quarta-feira, outubro 28, 2009

Será o fim do jornal impresso (parte 4)


Está na coluna do Caio Blinder de hoje, 28/10/09:

Qual jornal vai publicar o obituário do setor?

As notícias foram catastróficas, mas previsíveis. Saíram esta semana os números de circulação dos 25 maiores jornais diários americanos no primeiro semestre do ano. O atestado de óbito continua sendo escrito lentamente. Apenas o "Wall Street Journal" teve um ligeiro ganho no período. Os outros 24 sangraram. A hemorragia de alguns diários é assombrosa: 26% no "San Francisco Chronicle" e 22% no "Dallas Morning News".

Na piada infame, pergunta-se: qual jornal terá saúde para publicar o obituário desta indústria venerável? Infâmia à parte, uma avaliação generalizada é que jornalões nacionais e globais como o "Wall Street Journal" e o "New York Times" irão sobreviver pelo menos como marcas (online e talvez no papel) . A sobrevida será possível graças ao prestígio da própria marca ou injeção de filantropia, fundações e bilionários generosos (e autopromocionais).

O futuro parece bem mais sombrio para jornais locais e regionais no formato tradicional. Não aguentarão o tranco de custos de distribuição, impressão, perda de publicidade e competição de sites que suprem a necessidade de informações e serviços ali na esquina, enquanto as marcas globais cuidam do Sistão Baluchistão. Marcas estabelecidas que suaram para consolidar relevância e prestígio no papel como "The Wall Street Journal", "Financial Times" e "The Economist" estão combinando os investimentos mais tradicionais com valor agregado online. Ë dificil imaginar que jornais locais possam apostar em um modelo de negócios que cobre por contéudo online, como as marcas consagradas.

De resto, é uma inglória busca de sobrevivência. Jornais diários americanos, como no resto do mundo, estão há anos tentando desacelerar o processo de desaparecimento com desesperados cortes de custos, mas há um limite de viabilidade para enxugar na cozinha e entregar um produto com nutrição informativa.

Para arrematar, não resisto a um lamento de soldado da imprensa que teve batismo de fogo com máquina de escrever e se emocionava com o barulho do aparelho de telex. Existe este brutal corte de custos que verga a qualidade dos jornais diários, mas suas reportagens ainda são espinha dorsal de bom jornalismo.

Nesta mesma semana de nova rodada de más notícias sobre circulação, o "New York Times" investiu em extensas e dramáticas reportagens sobre adolescentes que fogem de casa nos EUA, o "Los Angeles Times" foi à outra costa do país cobrir a campanha eleitoral no distrito 23 em Nova York (de repercussões nacionais) e o "Wall Street Journal" despachou um repórter para Botsuana, na África, em uma história sobre indústria de diamantes. Os velhos jornais ainda têm estas pedras preciosas.

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Será o fim do jornalismo impresso - parte 1
Será o fim do jornalismo impresso - parte 2
Será o fim do jornalismo impresso - parte 3

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sábado, outubro 24, 2009

#videodasemana: Miles Davis - Générique (1958)

A combinação é infalível: Miles Davis, Jeanne Moreau e a noite parisiense. O encontro foi em Ascenseur pour L'èchafaud, do francês Louis Malle, em 1958. Ainda escreverei alguns detalhes da gravação da trilha sonora feita pelo trompetista. Inclusive sobre o mito do naco de pele soltando da boca de Miles que, segundo jazzofilos, teria influenciado na sonoridade do disco.

Ah! e a película, da época que a Nouvelle Vague estava começando a engatinhar, é maravilhosa. Suspense, beleza estética e música para os ouvidos dos amantes do cinema.





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sexta-feira, outubro 16, 2009

A história (e as histórias) do Sinatra-Farney Fan Club

Celinha me escreveu ensandecida reclamando a maternidade do Sinatra-Farney Fan Club à sua avó, Didi Reis. Em texto publicado nesta Moviola, em abril, atribuí erroneamente a criação do clube aos compositores Carlos Lyra e Roberto Menescal. Puro descuido de apuração e falha de memória.

Celinha, que não deixou e-mail, lenço nem documento, me indicou a leitura de Chega de Saudade, de Ruy Castro, para me interar melhor do assunto. O li há uns quatro anos. Mas como sou aplicado resolvi ler trechos novamente.

O Farney-Sinatra Fan Club, sediado na Tijuca, no Rio, fora criado para homenagear os cantores Dick Farney e Frank Sinatra. Segundo Castro, foi o primeiro fã-clube brasileiro. Iniciou suas atividades no porão da casa da avó de Celinha, mãe de Didi, e teve apenas 17 meses de vida – de fevereiro de 1949 à julho de 1950. E eis a ratificação: fora criado pelas meninas Joca, Teresa e Didi Reis.

Carlos Lyra era sócio, me alertou Celinha. Assim como João Donato, Johny Alf e tantos outros que já respiravam ares de Bossa Nova dez anos antes da gravação do Chega de Saudade, por João Gilberto.

Celinha me confidenciou na mensagem que está escrevendo um livro sobre a história do fã-clube. Fico no aguardo. Sempre bom existir registros para evitar que blogueiros cometam injustiça.

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+ Música Brasileira neste blog:

As façanhas de Farnésio
Afinal, o que é MPB?
Dizzy com Mocotó
Woodstock à mineira


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domingo, outubro 11, 2009

Follow me quem puder!

Após meses relutando, aproveitei uma enfadonha tarde de sábado de feriadão e me rendi ao Twitter. É, realmente, viciante. Para acompanhar as atualizações, sigam-me @renan_damasceno. As atualizações aqui continuarão a todo vapor – apesar deste não ser a fonte de energia mais recomendável em tempos de sustentabilidade.

Follow me, movioleiros!

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sábado, outubro 10, 2009

Tarja preta

O governo Kirchner aprovou ontem, após 14 horas de debate no Senado argentino, o texto-base para a nova lei de imprensa do país. A intenção, como ficou claro na invasão ao Clarín, mês passado, é enfraquecer os conglomerados de mídia - que são opositores ao governo de Cristina.

A nova lei de imprensa - que substituirá a atual, criada na ditadura (1976-1983) - pretende democratizar a produção de conteúdo no país. Até aí, tudo bem. Mas prevê também que nenhuma empresa privada poderá ter um canal aberto e outro fechado simultaneamente, restrição inédita no mundo, e que o sinal dos canais privados não poderão ultrapassar 30% do território. Apenas as tevês estatais chegarão a todos os lares argentinos. (Detalhes, aqui)

Governo e imprensa nunca se bicaram na América do Sul, seja em regimes democráticos, ditatoriais ou, mais recentemente, bolivarianos. Chávez não concedeu a renovação da concessão à RCTV, em 2006, e o único canal não-chavista da Venezuela, o Globovisión, é alvo de constantes intimidações. (Vale a pena assistir ao documentário A revolução não será televisionada, disponível aqui).

No mesmo caminho de repressão à imprensa seguem Rafael Corrêa (Equador) e Evo Morales (Bolívia). Corrêa, por exemplo, vive enchendo os canais El Universo e Teleamazonas de processos. Segundo ele, as duas redes são conspiradoras e golpistas. Aliás, um dos planos da criação da Unasul é fiscalizar os "abusos da imprensa", ideia compartilhada por Corrêa e Chávez.

Por mais que o Brasil se mantenha distante deste quarteto anti-imprensa, o Estadão está há 71 sob censura, proibido por uma liminar de noticiar o andamento dos processos na Polícia Federal contra a família Sarney - este, paradoxalmente, o maior opositor da entrada da Venezuela no Mercosul. A proibição veio do desembargador Dácio Vieira, amigo próximo do clã maranhense.

Aqui, a repressão trocou a farda pela toga.

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+ Imprensa e América Latina neste blog:

Honduras - Cobertura da Imprensa na crise
Cuba - À sombra de Fidel
México - Cabezas Cortadas
Chile/Brasil - Podres Poderes


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sexta-feira, outubro 09, 2009

#videodasemana: Milton Nascimento - Nada será como antes

Milton Nascimento cantando "Nada será como antes", em Nova York, acompanhado por Herbie Hancock, ao piano, Ron Carter, ao baixo, pelo percussionista brasileiro Naná Vasconcelos, entre outros :



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domingo, outubro 04, 2009

Hot... very, very hot!!!


Conheci Squirrel Nut Zippers há quatro anos e desde então não parei de ouví-los. Bela dica do @Magruzmolotov. É uma banda de swing contemporâneo - uma espécie de revival das big bands da década de 1930, com uma pitada de irreverência -, formada em 1993, na Carolina do Norte, sob a liderança do multi-instrumentista "Jimbo" Mathus, com o cast fortalecido pela bela voz de Katherine Whalen.

Após hiato de sete anos, o SNZ voltou em 2007 e lança mundialmente neste mês o Lost at Sea, álbum gravado ao vivo em dezembro do ano passado, em Nova York. No repertório, clássicos dos primeiros álbuns do grupo, do Hot (1995, meu favorito) ao Perennial Favorites (1998).

Para quem quiser conhecer um pouco mais do estilo, vale dar uma bisbilhotada também nos grupos Big Bad Voodoo Daddy e nos trabalhos solos de Katherine. Todos carregam um tom cômico e irônico em suas músicas e clipes.

Abaixo dois vídeos do Squirrel, "Hell" e "Put a Lid on It", as duas principais faixas do segundo disco da banda, Hot.




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sexta-feira, outubro 02, 2009

Rio-2016: Será que nós podemos? (Parte.1)


Sem querer colocar água no chopp dos cariocas. Deixo claro.

Faltam menos de sete anos para a Olimpíada Rio-2016. Serão duas eleições presidenciais até lá. Se o cenário para 2010 já é nebuloso (dificilmente Lula, o garoto propaganda dos jogos, conseguirá emplacar sucessor), é inimaginável como será o pleito seguinte, que escolhe quem estará no cargo durante os jogos.

Nesse período também acontecerão dois eventos esportivos internacionais em terras tupiniquins: a Copa das Confederações, em 2013, uma espécie de preview da Copa do Mundo, que será no ano seguinte. Até agora, quase nenhum projeto saiu do papel e alguns, antes mesmo de começar, já estão sendo criticados – o caso do Morumbi.

O Brasil planeja gastar cerca de R$ 11 bilhões para a Copa. É impossível precisar quanto uma olimpíada custaria a mais.


Desvio de Verbas e Superfaturamento de obras


Pesa a favor do Rio a experiência vitoriosa do Pan-2007. Entretanto, pesou no bolso do contribuinte o gasto 443,5% aci
ma do planejamento inicial. O evento estava orçado, nos três níveis de governo, em R$ 523,84 milhões, mas custou R$ 2,847 bilhões. À exceção do Engenhão, arrendado pelo Botafogo, pouco da estrutura criada para os jogos ainda é utilizada.

A falta de instrumentos de controle rígido nos gastos poderá ser o principal vilão dessa história. Um rio de dinheiro poderá ser desviado, atrasando as obras e penalizando a população e os cofres das União.

Parece ironia, mas não é: as obras de 2014 são fiscalizadas por uma subcomissão na Câmara formada em sua maioria por deputados investigados em operações de enriquecimento ilícito e desvio de verbas – entre eles, dois mineiros investigados na Operação João de Barro (Carlos Willian, PTC, e Ademir Camilo, PDT), um na Sanguessuga (Reinaldo Moreira, PP) e outro acusado nas duas (João Magalhães, PMDB).


No calor dos fatos, como de praxe do atual governo, não se mensura o impacto de um evento dessa amplitude. Sim, gira a economia, gera empregos temporários, alavanca o turismo, o país ganha em notoriedade e importância. Mas isso custa..e, na maioria das vezes, muito caro.
(Renan Damasceno)

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+ Sobre políticas do esporte neste blog:
Copa 2014 entrou em campo com o pé esquerdo
Chicago: Obama quer a bola
Futebol e segurança pública
Grupos de investimento atacam o futebol

quinta-feira, outubro 01, 2009

Santiago, o memorioso


Assisti, com mais de dois anos de atraso, ao documentário Santiago, de João Moreira Salles, que esteve na programação do Canal Brasil semana passada, no É Tudo Verdade. O filme sobre o excêntrico mordomo da família Moreira Salles me fez lembrar, do começo ao fim, do conto Funes, o memorioso, que compõe o livro Ficciones, do argentino Jorge Luís Borges.

O reli depois de anos. Funes, por um acidente, é dotado de uma memória prodigiosa, capaz de decorar tomos de Plínio, mapas do tamanho físico de uma cidade e recordar das 24 horas de um dia. Por isso, fica relegado ao quarto dos fundos de uma velha fazenda, no escuro.

Santiago, decendente de italianos radicado no Brasil, também é dotado de memória invejável. Datilografou resmas de papel com notas sobre atores do cinema e teatro, cantores, músicas e gente da sociedade carioca. Tentou deixar de herança ao mundo um pouco de tudo aquilo que guardou mais de meio século na lembrança. Assim como Funes, Santiago vivia só, em um pequeno quarto dos fundos da mansão dos Moreira Salles, em...... Bem, não tenho a memória deles...

Digno de nota também a auto-crítica de João Moreira ao final do documentário: "Por mais que tentasse tirar expressões naturais de Santiago, ficava claro que ele era o Mordomo e eu, o filho dos donos da casa". E se memória é o eixo do documentário, João pode, ao retomar o material filmado em 1992, reconstruir um pouco de sua história e de seus irmãos.

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+ Sobre documentários neste blog:

Documentário Brasileiro do Século XXI
Edifício Master – a solidão no meio da metrópole
Waldick – Durango Kid à brasileira
Leon Hirzsman – Deixa que eu falo
Estamira – O olhar que tudo pode ver e tudo pode revelar
Glauber Rocha - Maranhão 66/Senado 09
Heavy Metal - Ruído das Minas

+ Sobre Borges neste blog

Borges vai ao cinema
Borges - James Joyce


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