segunda-feira, janeiro 09, 2006

O metal sob os olhos da mídia.

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Titulo Original: O metal sob os olhos da mídia
Por: Renan Damasceno
Texto publicado no site www.metalfuria.com.br



Um dos fundadores do grupo de Thrash Metal Pantera – juntamente com seu irmão, o baterista Vinnie Barrel -, “Dimebag” Darrel foi assassinado durante a apresentação de seu grupo Damageplan, há pouco mais de um ano. O que traz grandiosidade ao fato não é apenas a perda que Dimebag representa, haja visto a importância do Pantera na influência de uma gama de bandas estadunidenses, e sim a repercussão que o fato obteve na mídia.

Parece desatualizado tocar num assunto intensamente discutido durante os meses que sucederam a morte de Darrel. Ledo engano. Quero, não apenas apresentar uma análise da cobertura feita pelos comandados de Roberto Marinho, como mostrar o legado da morte e uma posterior conscientização.

Vamos ao fato.

Em 09 de dezembro, o guitarrista Dimebag Darrel morreu assassinado por um maluco chamado Nathan Gale, de 25 anos, que disparou cinco tiros contra o músico. Além de Darrel, mais duas pessoas que assistiam ao show e um segurança foram mortos.Segundo testemunhas, antes dos disparos, Gale teria dito “Você acabou com o Pantera. Você arruinou a minha vida.”

O fato foi noticiado na mesma noite pelo jornal noturno da Rede Globo, o Jornal da Globo. Encabeçado pelo âncora Willian Wack, o canal mostrou seu despreparo, desprezo e preconceito contra os gêneros musicais “underground’s” . Wack apresentou Darrel como usuário de drogas – fazendo uma alusão ao seu apelido “dimebag”, trouxa de maconha – e como pregador do ódio e da violência. Não bastou. A ignorância não cessou e foi necessário convocar Arnaldo Jabor.

Sim, Arnaldo Jabor, aquele cineasta, que pertencia à esquerda comunista do país e hoje ataca a mesma como um direitista nato. Aquele que se vendeu ao cinema comercial, traindo Glauber Rocha e os ideais do Cinema Novo. Aquele que critica incessavelmente as colunas sociais de Caras, mas não perde uma oportunidade de desfilar entre celebridades em fotos de revista.

Como fã de Cinema Brasileiro que sou, reconheço sua importância. Leio seus artigos em diversos jornais, o considero um dos grandes entendedores da política americana e um exímio comentarista. Mas seu comentário e sua ignorância são questionáveis. Reproduzo-o a seguir, intitulado “Não Sobrou Nada”:

“O rock começou como canto à alegria e à liberdade, música de esperança numa era de utopias e flores. Aos poucos, a ilusão foi passando. Em 68, a esperança jovem foi sendo detida pela reação da caretice mundial. Os ídolos começaram a morrer: Janis Joplin, Jimmy Hendrix sumiram juntos. Na década de 70, o que era novo e belo se transforma nos embalos de sábado à noite e começa o tempo da brilhantina. Junto com a caretice dos Beegees, o que era liberdade cai na violência. Em Altamont, no show dos Stones, a morte aparece. Charles Manson é o hippie assassino e o heavy metal o punk vão glorificar o barulho e o ódio. Com a pressão do mercado mais sólida e invencível, a falsa violência comercial, sem meta, nem ideologia, fica mais louca e ridícula. Os shows de rock viram missas negras que lembram comícios fascistas. É musica péssima, sem rumo e sem ideal. A revolta se dissolve e só fica o ódio e o ritual vazio. Hoje, chegamos a isso, a essas mortes gratuitas. A cultura e a arte foram embora”.

Quem conhece Heavy Metal sabe que a intenção da música não é pregar "ódio e violência" e que os eventos destinados ao estilo musical não são "missas negras".Surpreendo-me ao saber que tal expressão ainda é usada, quando sabemos que “missas negras” é fruto do preconceito da Igreja Católica ao referir-se a cultos realizados por minorias.Uso as palavras de Ricardo Boessio em um artigo do site Duplipensar. “Nem o colunista global, nem os leitores aqui precisam gostar do peso do heavy metal. Ninguém precisa gostar de um estilo musical. Porém querer tachar como violento, ou que prega a violência é uma ignorância tamanha, digna de pessoas intolerantes e que querem empurrar os seus gostos pessoais para os outros”.

Indo ao cerne da questão, preconceito está diretamente ligado ao ódio e a violência e não a um estilo musical, vide o documentário de Michael Moore “Tiros em Columbine”, onde tentam empurrar a música de Marylin Manson como influência e causa dos assassinatos na high-school Columbine, nos Estados Unidos.

Não é surpresa que um jornal atue de forma conservadora, especialmente na Rede Globo.O problema é quando uma reportagem é prejudicada pela ignorância, pelo desejo de disseminar o preconceito e da necessidade de rotulação.

É de causar indignação como que o maior orgão formador de opinião do país pode cometer tão grandioso erro, manchando o nome de um movimento, por causa de um crime ocorrido, onde o assassino nem pertencia ao movimento; e mais questionável quando essa mesma emissora "conservadora" promove estilos como o funk, som de terceira qualidade e com letras imundas e imorais! Drogas? E o Belo, pagodeiro do grupo Soweto, condenado a 8 anos de prisão por tráfico e associação ao tráfico de drogas? E o Rafael Ilha, do grupo Pop Polegar, que engoliu um isqueiro e robou um cobrador de ônibus para sustentar seu vício? E assim enumeraria uma infinidade de ídolos “não-metaleiros” envolvidos em casos semelhantes.

Finalizando.Deve passar longe das telas e impressos de Copacabana e da Elite carioca, da qual Jabor faz parte, eventos como o Live Aid organizado em grande parte por astros do Rock, inclusive o “terror das boas famílias”, Black Sabbath; O show ocorrido em 1992 em homenagem a Freddy Mercury, ex-vocalista do Queen, reunindo nomes como Extreme, Metallica e Guns’n Roses que teve sua renda revertida para o combate a AIDS; Haja visto a reunião do Pink Floyd este ano para arrecadar dinheiro para combater a fome na África. As manifestações contra a guerra no Iraque liderada por nomes como Eddie Vedder, do Pearl Jam; As manifestações anti-capitalismo estadunidense do System of a Down, Green Day e do “The Boss”, Bruce Springsteen no hit “Born in USA”; A luta pelo direito das mulheres liderada pelo grupo L7; E uma infinidade de exemplos.

O heavy Metal certamente não é o gênero mais correto. Ódio e violência são problemas relacionados à sociedade corrompida pelo desprezo político e à desorganização social e não a um estilo musical. Não me aborreço apenas como fã do Heavy Metal, mas também como acadêmico de jornalismo, que assiste a tamanha irresponsabilidade e desprezo pelo espectador que assiste ao jornal.

4 comentários:

Manifesto Alternativo disse...

Muitas pessoas julgam "o todo" devido ao pouco que conhecem, foi o caso do repórter global...
Todas as vertentes do rock são tachadas como algo violento, agressivo, barulhento e referente às drogas por pessoas leigas e que não se preocupam em ver a ideologia e toda a aura que circunda esse estilo musical...
òtimo texto! Se puder passa no meu blog depois!
Valeu!

Bruna disse...


Reeeeeeeeee........
Bom o que dizer de um texto que diz td em si?Apenas concordar, por algum motivo que desconheço o Heavy Metal jamais foi bem visto pela Globo visto como vc citou eles divulgam estilos bem piores, creio que talvez se digam católicos e que o metal seja contra issu, ou será que é pq metal é um estilo que não diretamente mas prega liberdade de escolha já que alguem que vai ouvir metal não custuma ser alguém que segue tendências da midia?
Será que pq os bangers não audiência para suas novelas?
é de se pensar não?

miquilisssssssss
Keep the Metal in your heart....

Anônimo disse...

Esse teu texto passa um pouco a idéia de que o Heavy Metal é algo de esquerda e anti-conservador. O que está errado!. O que o Jabor falou eu não acho relevante, prefiro ignorar, porque absurdos piores que este acontecem todo dia na mídia brasileira. Eu discordo de muitos aspectos do texto e acho "As manifestações contra a guerra no Iraque liderada por nomes como Eddie Vedder, do Pearl Jam; As manifestações anti-capitalismo estadunidense " um bando de manisfestações de pessoas pseudopolitizadas que pensam que Guerra do Iraque é uma assunto simples e que são ignorantes o suficiente para achar que só o "capitalismo" define os problemas da sociedeade...

freefun0616 disse...

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