segunda-feira, dezembro 21, 2009

#fotododia - 262, suas curvas e a duplicação que nunca acaba























Acidente envolvendo três carretas, no final da tarde de sábado (19/12), no Km 632, da BR 262, que liga o Espirito Santo ao Triângulo Mineiro. As fotos foram tiradas na tarde do dia seguinte, durante a retirada dos veículos, que caíram em uma ribanceira. O piloto de uma das carretas morreu. Foto: Renan Damasceno. Mais sobre o assunto, vale acompanhar a série de matérias do Estado de Minas sobre os riscos das estradas mineiras.

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sábado, dezembro 19, 2009

#videosasemana - Arrudas, saias justas e panetones azedos



Dois mil e nove foi o ano de Arrudas, saias justas e panetones azedos para o Natal. A Arruda do ABC, de prenome sugestivo (Geisy), que de saia curtinha foi banida da Uniban, sacudiu a poeira, ajeitou o decote do vestido rosa-choque (onipresente!), e, na mesma velocidade que tomou a mídia sensacionalista de assalto, desapareceu num golpe fulminante, dado por outro Arruda.

Este, o Zé Roberto, queiram os eleitores distritais, não esperamos ver tão cedo. Também não desejamos que o ostracismo - ao qual a mídia e o povo relegam os homens de má fé da política brasileira - não seja empecilho para que a Justiça cobre deste homem careca e esguio uma explicação para o inexplicável.

Zé Roberto enterrou junto (torçamos!) o DEM, que vem mudando de nome desde a ditadura (Ex-Arena, ex-PFL), e que a população já não tem mais saco pra seus desmandos e coronelismos. Com a queda do último governador demo, o partido pode ficar sem palanques estaduais, embora nos corredores de Brasília alguns figurões ainda usufruam de poderes decisivos, capazes de articulações e viradas de mesa sempre ao apagar das luzes.

Voltemos à Geisy. Não era tão curto assim e não era tão boa assim. De bom (para nossa sorte, Playboy não investiu), restou este ótimo vídeo acima, em stopmotion, da banda 1/2 Dúzia de 3 ou 4. Com vocês, Geisy e o Zé Pilintra.

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Para entender o caso da Geisy, leia o artigo Sobre minissaias e saias justas, publicado aqui. Sobre o Zé Arruda, uma pequena citação em De Noel para Arruda, sem carinho ou panetone. Ele não merece mais que isso nesta estimada Moviola.


terça-feira, dezembro 15, 2009

Querelas em torno de Tom


Da coluna de Ruy Castro, semana passada na Folha:


Ontem (8 de dezembro, grifo meu), 15 anos da morte de Tom Jobim. Bem à brasileira, o silêncio pela data foi esmagador. Alguns clipes e rádios lembraram sua música, mas não se observou nada especial ou novos CDs que não contivessem os mesmos e tão sovados fonogramas. E ainda há muito de Tom a descobrir. Principalmente nas catacumbas das gravadoras Continental e Odeon, em que ele trabalhou como arranjador ou maestro, em discos de Dick Farney, Dalva de Oliveira, Orlando Silva e outros.

Nas últimas semanas, Tom tem sido mais citado em querelas que passam ao largo de sua obra. Outro dia, no próprio aeroporto que o homenageia, o Galeão-Tom Jobim, um urubu distraiu-se e entrou pela turbina de um avião que acabara de decolar, o qual teve de voltar à pista. Isso vive acontecendo.
O cruel é que aconteça com urubus, que Tom adorava, e, com frequência, no Galeão, palco de manchetes indignas de sua memória:

"Tom Jobim atrasa 20 voos", "Tom Jobim caindo aos pedaços", "Cocaína apreendida no Tom Jobim". Foi para isso que deram seu nome ao aeroporto?


Outro arranca-rabo envolve a nova saída do metrô carioca a ser inaugurada: a de Ipanema. Alguns querem chamá-la de Tom Jobim; outros, de General Osório, em cuja praça fica, para que os turistas não a confundam com o aeroporto. Ao mesmo tempo, corre a pendenga sobre a localização de sua futura estátua: na praia ou na dita saída do metrô? E há os que querem mandar de vez para a reserva o velho Osório e dedicar a praça a Tom, que tanto a amou e namorou nela.

Em São Paulo, Tom Jobim (assim como Paulo Autran e Ayrton Senna) é um túnel. Mas, se a ideia de batizar um logradouro é o grande homem ter o seu nome imortalizado em envelopes, postais, telegramas etc., esta se frustrou -porque ninguém escreve para um túnel.

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Neste blog, Tom foi citado no artigo A história e as histórias do Farney-Sinatra Club e em outros textos sobre a Bossa Nova. Sobre Dick o Moviola publicou "As façanhas de Farnésio". Do Ruy Castro, esta salada mista aqui ó.



sexta-feira, dezembro 04, 2009

Um melodrama deliciosamente almodovariano


Estreou no último fim de semana nas salas brasileiras a 17ª película da carreira do diretor Pedro Almodóvar, Los Abrazos Rotos. Escapar dos clichês tentadoramente românticos ao comentar um novo filme do espanhol se torna mais difícil a cada obra, uma vez que o próprio Almodóvar propositalmente os sedimenta, crivando características que deixam sua assinatura inconfundível.

No novo filme, Almodóvar reforça sua paixão pelas cores e pelas mulheres, o toque autobiográfico e a maestria em intercalar os tempos narrativos. Estes, apenas para citar algumas pitadas do gênero almodovariano, reveladas em quase três décadas atrás das câmeras.


Em Los Abrazos Rotos, filme menos ambicioso que o último, Volver (2006), a "mulher de Almodóvar" (para nosso deleite!) é Penelope Cruz. Incrível como só no papel de Lena. No novo filme, ele é a paixão do roteirista e diretor Matteo Blanco, que usa o pseudônimo Harry Caine em trabalhos de encomenda.

A partir de um episódio traumático, Blanco fica cego, desiste do trabalho autoral e decide se identificar apenas com o pseudônimo. Em flashbacks, o ocorrido é esclarecido aos poucos e fica evidente que tudo está ligado à paixão por Lena, amante de um homem poderoso que se torna a estrela de um filme de Matteo.


Los Abrazos Rotos é um filme dentro do filme, uma declaração de amor de Almodóvar ao cinema. Nele, o espanhol recicla clichês típicos dos melodramas latinos, criando uma trama marcante e envolvente.

O filme é a boa novidade neste finzinho de ano, que não foi assim tão relevante para a história do cinema.





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Escrevi a crítica de Volver, no lançamento do filme, em 2006. Mais sobre cinema clique aqui.

segunda-feira, novembro 30, 2009

De Noel para Arruda, sem carinho e panetone


Do samba de Noel Rosa, gravado em abril de 1933, para o governador José Roberto Arruda, acusado de participar de um suposto e complexo esquema de corrupção no governo do DF, "o mensalão do DEM", deflagrado pela Polícia Federal na Operação Caixa de Pandora.

O seu dinheiro nasce de repente/ E embora não se saiba se é verdade/ E o povo já pergunta com maldade:/ Onde está a honestidade?/ Onde está a honestidade?

Infelizmente, a música é quase um discurso clichê da política brasileira. de 1933 em diante. Caro Noel, não perdeste nada em suas profecias. Não entendeu? Clique aqui, aqui e aqui.

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domingo, novembro 29, 2009

#videodasemana: Dizzy Gillespie - Tin Tin Deo (1965)



Embora seu nome seja sempre acompanhado de duas vírgulas reducionistas, atribuindo-lhe a alcunha de "um dos pais do Bebop", Dizzy Gillespie também é responsável pela difusão de uma das mais criativas fusões do jazz americano: a vertente afro-cubana, mais tarde conhecida como Latin Jazz.

Influenciado desde a década de 1930 por músicos e compositores da ilha, como Mario Bauzá e Chano Pozo, Dizzy apresentou em 1947, no Carnegie Hall, seu primeiro sucesso afro-cubano, a obra-prima Manteca, em parceria com Pozo. Além de escrever seu nome como um dos precursores do gênero em formação, o trumpetista também cessara as reclamações do público, de que o bebop não servia para dançar.

Nas décadas seguintes, Dizzy continuou seu esforço pela aproximação da música cubana, americana e brasileira. Na década de 1970, visitou Cuba pela primeira vez, firmando parceria com o também trumpetista Arturo Sandoval. Na década seguinte, formou a United Nation Orchestra, que chegou a se apresentar no Brasil, em 1991.

"Acho que em 15, 20 anos a música dos Estados Unidos, de Cuba e do Brasil, que são as mais importantes do mundo, vão se tornar uma só. E eu vou estar aí pra ver"


Dizzy não viu sua profecia, feita em 1985, se concretizar, pois morreu oito anos mais tarde. No vídeo acima, outra parceria de Dizzy e o compositor e comediante cubano Chano Pozzo, Tin Tin Deo, executado em 1965, pelo quinteto de Dizzy, ao trumpete, James Moody, ao sax, Christopher, ao baixo, Kenny Barron, ao piano e Rudy Collins, à bateria.

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Conforme já apresentou este blog, Dizzy também gravou, em turnê por terras brasileiras, em 1974, um disco raríssimo com o Trio Mocotó, material nunca lançado, que ficou sumido até início deste ano. O bebop é citado no texto O Jazz na tela grande. A música cubana, por regra, foi representada pelo post sobre Buena Vista Social Club e demais ritmos latinos estão aqui.

sábado, novembro 28, 2009

Assessoria...


Nesta sexta-feira (27/11) o Moviola esteve na capa do site Youtag, uma interessante comunidade de conteúdo aberto, no qual vários links para blogs são constantemente disponibilizados. O post que mereceu destaque no site foi As 10 piores frases de Bush (estavam com saudades?), de 16 de janeiro deste ano. A indicação rendeu mais de 200 visitas únicas. Espero que continuem por aqui.

quinta-feira, novembro 26, 2009

Frases proféticas do Millôr


Do verbete Indecisão, página 301, de Millôr Definitivo: A bíblia do Caos (Editora L&PM POCKET, 1994):

Políticos do PSDB têm um estranho senso de oportunidade; ficam em cima do muro até última hora e, quando não tem mais jeito, saltam pro lado errado. (Millôr, 1990)

Não entendeu? clique aqui, aqui, aquiiiii....

sábado, novembro 21, 2009

#videodasemana: John Coltrane - Naima (1965)




Apesar de A Love Supreme ser, com todos os méritos, o disco mais louvado de John Coltrane, meu preferido é o Giant Steps, álbum de 1960, o segundo do saxofonista lançado pelo selo Atlantic. Recheado de clássicos, que se tornaram standards do gênero nas décadas seguintes, como Giant Steps, Cousin Mary e Naima, o álbum foi escolhido o número 102 na lista dos maiores e mais influentes álbuns de todos os tempos.

Acima, Coltrane executa Naima, a sexta faixa de Giant Steps. É acompanhado por McCoy Tyner, ao piano, Jimmy Garrison, ao baixo e Elvin Jones, à bateria. Apresentação de 25 de julho de 1965, em Antibes, na costa azul francesa.

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John Coltrane foi citado neste blog em diversas matérias sobre o cinquentenário do Kind of Blue, do trompetista Miles Davis, gravado em 1959. Outros vídeos e matérias de Jazz você encontra neste link aqui.

sexta-feira, novembro 20, 2009

"Em Nova York todo mundo fala Bírous"

Acabo de ler "O Som do Pasquim", uma deliciosa compilação de entrevistas com músicos publicadas n'O Pasquim, revista que reuniu o melhor time da história do jornalismo cultural brasileiro. Certamente, o ponto alto da coletânea, organizada pelo Tárik de Souza, é a entrevista de Agnaldo Timóteo, concedida aos jornalistas Júlio Hungria, Jaguar, Millôr e ao conterrâneo de Caratinga, Ziraldo.

Nada escapa à lingua afiada do cantor. Chico Buarque: uma merda. Caetano: não é cantor. Frank Sinatra: um cantor de voz bonita, comum, sem nada de excepcional. Milton Nascimento: burro. Roberto Carlos: inteligente, ganha 300 pratas por mês. Bírous: ...peraí...Bírous??

Ele explica:

"Todo mundo fala The Beatles. E quando estive lá em NY, um amigo meu disse que 'Bírous é demais'. Então eu perguntei: 'por que Bírous'. Ele me explicou. 'Aqui em Nova York todo mundo fala Bírous".

Tudo bem, explicado. Além de Timóteo, também estão no livro: Tom Jobim, Chico Buarque, Caetano Veloso ("um gênio, espanto, e não podemos fazer nada", segundo Glauber), Waldick Soriano, Raul Seixas, Lupicínio Rodrigues e mais alguns. É de dar gargalhada. Recomendo.

*Os cartoons que ilustram o post e o livro são do Nássara (.n).

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Nesta moviola, a MPB foi explicada neste artigo. Waldick, o Durango Kid brasileiro, que ganhou documentário ano passado, mereceu um artigo só pra ele. Chico, de tantas paixões, sobrou nas quatro linhas. Do Milton, tem praticamente uma coletânea de textos. Jornalismo Cultural, então, nem se fala.

terça-feira, novembro 10, 2009

#Fotododia: Minas/Goiás

Foto tirada às 14h35, em um posto de combustível na BR-040, a 20 km da divisa entre Minas Gerais e Goiás. O vermelho da poeira levantada pelos caminhões carregados de cana-de-açucar faz com que a região envelheça rapidamente. Tudo é velho, com ares de abandono. Minutos depois, já no cerrado do centro-oeste brasileiro, nos encontramos com nuvens carregadas, que mudaram o horizonte de verde para acinzentado.


Sobre minissaias e saias justas


Está na coluna de Ruy Castro desta semana:

A história de Geyse, a estudante agredida por 700 colegas de faculdade em São Bernardo do Campo por usar um vestido curto, me devolveu a 1967, quando nós, os rapazes do 1º ano do curso de Ciências Sociais da FNFi (Faculdade Nacional de Filosofia), no Rio, víamos com muito prazer o fato de que a maioria das meninas da turma ia de minissaia à aula.

Não eram minissaias sóbrias, a menos de um palmo do joelho, como o vestido de Geyse. Eram muito mais curtas. E nenhuma das moças, por mais bonita, fazia aquilo para provocar. Elas eram modernas, liberadas e gostavam de namorar – claro que só namoravam quem quisessem. Algumas liam Régis Débray; outras, Hermann Hesse; e, ainda outras, “Peanuts”; mas todas eram divertidas, inteligentes e politicamente atuantes.

No dia seguinte às passeatas contra a ditadura na avenida Rio Branco, uma ou duas apareciam na faculdade com as coxas e canelas salpicadas de curativos, resultado das bombas de 'efeito moral' que os agentes do Dops soltavam no meio da turba e, ao explodir, despejavam estilhaços que cortavam de verdade. Ao contrário de nossos jeans, grossos como couro e que nos protegiam as pernas, as minissaias expunham as garotas a esses riscos – que elas enfrentavam com graça e coragem.

Várias lutaram à vera contra os militares e pagaram o preço, na forma de prisão, tortura, exílio ou morte de alguém próximo. Mas, sabe-se como, todas completaram o curso. No futuro, muitas se tornaram mestras ou doutoras respeitadas em suas carreiras, ainda que fora da sociologia.

Às vezes, reencontro-as em reuniões aqui no Rio. Estamos 40 anos mais velhos, mas, nas minhas fantasias, elas continuam as mesmas meninas de 1967: alegres, responsáveis, cultas e irresistíveis em suas minissaias.

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+ de Ruy Castro neste blog:

Ruy Castro: O Leitor Apaixonado
Vídeo - Ruy Castro debate 50 anos da Ilustrada

Artigo - 50 Anos sem Billie Holliday

Artigo - Afinal, o que é MPB

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sábado, novembro 07, 2009

#videodasemana: João Gilberto - Estate (1983)


João Gilberto interpretando Estate, gravado no álbum Amoroso, em 1977. Os autores, como me alertou um Anônimo, são Bruno Martino e Bruno Brighetti. Os erros têm sido constantes por aqui. Felizmente!

quarta-feira, novembro 04, 2009

Coffee, Jazz and Ron Carter (parte.3)

Há um mês e meio postei dois comerciais estrelados pelo baixista Ron Carter, o primeiro para a cafeteria Tully's e o outro para o uísque Suntory, ambos para a TV Japonesa. Nos segundo, até coloquei um breve texto sobre a bebida, principal uísque à base de malte da terra do sol nascente.

Esses dias, em outra incursão pelo Youtube descobri outras duas propagandas protagonizadas pelo baixista. No primeiro player, está uma outra versão para o Suntory Whisky White. No segundo, gravado em 1988, não dá pra reconhecer a marca, mas creio ser de outra bebida.



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+ sobre Ron Carter neste blog:
- Coffee, Jazz and Ron Carter (parte.1)
- Coffee, Jazz and Ron Carter (parte.2)
- Se Deus tivesse uma voz
- Vídeo: Nada será como antes

terça-feira, novembro 03, 2009

Os trópicos ficarão mais tristes sem Lévi-Strauss


Guardo, rabiscada com tinta de marca-texto, a entrevista que Claude Lévi-Strauss concedeu à edição 110 da Revista Cult, no final de 2006. Nas 11 páginas da matéria, que tratava principalmente da estada do etnólogo no Brasil, entre 1935 e 1938, lecionando na recém-fundada USP, e de sua experiência com os índios bororo e nambikwara, me chamou atenção sua lucidez ao traçar o futuro da humanidade: "não vejo muita esperança para o mundo assim tão cheio".

Strauss nos ajudou a entender as mudanças da civilização ocidental no último século. Se na década de 1930, seu período em nossas terras, a população mundial era de cerca de 1,5 bilhão, em seu aniversário de século o mundo estava abarrotado com quase 7 bilhões, dado que explica as diferenças nas relações entre o homem e do homem com a natureza.

"Meu único desejo é um pouco mais de respeito para o mundo, que começou sem o ser humano e vai terminar sem ele", ressaltou, recentemente.

As previsões que Strauss nos deixa não são agradáveis. Para ele, a antropologia, de espírito mais tradicional, focada no estudo do homem primitivo e sem escrita, da qual ele bebeu, está com os dias contados e a arte, como afirmou em entrevista à Folha, já não existe mais.

Recluso em seu apartamento, no 16
arrondissement de Paris, Levi-Strauss já recebia poucas visitas. Morreu na madrugada de sábado para domingo, de causa ainda não divulgada. Deixa como filho o estruturalismo e um legado sem precedentes para a antropologia

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+ Vídeo sobre Lévi-Strauss


Abaixo Documentário do Arquivo N, da Globo News, especial sobre a vida e obra do antropólogo



+ Textos sobre Lévi-Strauss

Morte - Cobertura completa da Folha
Especial do Estadão sobre o centenário
Entrevista ao caderno Mais! da Folha (1993)
Daniel Piza - Uma lágrima para Lévi-Strauss


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quarta-feira, outubro 28, 2009

Será o fim do jornal impresso (parte 4)


Está na coluna do Caio Blinder de hoje, 28/10/09:

Qual jornal vai publicar o obituário do setor?

As notícias foram catastróficas, mas previsíveis. Saíram esta semana os números de circulação dos 25 maiores jornais diários americanos no primeiro semestre do ano. O atestado de óbito continua sendo escrito lentamente. Apenas o "Wall Street Journal" teve um ligeiro ganho no período. Os outros 24 sangraram. A hemorragia de alguns diários é assombrosa: 26% no "San Francisco Chronicle" e 22% no "Dallas Morning News".

Na piada infame, pergunta-se: qual jornal terá saúde para publicar o obituário desta indústria venerável? Infâmia à parte, uma avaliação generalizada é que jornalões nacionais e globais como o "Wall Street Journal" e o "New York Times" irão sobreviver pelo menos como marcas (online e talvez no papel) . A sobrevida será possível graças ao prestígio da própria marca ou injeção de filantropia, fundações e bilionários generosos (e autopromocionais).

O futuro parece bem mais sombrio para jornais locais e regionais no formato tradicional. Não aguentarão o tranco de custos de distribuição, impressão, perda de publicidade e competição de sites que suprem a necessidade de informações e serviços ali na esquina, enquanto as marcas globais cuidam do Sistão Baluchistão. Marcas estabelecidas que suaram para consolidar relevância e prestígio no papel como "The Wall Street Journal", "Financial Times" e "The Economist" estão combinando os investimentos mais tradicionais com valor agregado online. Ë dificil imaginar que jornais locais possam apostar em um modelo de negócios que cobre por contéudo online, como as marcas consagradas.

De resto, é uma inglória busca de sobrevivência. Jornais diários americanos, como no resto do mundo, estão há anos tentando desacelerar o processo de desaparecimento com desesperados cortes de custos, mas há um limite de viabilidade para enxugar na cozinha e entregar um produto com nutrição informativa.

Para arrematar, não resisto a um lamento de soldado da imprensa que teve batismo de fogo com máquina de escrever e se emocionava com o barulho do aparelho de telex. Existe este brutal corte de custos que verga a qualidade dos jornais diários, mas suas reportagens ainda são espinha dorsal de bom jornalismo.

Nesta mesma semana de nova rodada de más notícias sobre circulação, o "New York Times" investiu em extensas e dramáticas reportagens sobre adolescentes que fogem de casa nos EUA, o "Los Angeles Times" foi à outra costa do país cobrir a campanha eleitoral no distrito 23 em Nova York (de repercussões nacionais) e o "Wall Street Journal" despachou um repórter para Botsuana, na África, em uma história sobre indústria de diamantes. Os velhos jornais ainda têm estas pedras preciosas.

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Será o fim do jornalismo impresso - parte 1
Será o fim do jornalismo impresso - parte 2
Será o fim do jornalismo impresso - parte 3

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sábado, outubro 24, 2009

#videodasemana: Miles Davis - Générique (1958)

A combinação é infalível: Miles Davis, Jeanne Moreau e a noite parisiense. O encontro foi em Ascenseur pour L'èchafaud, do francês Louis Malle, em 1958. Ainda escreverei alguns detalhes da gravação da trilha sonora feita pelo trompetista. Inclusive sobre o mito do naco de pele soltando da boca de Miles que, segundo jazzofilos, teria influenciado na sonoridade do disco.

Ah! e a película, da época que a Nouvelle Vague estava começando a engatinhar, é maravilhosa. Suspense, beleza estética e música para os ouvidos dos amantes do cinema.





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sexta-feira, outubro 16, 2009

A história (e as histórias) do Sinatra-Farney Fan Club

Celinha me escreveu ensandecida reclamando a maternidade do Sinatra-Farney Fan Club à sua avó, Didi Reis. Em texto publicado nesta Moviola, em abril, atribuí erroneamente a criação do clube aos compositores Carlos Lyra e Roberto Menescal. Puro descuido de apuração e falha de memória.

Celinha, que não deixou e-mail, lenço nem documento, me indicou a leitura de Chega de Saudade, de Ruy Castro, para me interar melhor do assunto. O li há uns quatro anos. Mas como sou aplicado resolvi ler trechos novamente.

O Farney-Sinatra Fan Club, sediado na Tijuca, no Rio, fora criado para homenagear os cantores Dick Farney e Frank Sinatra. Segundo Castro, foi o primeiro fã-clube brasileiro. Iniciou suas atividades no porão da casa da avó de Celinha, mãe de Didi, e teve apenas 17 meses de vida – de fevereiro de 1949 à julho de 1950. E eis a ratificação: fora criado pelas meninas Joca, Teresa e Didi Reis.

Carlos Lyra era sócio, me alertou Celinha. Assim como João Donato, Johny Alf e tantos outros que já respiravam ares de Bossa Nova dez anos antes da gravação do Chega de Saudade, por João Gilberto.

Celinha me confidenciou na mensagem que está escrevendo um livro sobre a história do fã-clube. Fico no aguardo. Sempre bom existir registros para evitar que blogueiros cometam injustiça.

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+ Música Brasileira neste blog:

As façanhas de Farnésio
Afinal, o que é MPB?
Dizzy com Mocotó
Woodstock à mineira


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domingo, outubro 11, 2009

Follow me quem puder!

Após meses relutando, aproveitei uma enfadonha tarde de sábado de feriadão e me rendi ao Twitter. É, realmente, viciante. Para acompanhar as atualizações, sigam-me @renan_damasceno. As atualizações aqui continuarão a todo vapor – apesar deste não ser a fonte de energia mais recomendável em tempos de sustentabilidade.

Follow me, movioleiros!

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sábado, outubro 10, 2009

Tarja preta

O governo Kirchner aprovou ontem, após 14 horas de debate no Senado argentino, o texto-base para a nova lei de imprensa do país. A intenção, como ficou claro na invasão ao Clarín, mês passado, é enfraquecer os conglomerados de mídia - que são opositores ao governo de Cristina.

A nova lei de imprensa - que substituirá a atual, criada na ditadura (1976-1983) - pretende democratizar a produção de conteúdo no país. Até aí, tudo bem. Mas prevê também que nenhuma empresa privada poderá ter um canal aberto e outro fechado simultaneamente, restrição inédita no mundo, e que o sinal dos canais privados não poderão ultrapassar 30% do território. Apenas as tevês estatais chegarão a todos os lares argentinos. (Detalhes, aqui)

Governo e imprensa nunca se bicaram na América do Sul, seja em regimes democráticos, ditatoriais ou, mais recentemente, bolivarianos. Chávez não concedeu a renovação da concessão à RCTV, em 2006, e o único canal não-chavista da Venezuela, o Globovisión, é alvo de constantes intimidações. (Vale a pena assistir ao documentário A revolução não será televisionada, disponível aqui).

No mesmo caminho de repressão à imprensa seguem Rafael Corrêa (Equador) e Evo Morales (Bolívia). Corrêa, por exemplo, vive enchendo os canais El Universo e Teleamazonas de processos. Segundo ele, as duas redes são conspiradoras e golpistas. Aliás, um dos planos da criação da Unasul é fiscalizar os "abusos da imprensa", ideia compartilhada por Corrêa e Chávez.

Por mais que o Brasil se mantenha distante deste quarteto anti-imprensa, o Estadão está há 71 sob censura, proibido por uma liminar de noticiar o andamento dos processos na Polícia Federal contra a família Sarney - este, paradoxalmente, o maior opositor da entrada da Venezuela no Mercosul. A proibição veio do desembargador Dácio Vieira, amigo próximo do clã maranhense.

Aqui, a repressão trocou a farda pela toga.

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+ Imprensa e América Latina neste blog:

Honduras - Cobertura da Imprensa na crise
Cuba - À sombra de Fidel
México - Cabezas Cortadas
Chile/Brasil - Podres Poderes


imprensa argentina principais jornais argentina ditadura jornais argentina cristina kichner clarin ditadura hugo chavez ditadura cocaina estados unidos baixar pronunciamento chaves dircurso chavez chavez fidel castro bolivarianos ditadura da imprensa na america latina jornais fechados por chavez rctv ditadura globovision baixar lula chavez cristina entender crise imprensa na argentina jornais na ditadura argentina ditadores argentinos

sexta-feira, outubro 09, 2009

#videodasemana: Milton Nascimento - Nada será como antes

Milton Nascimento cantando "Nada será como antes", em Nova York, acompanhado por Herbie Hancock, ao piano, Ron Carter, ao baixo, pelo percussionista brasileiro Naná Vasconcelos, entre outros :



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domingo, outubro 04, 2009

Hot... very, very hot!!!


Conheci Squirrel Nut Zippers há quatro anos e desde então não parei de ouví-los. Bela dica do @Magruzmolotov. É uma banda de swing contemporâneo - uma espécie de revival das big bands da década de 1930, com uma pitada de irreverência -, formada em 1993, na Carolina do Norte, sob a liderança do multi-instrumentista "Jimbo" Mathus, com o cast fortalecido pela bela voz de Katherine Whalen.

Após hiato de sete anos, o SNZ voltou em 2007 e lança mundialmente neste mês o Lost at Sea, álbum gravado ao vivo em dezembro do ano passado, em Nova York. No repertório, clássicos dos primeiros álbuns do grupo, do Hot (1995, meu favorito) ao Perennial Favorites (1998).

Para quem quiser conhecer um pouco mais do estilo, vale dar uma bisbilhotada também nos grupos Big Bad Voodoo Daddy e nos trabalhos solos de Katherine. Todos carregam um tom cômico e irônico em suas músicas e clipes.

Abaixo dois vídeos do Squirrel, "Hell" e "Put a Lid on It", as duas principais faixas do segundo disco da banda, Hot.




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sexta-feira, outubro 02, 2009

Rio-2016: Será que nós podemos? (Parte.1)


Sem querer colocar água no chopp dos cariocas. Deixo claro.

Faltam menos de sete anos para a Olimpíada Rio-2016. Serão duas eleições presidenciais até lá. Se o cenário para 2010 já é nebuloso (dificilmente Lula, o garoto propaganda dos jogos, conseguirá emplacar sucessor), é inimaginável como será o pleito seguinte, que escolhe quem estará no cargo durante os jogos.

Nesse período também acontecerão dois eventos esportivos internacionais em terras tupiniquins: a Copa das Confederações, em 2013, uma espécie de preview da Copa do Mundo, que será no ano seguinte. Até agora, quase nenhum projeto saiu do papel e alguns, antes mesmo de começar, já estão sendo criticados – o caso do Morumbi.

O Brasil planeja gastar cerca de R$ 11 bilhões para a Copa. É impossível precisar quanto uma olimpíada custaria a mais.


Desvio de Verbas e Superfaturamento de obras


Pesa a favor do Rio a experiência vitoriosa do Pan-2007. Entretanto, pesou no bolso do contribuinte o gasto 443,5% aci
ma do planejamento inicial. O evento estava orçado, nos três níveis de governo, em R$ 523,84 milhões, mas custou R$ 2,847 bilhões. À exceção do Engenhão, arrendado pelo Botafogo, pouco da estrutura criada para os jogos ainda é utilizada.

A falta de instrumentos de controle rígido nos gastos poderá ser o principal vilão dessa história. Um rio de dinheiro poderá ser desviado, atrasando as obras e penalizando a população e os cofres das União.

Parece ironia, mas não é: as obras de 2014 são fiscalizadas por uma subcomissão na Câmara formada em sua maioria por deputados investigados em operações de enriquecimento ilícito e desvio de verbas – entre eles, dois mineiros investigados na Operação João de Barro (Carlos Willian, PTC, e Ademir Camilo, PDT), um na Sanguessuga (Reinaldo Moreira, PP) e outro acusado nas duas (João Magalhães, PMDB).


No calor dos fatos, como de praxe do atual governo, não se mensura o impacto de um evento dessa amplitude. Sim, gira a economia, gera empregos temporários, alavanca o turismo, o país ganha em notoriedade e importância. Mas isso custa..e, na maioria das vezes, muito caro.
(Renan Damasceno)

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+ Sobre políticas do esporte neste blog:
Copa 2014 entrou em campo com o pé esquerdo
Chicago: Obama quer a bola
Futebol e segurança pública
Grupos de investimento atacam o futebol

quinta-feira, outubro 01, 2009

Santiago, o memorioso


Assisti, com mais de dois anos de atraso, ao documentário Santiago, de João Moreira Salles, que esteve na programação do Canal Brasil semana passada, no É Tudo Verdade. O filme sobre o excêntrico mordomo da família Moreira Salles me fez lembrar, do começo ao fim, do conto Funes, o memorioso, que compõe o livro Ficciones, do argentino Jorge Luís Borges.

O reli depois de anos. Funes, por um acidente, é dotado de uma memória prodigiosa, capaz de decorar tomos de Plínio, mapas do tamanho físico de uma cidade e recordar das 24 horas de um dia. Por isso, fica relegado ao quarto dos fundos de uma velha fazenda, no escuro.

Santiago, decendente de italianos radicado no Brasil, também é dotado de memória invejável. Datilografou resmas de papel com notas sobre atores do cinema e teatro, cantores, músicas e gente da sociedade carioca. Tentou deixar de herança ao mundo um pouco de tudo aquilo que guardou mais de meio século na lembrança. Assim como Funes, Santiago vivia só, em um pequeno quarto dos fundos da mansão dos Moreira Salles, em...... Bem, não tenho a memória deles...

Digno de nota também a auto-crítica de João Moreira ao final do documentário: "Por mais que tentasse tirar expressões naturais de Santiago, ficava claro que ele era o Mordomo e eu, o filho dos donos da casa". E se memória é o eixo do documentário, João pode, ao retomar o material filmado em 1992, reconstruir um pouco de sua história e de seus irmãos.

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+ Sobre documentários neste blog:

Documentário Brasileiro do Século XXI
Edifício Master – a solidão no meio da metrópole
Waldick – Durango Kid à brasileira
Leon Hirzsman – Deixa que eu falo
Estamira – O olhar que tudo pode ver e tudo pode revelar
Glauber Rocha - Maranhão 66/Senado 09
Heavy Metal - Ruído das Minas

+ Sobre Borges neste blog

Borges vai ao cinema
Borges - James Joyce


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quarta-feira, setembro 30, 2009

Cobertura em Honduras não vai além do muro da Embaixada


A crítica começou segunda-feira numa rodada de cerveja com três ex-professores e tomou corpo ontem, quando comecei a ler a coleção da Unesp sobre as revoluções guatemalteca e nicaraguense: a imprensa não tem ido além dos muros da Embaixada brasileira em Honduras e a cobertura do golpe contra Manuel Zelaya - o primeiro deflagrado em tempos de crise financeira -, é limitada à capital do país, Tegucigalpa.

Com a economia ainda abalada - o que acentuou a crise no jornalismo impresso -, poucos jornais têm financiado repórteres no exterior. O resultado é uma cobertura uníssona, baseada nas agências de notícias e nas informações do Itamaraty. Nos últimos dias, pouco foi visto sobre a tensão política fora da Embaixada do Brasil, que abriga o presidente deposto e seu inseparável chapéu branco.


Nem o mais otimista publicitário do Governo poderia imaginar que a imagem de um simples quadro com uma arara azul e um "Brasil" bem grande escrito de amarelo, debaixo da frase "Se viajar é sua paixão, o Brasil é seu destino" poderia correr o mundo, como foi nos últimos dias com as intermináveis imagens dos pró-zelayas acampados na embaixada.

Nada além de Tegucigalpa

Em artigos reunidos em seu livro Conexão Manhattan, Lucas Mendes, que cobriu América Central quando repórter da sucursal NY da Rede Globo, contou as situações desumanas as quais se submetia para contar como os golpes, contragolpes e revoluções afetavam a vida da população, dentro e fora das capitais.

Para tanto, Lucas, para mim um dos mais brilhantes textos da televisão brasileira, quase viu sua cobertura da queda de Somoza fugir de controle em Jalapa, cidade ao extremo norte da Nicarágua, quando o carro de reportagem furou o pneu e a equipe teve que dormir numa pensão rodeada de sandinistas.

Honduras tem população estimada de quase 8 milhões, nos quais quase 1,5 milhões vivem na capital Tegucigalpa, centro dos conflitos. O país é dividido em 18 departamentos, que se desdobram em 298 municípios. Hoje e, pelo jeito, até o desfecho do empasse político na país centro-americano, pouco se sabe o quanto o golpe tem afetado a vida da população camponesa e de cidades afastadas da capital que não estão diretamente ligados às manifestações.

Enquanto isso, Zelaya descansa no sofá da embaixada para o deleite dos fotógrafos das agências.

segunda-feira, setembro 28, 2009

Lançamento: Não foi por acaso

O jornalista Marcelo Freitas – prêmio Esso de Jornalismo, em 2001, no caso dos supersalários dos deputados estaduais mineiros – lança nesta segunda-feira (28) o livro "Não foi por acaso", sobre o massacre dos trabalhadores que construíram a Usiminas, em Ipatinga. Mesmo antes de lê-lo, admiro o esforço do autor em não deixar cair no ostracismo uma das páginas negras da ação da ditadura militar em nosso estado.

Poucas páginas já foram escritas sobre o assunto, tratado até hoje com receio pela população do Vale do Aço. O pouco que sei, foi tirado de conversas com o atual presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Ipatinga, Luiz Carlos Miranda, que dirige há seis mandatos um dos sindicatos mais importantes da América Latina. Luiz fez parte desta história.

Marcelo Freitas, embora nunca tenha me dado aula, foi um dos guias da minha formação. Tive a honra de convidá-lo à minha banca de monografia, na qual em troca recebi grandes contribuições. O lançamento é hoje, às 21h, na Casa de Cultura da Faculdade Estácio de Sá.

domingo, setembro 27, 2009

Coffee, Jazz and Ron Carter (parte.2)

Há pouco tempo, publiquei aqui o comercial estrelado pelo baixista Ron Carter para a cafeteria Tully`s japonesa. Fuçando mais um pouco no Youtube, descobri este outro vídeo do baixista, desta vez gravado para o uísque japonês Suntory:



Não encontrei muitas informações sobre a bebida em sites brasileiros - até para matar minha curiosidade do por quê ela é servida quente na propaganda. Segundo esta página britânica, o uísque japonês sempre foi apreciado por bebedores mais sofisticados, mas só ganhou rnotoriedade internacional após investir no uísque à base de malte.

A Suntory é a principal investidora neste tipo de produção, hoje com o status de mais importante nome de uísque oriental, com grande variedade de produtos - de 10 a 18 anos. O preço , de um 10 anos, gira em torno de 35 euros. Além de Ron, encontrei este outro vídeo, com o pianista Herbie Hancock, parceiro do baixista no quinteto de Miles Davis na década de 1960.



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sexta-feira, setembro 25, 2009

Festival I Love Jazz


Vai de hoje a domingo (27/09/09) a edição mineira do I Love Jazz – terceiro festival do gênero que chega a Belo Horizonte em um mês e segundo que traz na programação homenagem ao mestre do swing (o estilo, não a troca de casais), Benny Goodman, que completaria 100 anos em 2009, não fosse a morte o ter levado aos 77.

No cast da Benny Goodman Centenial Band, formada apenas para homenagear o centenário do bandleader – mas que já tem agenda pelo menos até o aniversário de 102 anos –, estão o trompetista Warren Vaché e o baixista Phil Flanigan, que tocaram com o clarinetista.


Além da big band, também passam pelo palco da Praça do Papa a cantora am
ericana Catherine Russell (filha do pianista panamenho Luis Russell, arranjador de Louis Armstrong), que traz no repertório o jazz da década de 1920 e 1930, e a irreverente Pink Turtle, que fecha a noite de sexta. Encerando o evento, domingo, a The New Orleans Joymaker.

Para saber mais sobre o festival, clique aqui. Já para conhecer um pouco mais sobre Benny Goodman, confira este artigo publica no Moviola mês passado.

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Leia +

100 anos de Benny Goodman
Ron Carter no Tudo é Jazz 2009
Russo Jazz Band no Tudo é Jazz 2009
Gunhild Carling no Jazz Festival Brasil
Quarteirões de Jazz - Belo Horizonte

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quarta-feira, setembro 23, 2009

Coffee, Jazz e Ron Carter

Tive o prazer de assistir duas apresentações do baixista Ron Carter no Brasil. Ambas no Festival Tudo é Jazz de Ouro Preto - em 2008, acompanhando Milton Nascimento, com quem gravou o disco Angelus (1993), e neste ano ao lado de Madeleine Peyroux, em show homenageando Billie Holiday.

Carter, uma figura de 1,90 tão elegante quanto um contra-baixo, já transou em todas, de Miles Davis a Chet Baker a outras centenas de álbuns de estúdio. É das últimas almas vivas dos tempos áureos do jazz, que ainda peregrina pelo mundo, a exemplo dos ex-parceiros de quinteto Herbie Hancock e Wayne Shorter e do saxofonista Sonny Rollins.

Assistindo apresentações de Carter no Youtube dei de cara com um delicioso comercial do baixista gravado para a filial da cafeteria Tully`s no Japão. São apenas 15 segundos, capazes de te deixar com água na boca por um bom espresso.

Ao contrário de Carter, a Tully`s não chegou ao Brasil. Sem trilhar o mesmo caminho de outra americana de Seattle, a Starbucks, que já está em várias esquinas de São Paulo e Rio, a cafeteria não tem planos para o mercado brasileiro (neste blog, a Tully`s já foi citada em coluna de Lucas Mendes, sobre a vontade de Obama sediar um grande evento esportivo na terra do grunge).




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terça-feira, setembro 22, 2009

Uma antiga e sempre boa novidade


A Russo Jazz Band não é a principal atração das edições do Festival Tudo é Jazz, mas é a garantia de satisfação do público, que lota Ouro Preto todos os anos. Com o repertório recheado de standards, o sexteto percorre as ruas centenárias da cidade com musicalidade, criatividade e muito bom humor.

O estilo do grupo paulistano - que já tem green card mineiro pelo número de exibições -, faz lembrar as antigas formações dos primórdios do jazz, de fim da década de 1910 e meados do decênio seguinte, com levadas de Dixieland e New Orleans.

Abaixo, dois vídeos que registrei da Russo Jazz Band no último fim de semana, na edição 8 do Festival Tudo é Jazz. Nos próximos posts, comentarei mais alguma coisa do festival, que teve Tributo a Lady Day (com Mart`nália arrepiando cinco mil pessoas no largo do Rosário) e a incrível apresentação dos franceses do Lafé Béme. Para baixar as músicas do grupo, basta clicar aqui.



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domingo, setembro 20, 2009

Vida de cozinheiro (parte.1)


Está no Comunique-se de 18/09/09:

Com fim do diploma, curso promete

formar jornalista em 45 horas

“Diploma não é necessário. Para trabalhar como Jornalista, faça um curso rápido”. É dessa maneira que a empresa Cursos 24 Horas anuncia treinamento para pessoas interessadas em trabalhar com jornalismo na Internet. Com custo de R$ 40 e duração de 45 horas, o curso promete formar “um Cyber Repórter de sucesso”.

“A queda da obrigatoriedade do diploma continua incentivando o surgimento de maus profissionais. Depois dos concursos sem exigência do diploma, agora há um site na internet oferecendo um curso completo de jornalismo online em apenas 45 horas, ou seja, menos de dois dias corridos. Um verdadeiro curso caça-níqueis”, manifestou o Sindicato dos Jornalistas do Ceará em seu site.

O supervisor de atendimento da empresa, Luiz Henrique Campos, defende o curso, afirmando que os alunos formados “têm todas as condições para trabalhar com jornalismo online”.

Campos explica que a duração de 45 horas é apenas uma estimativa, que varia de acordo com o interesse do aluno. Diz ainda que existe um professor disponível para tirar todas as dúvidas e ressalta a facilidade do curso totalmente online, que pode ser feito em qualquer horário, de qualquer lugar.

Sobre a qualidade, afirma que o curso existe desde 2003 e existem ex-alunos trabalhando na área. "Principalmente agora que não precisa mais do diploma”.

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Saiba +

+ STF decide pela não obrigatoriedade do diploma de jornalista
+ Gilmar Mendes, presidente do STF, compara jornalista a cozinheiro
+ Campanha "Jornalista por Formação", da FENAJ



segunda-feira, setembro 14, 2009

Maranhão 1966 - Senado 2009


Em um de seus discursos de defesa das inúmeras acusações em que foi alvo, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB/AP), se gabou de sua límpida, imaculada e inócua trajetória política, sem resquícios de desmandos e nepotismo. Nada convincente. Digno, não só de um cartão vermelho, mas de uma suspensão definitiva, o presidente vive coberto até o pescoço de denúncias e só resiste no cargo por causa do fisiologismo peemedebista – e da tropa de choque que lhe beija a mão, entre eles o mineiro Wellington Salgado.

Se, de duas décadas pra cá, Sarney virou sinônimo de má administração pública, coronelismo, diretrizes econômicas desastrosas, cargos fantasmas e atos secretos, antes disso o ex-presidente já gozava da má fama de péssimo coordenador de políticas públicas. Em 1966, ano da posse de Sarney no Governo do Maranhão, o diretor Glauber Rocha registrou o abandono da população, que sofria com a miséria e doenças tropicais.

O documentário, que até pouco tempo era raridade visitada por poucos interessados (só consegui vê-lo em 2007, em mostra no Palácio das Artes), agora está aos olhos de todos, no Youtube. Observa-se, desde então, a destoância entre o discurso e as práticas do homem que comanda nosso Senado.

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domingo, setembro 13, 2009

Ruy Castro: O Leitor Apaixonado


Está no Digestivo Cultural desta semana:



Embora tenha se consagrado através de suas biografias, e de seus textos sobre música popular e cinema, Ruy Castro, em seu novo livro, revela uma ligação profunda com a literatura. O Leitor Apaixonado, na sequência de Um filme é para sempre (2006, cinema) e Tempestade de Ritmos (2007, música), é uma compilação também de Heloisa Seixas, pela Companhia das Letras, reunindo matérias de Ruy sobre livros, escritores e o universo literário.


Desde os primeiros contatos na infância, com uma edição de Alice no País das Maravilhas, traduzida por Monteiro Lobato, até o début do jornalista Ruy Castro, cobrindo a posse de Guimarães Rosa na Academia Brasileira de Letras, em 1967 (com foto). Ruy aproveita e revisita temas aos quais está, historicamente, associado: Nélson Rodrigues, com quem conviveu (além de ter biografado); Paulo Francis, de quem foi amigo (e que mudou sua vida, com uma promoção); e o Correio da Manhã, que era lido por seu pai e seu avô (e que, em sua redação, abrigou a fina flor da literatura brasileira).

O jornalismo ainda se faz presente graças outras publicações, como New Yorker e Esquire; assim como a influência dos EUA na cultura do século XX, através de autores como Gertrude Stein e de grupos como o do Algonquin. O apego à cultura do Rio de Janeiro igualmente se reflete em O Leitor Apaixonado, mas a surpresa fica por conta de artigos de Ruy dedicados Oswald e Mário de Andrade. Outra surpresa é um texto sobre Paulo Coelho – o best-seller inevitável.

Já do século XIX, Ruy Castro puxa Oscar Wilde, escritor celebridade pré-1900, e da relembrada crise de 1929, resgata Nathanael West, outra consagração literária póstuma. Na capa, para completar, uma foto da biblioteca de Ruy, sugerindo um lugar onde passou longas horas entre livros e escritores (daí o subtítulo “Prazeres à luz do abajur”). Enfim, por mais que Ruy Castro tenha sido comumente associado a outras artes, nunca restou dúvida de que seu estilo tinha uma origem inescapável: o amor à literatura.

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+ Ruy Castro neste blog:

Vídeo - Ruy Castro debate 50 anos da Ilustrada

Artigo - 50 Anos sem Billie Holliday
Artigo - Afinal, o que é MPB

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