criaram a quarta-feira justamente para os filhos de Deus não se acabarem na esbórnia.
Vi ciganas e falsos profetas, anjos e cafetinas. Prometeram-me o céu em uma roda de samba e, diante da minha recusa, desejaram-me um show de funk. Vi ruas quietas serem tomadas por confetes e serpentinas e, poucas horas depois, voltarem ao sossego típico de feriado. Muitos que espiavam pelas janelas não apenas viram a banda passar, como se juntaram cantando e dançando coisas de amor.
Pulei carnaval do Mangabeiras ao Padre Eustáquio, da Cidade Jardim ao Concórdia e vi a Praça Duque de Caxias, em Santa Tereza, mais cheia do que Mineirão em dia de Cruzeiro e Atlético – mas com água e tropeiro de boa qualidade.
Renan Damasceno (Publicação: 13/02/2013 04:00)
terça-feira, fevereiro 12, 2013
Do mangue beat aos Beatles
Quem me vê sempre parado, distante, garante que eu não sei sambar. Está certo. Diferentemente do introspectivo folião de Quando o carnaval chegar, de Chico Buarque, que se preservava calado para os dias de Momo, mexer o corpo com coordenação nunca foi meu forte, nem mesmo no futebol. Ontem, porém, tive de me concentrar nos diversos ritmos e acordes das ruas de Belo Horizonte para não perder o compasso.
No começo não foi muito fácil. Ao chegar ao Barro Preto, demorei alguns minutos para compreender o batuque, mais cadenciado do que maracatu, reforçado por berimbaus e tambores de capoeira de angola. Agogô, reco-reco e atabaque ditavam o ritmo das saias e cabelos das meninas que giravam feito peões. Música “sacolejante e malemolente, a mais fina flor da música popular preta brasileira”, como definiu um dos organizadores. Arrisquei um pouco e entendi o requebrado.
No berço de uma das mais antigas guardas de congo e moçambique, a dança folclórica africana, no Concórdia, o Filhos de Tcha Tcha apurava os tamborins para sair pelas ruas do bairro. Aplaudi a atitude e saquei o ritmo. Sem perder tempo, descendo a ladeira da Afonso Pena, o Bom Bloquiu pedia bênção a Tim Maia e Jorge Benjor. Quatro estudantes, com fardas coloridas sob sol a pino, me convidaram para cantar com eles o refrão de Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, dos Beatles. Me senti confortável, em casa.
A viagem sonora – beirando sociológica e etnográfica – terminou com o Baianas Ozadas, aos pés do viaduto de Santa Tereza, que me apresentou uma terminologia diferente: “axé vintage”. Um axé old school, de raiz, sacou? Algo com pitadas de Luiz Caldas, que permite também inserções bem-humoradas do grupo Molejo e de Sidney Magal.
Confesso que foi difícil ficar parado – até para não ser atropelado. O folião Vinícius Grissi, cansado de dançar por três dias em BH, me confidenciou que está pensando em descansar em Diamantina no próximo carnaval.
Renan Damasceno (Publicação: 12/02/2013 04:00)
domingo, fevereiro 10, 2013
Brilhante!
Fui assaltado uma única vez em Belo Horizonte, em um sossegado e ermo sábado de carnaval. Desde então (já se passaram oito anos), por esses dias, olho para os dois lados ao colocar o pé direito na calçada e me benzo três vezes antes de cruzar a rua. Há quatro anos, porém, não me sinto tão sozinho na capital nos dias de Momo. A folia – que chegou a BH 47 dias depois da fundação, em fevereiro de 1898, mas perdeu força a partir da década de 1980 – recuperou o fôlego, sacudiu a poeira e deu a volta por cima.
Desde as primeiras horas da manhã de ontem um rastro de cor, suor e batucada tomou as ruas do Centro e bairros de BH. Desceram Pernambuco, cruzaram Bahia, sambaram na Rio de Janeiro. Grupos se reuniram no Santo Antônio, no Santa Tereza, na Savassi e no Calafate. Para algumas centenas de foliões (chegando a milhares ao longo do dia), a Afonso Pena e a Praça da Estação eram a mais pura e apoteótica passarela.
Mas nada foi tão emblemático, tão brilhante, quanto o sambão do lado de baixo da Santos Dumont. Na Guaicurus, onde se concentra boa parte do meretrício, boates e malandros sem gravata e capital, o bloco Então Brilha! animou foliões e foliãs vestidos a caráter, comerciantes, transeuntes e, claro, as profissionais que labutavam a todo o vapor. No intervalo do sobe e desce frenético, algumas moças saíram e se arriscaram no samba. As roupas cintilantes e minúsculas, usadas para sedução, se tornaram abadás. As janelas de vidro fumê viraram camarotes. Baldes d’água refrescavam quem passava. Com sorriso largo, elas acenavam para quem curtia a festa.
O carnaval ainda anima uma pequena parcela dos moradores de BH. A calmaria ainda reina na maior parte dos bairros e praças. Os grupos que resolveram botar o bloco na rua são em boa parte ligados ao sentimento de ruptura com o establishment e de ocupação consciente do espaço público. Sob o clima de festa, paira uma forte crítica social e política, em músicas e atitudes. Os alvos, em especial, são figuras públicas que se perpetuam no poder ou se envolveram em escândalos recentes. Eu, por exemplo, sofria chacotas e reprimendas sempre que descobriam que meu nome é Renan.
Publicação: 10/02/2013 04:00 (Renan Damasceno/EM/D.A Press)
quinta-feira, janeiro 03, 2013
O último corte do Moviola
O Moviola encerra hoje suas atividades.
Desde 5/7/2005 – quase oito anos, portanto – foram 313 postagens, modestas 60,3 mil visitas (até ontem) e muitas histórias. O blog, que nasceu despretensiosamente como forma de exercitar em texto as ideias que nasciam na faculdade de jornalismo, foi ganhando forma e fui tomando gosto.
Rendeu muita coisa legal. Quando clico aleatoriamente em algum texto antigo, vejo o quanto meus gostos, interesses e forma de enxergar o mundo mudaram em quase uma década, que coincide com minha vinda para Belo Horizonte.
Continuo com dois projetos: um particular e outro profissional. Desde 1/1/2013 mantenho o 365movies, com o objetivo de registrar um filme por dia até o último dia do ano. Como extensão do meu trabalho como repórter de esportes especializados do Estado de Minas, edito desde o fim do ano passado o blog Bola ao alto,que assumi após uma exceleten experiência comandando o Mind the Gap, durante a Paralimpíada de Londres.
Um abraço, feliz 2013 e nos vemos aqui:
Desde 5/7/2005 – quase oito anos, portanto – foram 313 postagens, modestas 60,3 mil visitas (até ontem) e muitas histórias. O blog, que nasceu despretensiosamente como forma de exercitar em texto as ideias que nasciam na faculdade de jornalismo, foi ganhando forma e fui tomando gosto.
Rendeu muita coisa legal. Quando clico aleatoriamente em algum texto antigo, vejo o quanto meus gostos, interesses e forma de enxergar o mundo mudaram em quase uma década, que coincide com minha vinda para Belo Horizonte.
Continuo com dois projetos: um particular e outro profissional. Desde 1/1/2013 mantenho o 365movies, com o objetivo de registrar um filme por dia até o último dia do ano. Como extensão do meu trabalho como repórter de esportes especializados do Estado de Minas, edito desde o fim do ano passado o blog Bola ao alto,que assumi após uma exceleten experiência comandando o Mind the Gap, durante a Paralimpíada de Londres.
Um abraço, feliz 2013 e nos vemos aqui:
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| Estação central de Amsterdam. Setembro/2012. Foto: Renan Damasceno |
terça-feira, novembro 06, 2012
quarta-feira, setembro 26, 2012
Chance para ver Bird
Até quarta-feira que vem, o
Cine Humberto Mauro, do Palácio das Artes, exibe a mostra Clint Eastwood
com 11 filmes do diretor, sendo dois imperdíveis: o western os
Imperdoáveis, (gênero que consagrou Clint como ator) e Bird,
cinebiografia do saxofonista Charlie Parker, em atuação irretocável de
Forest Whitaker.
Bird é de 1988 e o terceiro de uma sequência de trabalhos de Whitaker com grandes diretores. Em 1986, atuou em Platoon, de Oliver Stone, e em A cor do dinheiro, de Martin Scorsese. Ao viver de forma impecável o pai do Bebop, Whitaker ganhou o prêmio de melhor ator em Cannes e indicação ao Globo de Ouro -- não foi indicado ao Oscar, que foi, com justiça, para Dustin Hoffman (Rain Man).
Bird também marca a carreira de Clint por ser o primeiro filme em que trabalhou exclusivamente na direção e produção, sem atuar. Ele interpretava desde 1955, quando estreou em Revenge of the Creature, em papel tão coadjuvante que sequer é citado nos créditos. A estreia na direção foi em 1971, no thriller Play Misty for Me.
Bird é de 1988 e o terceiro de uma sequência de trabalhos de Whitaker com grandes diretores. Em 1986, atuou em Platoon, de Oliver Stone, e em A cor do dinheiro, de Martin Scorsese. Ao viver de forma impecável o pai do Bebop, Whitaker ganhou o prêmio de melhor ator em Cannes e indicação ao Globo de Ouro -- não foi indicado ao Oscar, que foi, com justiça, para Dustin Hoffman (Rain Man).
Bird também marca a carreira de Clint por ser o primeiro filme em que trabalhou exclusivamente na direção e produção, sem atuar. Ele interpretava desde 1955, quando estreou em Revenge of the Creature, em papel tão coadjuvante que sequer é citado nos créditos. A estreia na direção foi em 1971, no thriller Play Misty for Me.
A seleção de filmes mostra um Clint Eastwood capaz de passear com desenvoltura por diferentes gêneros cinematográficos: do western (gênero no qual se consagrou como ator) com "Os Imperdoáveis", ao melodrama em "As Pontes de Madison"; do cinema de biografia, com "Bird", ao drama social de "Menina de Ouro"; do thriller psicológico presente em "Sobre Meninos e Lobos", ao filme de guerra, em "Conquista da Honra" e "Cartas de Ivo Jima".
A programação e as sinopses
quinta-feira, agosto 23, 2012
terça-feira, julho 17, 2012
Olimpíada em rede
Estamos a pouco mais de uma semana dos Jogos Olímpicos de Londres. Apesar do esforço de organizadores em controlar o acesso dos atletas às redes sociais e limitar o compartilhamento de conteúdo feito pelo público de dentro das arenas, a internet vai ter impacto significativo na maneira em que os espectadores se relacionam com o maior evento no esporte. Ninguém ficará de fora, mesmo se o interesse for mínimo.
Em Pequim, eram 6 milhões de contas no Twitter. Hoje, mais de 140 milhões. Neste período, o Facebook se consolidou como principal rede social, com mais de 900 milhões de usuários. Alguém duvida que qualquer fato olímpico relevante -- conquista ou fiasco -- vai ocupar em poucos minutos o topo dos Trending Topics ou a timeline do Facebook?
Com informações do Mashable via @midia8
Em Pequim, eram 6 milhões de contas no Twitter. Hoje, mais de 140 milhões. Neste período, o Facebook se consolidou como principal rede social, com mais de 900 milhões de usuários. Alguém duvida que qualquer fato olímpico relevante -- conquista ou fiasco -- vai ocupar em poucos minutos o topo dos Trending Topics ou a timeline do Facebook?
Com informações do Mashable via @midia8
O novo Pelé
A edição especial Veja Olimpíada, nas bancas desde ontem, faz alusão à histórica capa da primeira edição da extinta Realidade, de abril de 1966, com Pelé vestido de guarda da rainha, dois meses antes da Copa do Mundo da Inglaterra. O "novo Pelé" é Neymar, também ídolo santista, principal esperança da inédita medalha de ouro olímpica – a conquista que falta para a galeria de títulos da Seleção Brasileira.
A aposta foi boa, mas que a homenagem não termine de forma trágica, a exemplo da campanha verde-amarela que buscava o tri consecutivo em 1966. Na ocasião, o time do técnico Feola venceu Bulgária por 2 a 0 e foi derrotado por Portugal e Hungria, ambos por 3 a 1, caindo na primeira fase.
A aposta foi boa, mas que a homenagem não termine de forma trágica, a exemplo da campanha verde-amarela que buscava o tri consecutivo em 1966. Na ocasião, o time do técnico Feola venceu Bulgária por 2 a 0 e foi derrotado por Portugal e Hungria, ambos por 3 a 1, caindo na primeira fase.
segunda-feira, julho 16, 2012
Woody Allen, meus 10 filmes preferidos
Ainda no embalo de "Para Roma, com amor" -- novo filme do Woody Allen em homenagem às cidades europeias, que chega à capital italiana depois de passar por Londres, Barcelona e Paris --, saí do cinema tentando listar meus filmes preferidos do diretor.
Claro que Woody Allen dirige mais filmes do que eu tenho tempo para vê-los. Mas assistir um, assim como abrir um pacote de biscoitos, torna impossível deixar de devorar o próximo. E assim foi desde que vi Desconstruíndo Harry, há alguns anos.
Depois de muito pensar e pesar cheguei à lista dos 10, respeitando ESTRITAMENTE MEU GOSTO. Desta forma, alguns títulos, como o consagrado Hannah e suas irmãs, na lista de 9 em cada 10 apaixonados por Allen, não está na minha relação. Também por este critério, deixo claro que qualquer filme com Diane Keaton leva ampla vantagem sobre os demais.
Por não ter conhecimento técnico e cinematográfico suficientes, desconsidero fotografia ou profundidade do roteiro, deixando de fora, por exemplo, filmes daquela onda meio bergmaniana da década de 1980, para mim, meio chatos. Para me limitar, resolvi escrever poucas linhas sobre cada filme. Para saber mais, corra para a locadora (ou para o Megaupload, f*** S.O.P.A).
1 - Meia-noite em Paris (2010)
Juntar Hemingway, Fitzgerald, Buñuel, entre outros, em um mesmo enredo tornando-os personagens tipicamentes de Woody Allen, sem ser artificial e ainda conectando-os ao nosso tempo, é o grande trunfo do filme. E ainda tem Paris e Marion Cottilard.
2 - Manhattan (1979)
Tem a Diane Keaton. A trilha sonora é assinada por Gershwin, a fotografia em um romântico preto e branco e os personagens naqueles desencontros e questionamentos de sempre.
3 - Zelig (1983)
Um falso-documentário divertidíssimo sobre Zelig (WA), que assumia as feições das pessoas que convivia. Atuação primorosa.
4 - Tudo o que você queria saber sobre sexo (mas tinha medo de perguntar) (1972)
Uma série de esquetes que vai do TV show "qual é a sua perversão?", com Gene Kelly, à ficção científica que resulta em uma teta gigante e assassina. O Grand Finale é o espermatozóide quertionador vivido por Allen.
5 - Annie Hall (1977)
É o auge dos romances neuróticos do diretor. Talvez seja o filme que melhor sintetiza o seu estilo.
6 - A última noite de Boris Grushenko (1975)
Uma sátira dos grandes romances russos. Boris é um soldado covarde e medroso, um anti-herói que, temeroso com a morte, resolve chamá-la para dançar.
7 - Desconstruíndo Harry (1996)
Depois de passar por uma fase com filmes mais "profundos" e viver um inferno astral no divórcio com Mia Ferrow, Allen renasce com esse filme. Comédia ao seu melhor estilo.
8 - A Era do Rádio (1987)
As trilhas sonoras são a cereja de bolo dos filmes do diretor, geralmente revivendo e redescobrindo algum clássico do jazz da década de 1930/1940. Neste filme, ele resolve fazer da música e dos anos de ouro os seus protagonistas.
9 - Dorminhoco (1973)
Comédia pastelão de primeiríssima qualidade. Allen em atuação a Buster Keaton. Por falar em Keaton, tem a Diane (no auge).
10 - Vicky Cristina Barcelona (2008)
Poderia fechar a lista com o ágil e sarcástico Bananas ou com o mamão com açucar Match Point. Mas Vicky Cristina reúne ótimos atores, uma bela cidade e um diretor que não tem medo de se reinventar.
Claro que Woody Allen dirige mais filmes do que eu tenho tempo para vê-los. Mas assistir um, assim como abrir um pacote de biscoitos, torna impossível deixar de devorar o próximo. E assim foi desde que vi Desconstruíndo Harry, há alguns anos.
Depois de muito pensar e pesar cheguei à lista dos 10, respeitando ESTRITAMENTE MEU GOSTO. Desta forma, alguns títulos, como o consagrado Hannah e suas irmãs, na lista de 9 em cada 10 apaixonados por Allen, não está na minha relação. Também por este critério, deixo claro que qualquer filme com Diane Keaton leva ampla vantagem sobre os demais.
Por não ter conhecimento técnico e cinematográfico suficientes, desconsidero fotografia ou profundidade do roteiro, deixando de fora, por exemplo, filmes daquela onda meio bergmaniana da década de 1980, para mim, meio chatos. Para me limitar, resolvi escrever poucas linhas sobre cada filme. Para saber mais, corra para a locadora (ou para o Megaupload, f*** S.O.P.A).
1 - Meia-noite em Paris (2010)
Juntar Hemingway, Fitzgerald, Buñuel, entre outros, em um mesmo enredo tornando-os personagens tipicamentes de Woody Allen, sem ser artificial e ainda conectando-os ao nosso tempo, é o grande trunfo do filme. E ainda tem Paris e Marion Cottilard.
2 - Manhattan (1979)
Tem a Diane Keaton. A trilha sonora é assinada por Gershwin, a fotografia em um romântico preto e branco e os personagens naqueles desencontros e questionamentos de sempre.
3 - Zelig (1983)
Um falso-documentário divertidíssimo sobre Zelig (WA), que assumia as feições das pessoas que convivia. Atuação primorosa.
4 - Tudo o que você queria saber sobre sexo (mas tinha medo de perguntar) (1972)
Uma série de esquetes que vai do TV show "qual é a sua perversão?", com Gene Kelly, à ficção científica que resulta em uma teta gigante e assassina. O Grand Finale é o espermatozóide quertionador vivido por Allen.
5 - Annie Hall (1977)
É o auge dos romances neuróticos do diretor. Talvez seja o filme que melhor sintetiza o seu estilo.
6 - A última noite de Boris Grushenko (1975)
Uma sátira dos grandes romances russos. Boris é um soldado covarde e medroso, um anti-herói que, temeroso com a morte, resolve chamá-la para dançar.
7 - Desconstruíndo Harry (1996)
Depois de passar por uma fase com filmes mais "profundos" e viver um inferno astral no divórcio com Mia Ferrow, Allen renasce com esse filme. Comédia ao seu melhor estilo.
8 - A Era do Rádio (1987)
As trilhas sonoras são a cereja de bolo dos filmes do diretor, geralmente revivendo e redescobrindo algum clássico do jazz da década de 1930/1940. Neste filme, ele resolve fazer da música e dos anos de ouro os seus protagonistas.
9 - Dorminhoco (1973)
Comédia pastelão de primeiríssima qualidade. Allen em atuação a Buster Keaton. Por falar em Keaton, tem a Diane (no auge).
10 - Vicky Cristina Barcelona (2008)
Poderia fechar a lista com o ágil e sarcástico Bananas ou com o mamão com açucar Match Point. Mas Vicky Cristina reúne ótimos atores, uma bela cidade e um diretor que não tem medo de se reinventar.
sábado, junho 23, 2012
Um dia sem futebol
Em setembro do ano passado, um torcedor do Alianza Lima morreu em uma briga entre a torcedores de sua equipe e do Universitario -- clássico do futebol peruano -- no estádio Monumental de
Lima.
Walter Oyarce, que foi arremessado de uma tribuna do estádio, tinha 24 anos e faleceu quando era levado em uma ambulância a um hospital de Lima. A polícia não conseguiu prender o agressor porque torcedores impediram que as autoridades o encontrassem.
Dias depois, a Federação Peruana de Futebol anunciou que o campeonato retornaria no mês seguinte e proibiu a torcida de entrar nos estádios.
Para o diário esportivo El Bocón, a violência culminaria na morte do futebol nacional. Em protesto, saiu com os espaços comumente dedicados ao futebol em branco. Um jornal sem notícias, com uma mensagem: "Continuar com a violência só fará nosso futebol desaparecer. Cuidemos do futebol, cuidemos da vida.
A iniciativa venceu o Leão de Ouro em Cannes, categoria "Best use in Print"
Vi no Midia Mundo
Walter Oyarce, que foi arremessado de uma tribuna do estádio, tinha 24 anos e faleceu quando era levado em uma ambulância a um hospital de Lima. A polícia não conseguiu prender o agressor porque torcedores impediram que as autoridades o encontrassem.
Dias depois, a Federação Peruana de Futebol anunciou que o campeonato retornaria no mês seguinte e proibiu a torcida de entrar nos estádios.
Para o diário esportivo El Bocón, a violência culminaria na morte do futebol nacional. Em protesto, saiu com os espaços comumente dedicados ao futebol em branco. Um jornal sem notícias, com uma mensagem: "Continuar com a violência só fará nosso futebol desaparecer. Cuidemos do futebol, cuidemos da vida.
A iniciativa venceu o Leão de Ouro em Cannes, categoria "Best use in Print"
Vi no Midia Mundo
sábado, junho 16, 2012
Nocaute no boxe mineiro
A história sempre nos surpreende. E foi puxando fio por fio (do telefone), página por página (do acervo do EM) e personagem por personagem, que reconstruí uma época gloriosa do esporte mineiro que caiu no ostracismo: os anos de ouro do boxe, que revalizava com o futebol na era pré-Mineirão. As histórias dos lutadores, hoje septuagenários, são deliciosas, de cinema.
Renan Damasceno - Estado de Minas
Quarta-feira, 20h30. O público ainda se acomodava na arquibancada do Ginásio do Paissandu, na Lagoinha, e as câmeras da TV Itacolomi passavam pelo último teste antes de a luz principal acender e o alvoroço se aquietar. “Boa noite, senhoras e senhores. Está começando mais um Telebox Bemoreira. Deste lado do ringue...”, era o procedimento quase litúrgico do narrador Ulisses Nascimento, o Gravatinha, ao anunciar os lutadores que, no fim da década de 1950, movimentavam a capital mineira em acaloradas lutas de boxe....
Renan Damasceno - Estado de Minas
Quarta-feira, 20h30. O público ainda se acomodava na arquibancada do Ginásio do Paissandu, na Lagoinha, e as câmeras da TV Itacolomi passavam pelo último teste antes de a luz principal acender e o alvoroço se aquietar. “Boa noite, senhoras e senhores. Está começando mais um Telebox Bemoreira. Deste lado do ringue...”, era o procedimento quase litúrgico do narrador Ulisses Nascimento, o Gravatinha, ao anunciar os lutadores que, no fim da década de 1950, movimentavam a capital mineira em acaloradas lutas de boxe....
quinta-feira, maio 17, 2012
sexta-feira, abril 27, 2012
Gràcies, Pep!
Este blog fala pouco de futebol - deixo isto para meu trabalho nas páginas diárias. Mas como o Barcelona é, antes de tudo, uma expressão de arte e meu texto no papel servirá apenas para embrulhar peixe amanhã, não pude deixar de registrar aqui a despedida de Pep Guardiola do comando da seleção catalã (seleção, sim, pois é um selecionado de nijinskys em busca da perfeição).
Por este perfeccionismo, poderia comparar o estilo Guardiola à direção de Stanley Kubrick, que repetia cada enquadramento à exaustão, ou a um conto de Borges, onde cada palavra, maior ou menor, tem sua parcela na métrica, no ritmo. Falar que o Barcelona joga por música é lugar-comum.
Da mesma forma que ouço saudosismos sobre as seleções de 1970 e 1982, de Zizinho, Pelé, Platini, Cruijff e Beckenbauer, poderei contar aos meus netos que vi dois momentos inesquecíveis no futebol: o gol de Petkovic na final do Carioca'2001 -- que é o maior momento da história esporte -- e o Barcelona de Pep Guardiola.
(Vale a pena ler o perfil de Pep, publicado no El País e traduzido pelo Ilustríssima, da Folha, sobre os dois anos sabáticos do treinador antes de assumir o Barça. Exemplar)
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Por este perfeccionismo, poderia comparar o estilo Guardiola à direção de Stanley Kubrick, que repetia cada enquadramento à exaustão, ou a um conto de Borges, onde cada palavra, maior ou menor, tem sua parcela na métrica, no ritmo. Falar que o Barcelona joga por música é lugar-comum.
Da mesma forma que ouço saudosismos sobre as seleções de 1970 e 1982, de Zizinho, Pelé, Platini, Cruijff e Beckenbauer, poderei contar aos meus netos que vi dois momentos inesquecíveis no futebol: o gol de Petkovic na final do Carioca'2001 -- que é o maior momento da história esporte -- e o Barcelona de Pep Guardiola.
(Vale a pena ler o perfil de Pep, publicado no El País e traduzido pelo Ilustríssima, da Folha, sobre os dois anos sabáticos do treinador antes de assumir o Barça. Exemplar)
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quarta-feira, abril 25, 2012
Esporte e pedofilia, uma cortina de silêncio
Uma operação deflagrada em janeiro pela Polícia Civil acusou o treinador de induzir e seduzir jovens a atos sexuais, vendendo-lhes a falsa ilusão de conseguir espaço em algum grande clube do país.
A história dos meninos de Caratinga se repete Brasil afora, mas são abafadas pela conveniência, pelo medo e a vergonha. E não é de hoje, como comprova denúncias de esportistas famosos que vão das ginastas Nádia Comaneci e Olga Korbut à nadadora Joanna Maranhão, que dá nome a projeto de lei em tramitação que amplia o tempo para prescrição do crime.
O acesso às pessoas próximas ao caso foi difícil e a recepção, inóspita. Segundo o delegado do caso, os pais preferiam acreditar que era mentira da polícia a aceitar que o filho havia sido abusado.O que me surpreendeu foi a cortina de silêncio na cidade. A pedofilia é uma mancha que, mesmo acobertada, macula o esporte.
A REPORTAGEM COMPLETA ESTÁ AQUI
terça-feira, abril 24, 2012
Hemingway and Gelhorn
Pouco mais de um ano depois de ser interpretado por Corey Stoll, no genial Meia-noite em Paris, Ernest Hemingway volta às telas, desta vez como protagonista.
A HBO divulgou o primeiro trailer de Hemingway & Gelhorn, estrelado por Clive Owen e Nicole Kidman, sobre a relação entre o romancista e a correspondente de guerra Martha Gellhorn (mais sobre os dois aqui).
Eles se conheceram na Flórida, em 1936, e em seguida Gelhorn foi destacada para cobrir a Guerra Civil Espanhola (1936-1939). O divórcio inspirou Hemingway a escrever o romance Por quem os sinos dobram.
Aos apaixonados por literatura, lembro que está previsto para o fim do ano o lançamento de On the Road, de Jack Kerouac (dir. Walter Salles), que concorre à Palma de Ouro em Cannes.
A HBO divulgou o primeiro trailer de Hemingway & Gelhorn, estrelado por Clive Owen e Nicole Kidman, sobre a relação entre o romancista e a correspondente de guerra Martha Gellhorn (mais sobre os dois aqui).
Eles se conheceram na Flórida, em 1936, e em seguida Gelhorn foi destacada para cobrir a Guerra Civil Espanhola (1936-1939). O divórcio inspirou Hemingway a escrever o romance Por quem os sinos dobram.
Aos apaixonados por literatura, lembro que está previsto para o fim do ano o lançamento de On the Road, de Jack Kerouac (dir. Walter Salles), que concorre à Palma de Ouro em Cannes.
segunda-feira, abril 23, 2012
Para que serve um blog?
Este blog entrou em crise de identidade - haja visto a infrequência das postagens. Ficou vago, perdido entre tantas formas de produção de conteúdo que, voluntária ou involuntariamente, despejamos nas redes sociais.
Usava este espaço para textos mais longos, mas o tempo para reflexão ficou espremido entre frases de 140 caracteres que posto todo dia o dia todo no Twitter, alguns links que compartilho no Facebook e fotos (agora com filtros cool!) que descarrego no intagram.
Confesso que esta criação full time e multimidiática me dá a sensação de estar em uma barraquinha que, entre maçãs do amor e algodão doce, está pendurado a placa "troco frases, fotos e sacadas descartáveis por likes e compartilhamentos".
Vou tentar tocar esta Moviola, cada vez mais dando jus ao nome: recortando e montando alguns fragmentos da realidade. Mas agora em versão curta-metragem.
Usava este espaço para textos mais longos, mas o tempo para reflexão ficou espremido entre frases de 140 caracteres que posto todo dia o dia todo no Twitter, alguns links que compartilho no Facebook e fotos (agora com filtros cool!) que descarrego no intagram.
Confesso que esta criação full time e multimidiática me dá a sensação de estar em uma barraquinha que, entre maçãs do amor e algodão doce, está pendurado a placa "troco frases, fotos e sacadas descartáveis por likes e compartilhamentos".
Vou tentar tocar esta Moviola, cada vez mais dando jus ao nome: recortando e montando alguns fragmentos da realidade. Mas agora em versão curta-metragem.
sexta-feira, março 30, 2012
Heleno, estrela trágica
Foram alguns meses de pesquisa, algumas semanas fazendo contatos e cinco dias de viagem para recontar a trágica história do craque-galã da década de 1940, Heleno de Freitas, ídolo do Botafogo e playboy da high society carioca, que morreu louco com apenas 39 anos, em um hospício em Barbacena.
Foi um dos trabalhos -- não são muitos, claro --, que mais gostei de fazer. Ao lado do fotógrafo Alexandre Guzanshe, fui a São João Nepomuceno, cidade natal do jogador, ao Rio, conversar com o único filho, e a Barbacena.
Entrar no hospício desativado, onde hoje funciona um hotel com os dias contados, foi uma experiência estranha. Mas as histórias dos personagens que viveram com Heleno, há meio século, são fascinantes. O resultado foi o caderno Heleno, Estrela Trágica, publicado no Estado de Minas, em fevereiro:
Foi um dos trabalhos -- não são muitos, claro --, que mais gostei de fazer. Ao lado do fotógrafo Alexandre Guzanshe, fui a São João Nepomuceno, cidade natal do jogador, ao Rio, conversar com o único filho, e a Barbacena.
Entrar no hospício desativado, onde hoje funciona um hotel com os dias contados, foi uma experiência estranha. Mas as histórias dos personagens que viveram com Heleno, há meio século, são fascinantes. O resultado foi o caderno Heleno, Estrela Trágica, publicado no Estado de Minas, em fevereiro:
quarta-feira, março 28, 2012
sexta-feira, dezembro 30, 2011
Pegou ...
A letra da música tem 248 caracteres em três estrofes (dois tercetos e uma quadra) que se repetem três vezes, em 2min45, sendo que da primeira para a segunda estrofe as únicas palavras que mudam são "nossa, nossa" trocadas por "delícia, delícia". É executada (nos dois sentidos) em quatro acordes: B F# G#m E. Fui o espectador número 95.895.107 do clipe, hoje cedo, no Youtube. Pronto! Só isso que tinha para falar sobre "Ai, se eu te pego", do cantor neo-sertanejo Michel Teló, que, em artigo da revista Forbes desta semana, teve o sucesso internacional comparado ao de Carmen Miranda, Ronaldo e Pelé, que entraram para a história com bem mais do que uma música, um filme ou um gol. Dificilmente, para não dizer nunca, vai ser biografado pelo Ruy Castro ou ser chamado de Rei por isso.
Economicamente, abre as portas do mundo para o entretenimento brasileiro, ajudando a exportar Paula Fernandes e Luan Santana, nossas versões de Shania Twain e Justin Bieber. Nas últimas cinco décadas, oferecemos ao exterior Tom, Sérgio Mendes, Milton Nascimento, Naná Vasconcelos, Toninho Horta, Sepultura e engolimos muita coisa indesejada. Estava na hora de aprontarmos uma com eles...
quinta-feira, dezembro 29, 2011
Oremos
Grandes momentos do jornalismo:
Diferentemente do que foi publicado no texto "Artistas periféricos passam despercebidos", à pág. 5-3 da edição de ontem da Ilustrada, Jesus não foi enforcado, mas crucificado, e a frase 'No princípio era o Verbo' está no Novo, não no Velho Testamento."
(Folha de S. Paulo - 7.dez.94)
(Folha de S. Paulo - 7.dez.94)
quarta-feira, dezembro 28, 2011
Eros no caos

Em ano de Primavera Árabe, morte de Osama Bin Laden e Steve Jobs, crise europeia, dos movimentos de ocupação, de Fukushima e outros desastres, imagens fortes não faltaram. Mas em meio a tantas fotos de guerra, sangue, tiroteio e destruição (como vocês podem ver nesta excelente seleção), fico com o lirismo do registro Rich Lam/Getty Images, em Vancouver (Canadá), durante a violência gerada pelos torcedores do time de hóquei local, Canucks, após a derrota para o Boston Bruins, em julho, na decisão da Stanley Cup. Lembrei, aos escolher a foto, do texto "Eros no caos dos egos em fúrias" publicado pelo Piauí #58, que acompanha as fotos da manifestação na seção _portfólio.
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