terça-feira, maio 26, 2009

Futebol de segunda - As 12 cidades-sedes da Copa de 2014


Embora a escolha das 12 cidades-sedes para a Copa de 2014 seja apenas no próximo domingo (31/05), o jogo de interesse, o lobby e a troca de favores podem ter adiantado o resultado. Segundo matéria da Folha de S. Paulo publicada nesta segunda-feira, governadores, prefeitos, senadores e deputados atuaram nas últimas semanas para influenciar na escolha, e alguns já têm certeza que seu curral político será agraciado com partidas do mundial.

Caso de Vitória, no Espirito Santo, que, na ausência de um grande estádio, pode abrigar a Seleção Brasileira, que deve mandar seus jogos de primeira fase no vizinho, Rio de Janeiro. O estado é governado por Paulo Hautung, do PMDB, partido de melhor relacionamento com a CBF.

Outro pemedebista, Henrique Eduardo Alves, diz ter certeza que Natal também estará na lista e José
Rocha (PR-BA) afirma ter recebido um "sinal" para preparar uma grande festa no Barradão, em Salvador, domingo, antes da partida entre Vitória e Grêmio, pela quarta rodada do Nacional.

O Moviola fez um levantamento de informações que saíram na imprensa nas últimas semanas e divulga a provável lista das sedes da Copa de 2014:

Belo Horizonte –
Além de ter o estádio pronto (Mineirão, que será fechado em 2010 para reformas), o governador Aécio Neves
tem ótimo relacionamento com Ricardo Texeira. Recentemente, o prefeito Márcio Lacerda se reuniu com o cartola para reafirmar os interessees mineiros.

Brasília – Sede do governo, deve ser palco, além de jogos da primeira fase, de alguma partida decisiva. O Estádio Mané Garrincha passará por reformas. (Acredita-se que o valor da reforma gira em torno de R$ 400 milhões).

Cuiabá – Em reunião com engenheiros na capital mato-grossense, Ricardo Teixeira deixou vazar que a cidade seria a representante do Pantanal, vencendo Campo Grande. A cidade apresentou projeto para um novo estádio para 45.000 pessoas nos modelos das arenas alemãs de 2006.

Curitiba –
Possui o mais moderno estádio do país – A Arena Kyocera, do Atlético-PR. Além disso, Curitiba tem ótima estrutura
e qualidade de vida.

Fortaleza – Segundo a revista Placar, a capital estaria também garantida. Fortaleza foi a primeira cidade a apresentar o projeto para ser uma das sedes. O transporte e o saneamento são alguns dos problemas que a cidade terá de resolver em cinco anos.

Manaus – Mais desenvolvida cidade da região amazônica, Manaus será a representante do Norte. Assim como a CBF teve o cuidado para escolher uma cidade Pantaneira, não pode ficar de fora uma sede amazônica. No entanto, Belém pode abocanhar a vaga, por ter estrutura pronta (estádio do Mangueirão), e times de maior tradição (Paysandu e Remo).

Natal – o lobby pemedebista e a boa relação de Teixeira com o partido sinalizou a cidade com o a 'surpresa' na lista de cidades. Caso a capital potiguar seja incluída, o Nordeste terá quatro cidades-sedes.

Porto Alegre – Além de dois excelentes estádios – Olímpico, do Grêmio, e Beira Rio, do Internacional –, a cidade é marcada por tradições européias, o que facilitaria a adaptação de seleções do Velho Continente.

Recife –
pode dividir com Olinda a indicação – as duas cidades apresentaram candidatura conjunta, em outubro. O governo
pernambucano prometeu a construção de uma arena entre as duas cidades.

Rio de Janeiro – Principal palco, deve receber a final da Copa, no Maracanã, repetindo o ritual de 59 anos atrás, quando os canarinhos perderam para o Uruguai (2 a 1), na decisão da Copa de 1950.

São Paulo –
Centro financeiro do país, é a única cidade já 'pronta' para receber a Copa: rede hoteleira, transporte,
acessibilidade, além de bons estádios. Mesmo com a informação deAnselmo Góis, d'O Globo, que afirma que o projeto do Morumbi pode ser vetado, a capital paulista não deve ficar fora, mesmo não sendo a principal sede, como desejava.

Salvador –
A antecipação do jogo contra o Grêmio, domingo, no Barradão, não deixa dúvidas que a cidade sediará pelo menos um
grupo da fase classificatória.
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+ Do assunto no blog:
Copa de 2014 entrou com o pe esquerdo
Futebol e segurança pública
Como grupos de investimento atacam o futebol

As casas de Lula podem ter teto de vidro

terça-feira, maio 19, 2009

Borges vai ao cinema


Antes de dirigir os dois filmes que o colocaram na linha de frente da Nouvelle Vague – Hiroshima, meu amor, 1959, e Ano Passado em Marienbad, 1961 –, Alain Resnais se dedicou à documentação em curta-metragem. Os cinco principais, reunidos na Mostra dedicada à sua carreira, no Cine Humberto Mauro, já bastariam para coroá-lo como um dos mais inventivos e contestadores estéticos do cinema, afirmação endossada por André Bazin, que cita Gérnica (1950) em sua obra “Pintura e cinema”.

Nos três primeiros anos da década de 1950, Resnais se dedicou à bela obra anti-racista e anti-colonialista “As estátuas também morrem” (1953), sobre as artes negras e, dois anos mais tarde, atinge a maturidade em Noite e Nevoeiro (1955), que caminha pelos campos de concentração nazistas. Os travellings do diretor nos faz passear pelos pavilhões abandonados, sob o céu rosa de outono, mescladas às cenas de arquivo monstruosas, do regime hitleriano, para Ahmadinejad nenhum duvidar.

Na década anterior, na Argentina, Jorge Luis Borges, passava seus dias entre a Biblioteca Nacional, na qual seria bibliotecário nos anos seguintes, e as famosas leiterias, tradicionais na Buenos Aires da primeira metade do século – a única que Borges recorda, uma vez que perdeu a visão prograssivamente, deficiência que o obrigou a dedicar-se unicamente aos poemas.


Apreciando as infinitas estantes, com inúmeras prateleiras e incontáveis obras de Stevenson, Quevedo, Ibsen e várias edições de Dom Quixote e As Mil e uma Noites – alguns de seus autores e obras preferidos –, Borges imaginou a Biblioteca de Babel (Ficciones, Mar del Plate, 1941), um universo com galerias em formato hexagonal, talvez sem fim. “A Biblioteca é uma esfera, cujo centro cabal é qualquer hexagono, cujo a circunferência é inacessível”.


Em minha curta experiência cinematográfica – ainda menor literária –, sempre imaginei como a grandiosidade e a imaginação criativa e visionária de Borges poderia ser traduzida para o cinema. Seria mais cabível em uma ficção, mas fui encontrá-lo, na primeira poltrona do cinema, no documentário Toda a memória do mundo, dirigido por Resnais, 1956, sobre a rotina de classificação e preservação dos livros na Biblioteca Nacional de Paris. E nada mais borgeano, que o prefácio preparado para a exibição: “De corredor em corredor, de livro em livro, desdobra-se o labirinto”.

Como na obra Borges, as artes também se bifurcam.

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quinta-feira, maio 14, 2009

Ciclo Alain Resnais - Programação


CLIQUE AQUI PARA VER A PROGRAMAÇÃO COMPLETA DA MOSTRA
CLIQUE AQUI PARA CONFERIR AS SINOPSES COMPLETAS DA MOSTRA

sexta-feira, maio 08, 2009

Assessoria...

O artigo "100 dias em 10 capas", uma leitura dos primeiros 100 dias do governo Obama a partir de 10 capas de três revistas americanas, publicado mês passado no Moviola, está na capa do respeitado site Observatório da Imprensa desta semana. Para conferir, clique aqui. O artigo também foi publicado no site do jornalista Leo Quintino, neste link aqui. E no Jornal dos Lagos, de Alfenas, bem aqui.

quinta-feira, maio 07, 2009

Afinal, o que é MPB?


Está na coluna de Ruy Castro, na Folha de São Paulo de 27/04/2009:

MPB não é apenas uma abreviatura de “Música Popular Brasileira”. Antes cêsse, mas não ésse. Quando foi criada, por volta de 1965 ou 1966, significava um tipo de música então emergente, que não se sabia bem o que era – mas já não era bossa nova, não queria mais ser o samba e, muito menos, iê-iê-iê.

Seu primeiro produto, ainda sem o rótulo, pode ter sido ‘Arrastão’, de Edu Lobo e Vinicius de Moraes. Logo vieram ‘Lunik 9’, de Gilberto Gil, ‘Upa, neguinho’, de Edu e Guarnieri, ‘Roda Viva’, de Chico Buarque, e outras que, com um certo ‘conteúdo’ em comum, também não se encaixavam em nenhum gênero familiar. Donde só podiam ser ‘MPB’.

Quando a ‘MPB’ minguou, dois ou três anos depois, a sigla sobreviveu e começou a ser aplicada – até hoje – a toda música produzida no Brasil, do padre José Mauricio ao padre Marcelo e de Chiquinha Gonzaga ao É o Tchan. Com isso, deseducaram-se várias gerações quanto à memória da nossa diversidade rítmica, até então classificada por sambas (em suas mil variações), marchas, choros, baiões, frevos, valsas, foxes, baladas, cocos etc. Virou tudo ‘MPB’.

Mas não para sempre, espero. Se o exemplo do MIS vingar, vamos passar a chamar ‘Garota de Ipanema’ de samba, ‘Alegria, Alegria’, de marchinha, ‘Domingo no Parque’, de baião, ‘Travessia’, de toada, ‘Caminhando’, de guarânia, ‘Mania de Você’, de rumba, ‘Beatriz’, de valsa, ou ‘Como uma Onda’, de bolero. Que, muito mais que ‘MPB’, é o que eles são.

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+ Música brasileira neste blog:
As façanhas de Farnésio
Se Deus tivesse uma voz...


terça-feira, maio 05, 2009

Documentário brasileiro do Século XXI


O Cine Humberto Mauro, do Palácio das Artes (BH), apresenta, entre 4 e 12 de maio, a mostra Documentários de Busca. Foram escolhidos quatro documentários que marcaram o amadurecimento no Brasil, no início do século XXI, de uma forte tendência do documentarismo mundial, onde o universo pessoal do realizador assume papel de destaque.

Os filmes: Um Passaporte Húngaro, de Sandra Kogut, registra os processos burocráticos para conquista de um passaporte da mesma nacionalidade de seus avós. Em 33, nos tornamos detetives junto ao realizador Kiko Goiffman, na busca de encontrar sua mãe biológica, que dura exatos trinta e três dias. Já em Edifício Master e O Prisioneiro da Grade de Ferro, o olhar se desloca, a motivação da busca está no outro. Enquanto no primeiro os moradores da famosa residência carioca estão em foco, o segundo revela uma rotina incessante, conformando uma imagem múltipla do presídio, construída pelos próprios detentos.

Está no Estado de Minas de ontem, 04/05/2009:


A TRADIÇÃO CINEMATOGRÁFICA apresenta documentário e ficção como compartimentos estanques – o primeiro comprometido com o registro do real, a última voltada para a criação de uma nova realidade ou, no máximo, a reconstituição de uma realidade que deixou de existir. Os pesquisadores de cinema, contudo, afirmam que a distinção entre as duas categorias é mais nebulosa do que gostaríamos: todo documentário conteria algum elemento ficcional (mesmo que apenas o fato de que não registra seu objeto, mas o objeto que seu diretor pretende contar ou narrar), enquanto qualquer obra de ficção conteria, em si, algum registro documental (mesmo que apenas o fato de que certas pessoas, em certos momentos, executaram certas ações que resultaram objetivamente naquele filme). A mostra Documentários de busca, que será apresentada no Cine Humberto Mauro (Palácio das Artes) até dia 12, reúne quatro filmes brasileiros que se destacam por testar aquela fronteira.

Duas obras começam a ser exibidas a partir desta segunda-feira: Um passaporte húngaro, de Sandra Kogut (17h30), e 33, de Kiko Goifman (21h). Amanhã, entram em cartaz, também, Edifício Master, de Eduardo Coutinho, e O prisioneiro da grade de ferro, de Paulo Sacramento. Os quatro filmes se alternam na programação ao longo de toda a mostra, o que permite aos espectadores confrontá-los e tentar descobrir por que o Brasil tem sido tão pródigo na produção de obras que levantam aquele questionamento. Parte da explicação está, possivelmente, na exuberância atual do conjunto da produção documentária brasileira, que se destaca não apenas pela diversidade dos objetos que investiga, mas também pela experimentação de novas formas de investigação.

Dos quatro filmes, 33 é o mais radical. O diretor detesta quando alguém menciona o fato de que seu documentário tem afinidade conceitual com reality shows como Big brother Brasil, por registrar uma realidade que foi produzida especialmente para ser documentada. Mas a percepção de tal afinidade é verdadeira, e a qualidade de 33 vem exatamente do fato de que ele concentra, expõe e radicaliza aquilo que os reality shows diluem, disfarçam e suavizam.

Kiko Goifman, adotado na primeira infância, parte em busca de sua mãe biológica, e 33 é o registro dessa busca (o título do filme remete ao número de dias que ele se concedeu para cumprir a tarefa ou desistir dela). Se essa busca é fato do mundo “real” (e, portanto, objeto passível de ser registrado documentalmente), constitui, também, algo próximo da ficção, no sentido de que foi produzido exatamente para que o filme pudesse ser realizado. (Marcelo Castilho Avellar)

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+ Sobre documentários neste blog:
Edifício Master – a solidão no meio da metrópole
Waldick – Durango Kid à brasileira
Leon Hirzsman – Deixa que eu falo
Estamira – O olhar que tudo pode ver e tudo pode revelar

+ da Mostra
Baixe a programação em .pdf

sábado, maio 02, 2009

Propaganda – Ads of the world


Passei quase três horas especulando as propagandas do Ads of the world – o tempo poderia ter sido menor não fosse a demora para carregar o site. A página, que me foi apresentada pela minha namorada, Mari, é um convite aos estudantes de Publicidade (que não é o meu caso e, sim, o dela!) e aos interessados por boas iéias.

No meio de tantas imagens – algumas com boas pitadas de plágio – é possível achar propagandas legais, como a série "Second One", do Terra News, que ilustra o post. Apesar da enxurrada de imagens tratadas no photoshop com frases de efeito no cabeçalho, vale a pena garimpar o site.