terça-feira, novembro 30, 2010

Mário Monicelli (15/05/1915-29/11/2010)

Conheci os filmes do diretor italiano Mário Monicelli em uma daquelas mostras de clima cineclubísticos que aconteciam no sóton do Centro de Cultura de Belo Horizonte – um prédio quase centenário que parece uma igreja, na esquina de Augusto de Lima com Bahia, na capital.

Os filmes eram precedidos pelas aulas do professor Mário Alves Coutinho, responsável, entre outras obras, pela tradução para o português das poesias de Willian Blake e autor do livro Escrever com a câmera, sobre a literatura na obra de Jean-Luc Godard.

Os Eternos Desconhecidos, de 1958, o primeiro que vi, é meu favorito. Marcello Mastroianni, Vittorio Gassman, Cláudia Cardinale (ahhh, Cláudia), contracenando com o veterano da comédia spaghetti, Totó. Foi a segunda película da parceria entre o diretor e Gassman - ao contrário de meio mundo que prefere Mastroianni, é o ator italiano que mais gosto.

Com o dramaturgo, Monicelli ainda repetiria o sucesso um ano depois com A grande guerra (produção de Alberto Sordi, vencedor do Leão de Ouro, em Veneza), em dois filmes da saga do cavaleiro Brancaleone (1966 e 1970) e tantas outras produções de 1955 a 1987.

Em 3/4 de século de direção, o diretor colocou a comédia em patamar mais nobre do que geralmente é submetida na história do cinema, mesmo em um país de produção tão intensa e de qualidade (qual outro país, fora Estados Unidos, que tem pelo menos uma mão cheia de grandes nomes da direção. França é que chega mais perto). Seus roteiros não eram limitados às tipificações e, sim, se propunham a refletir, de forma bem humorada e satirizada, os costumes dos italianos.

Vítima de um câncer terminal no intestino, Mário Monicelli, aos 95, se atirou da janela do 4º andar do hospital San Giovanni, em Roma, nesta segunda-feira (29/11).

sábado, novembro 27, 2010

Mentaliza a energia

Um cigarro de ervas medicinais à venda num bar do edifício Maleta, esquina de Augusto de Lima com Baêa, em Belo Horizonte, me chamou atenção nesta sexta-feira, entre uma e outra Backer de trigo consumida no antro boêmio da capital.

O 'milagroso' Pradense, produzido na região da serra de São João, em Prados, no Campo das Vertentes de Minas Gerais, é um cigarro que não contém nicotina, feito à base da mistura de manjericão, hortelã, guaco, alecrim e alfavacão (seja lá o que isso for).


O gosto leve e adocicado e o cheiro detestável, certamente, não são merecedores de tal post. O que impressionou foi a descrição que o Pradense traz no verso...

Seu corpo em
sintonia com o Cosmo

"Composto de ervas cultivadas e potencializadas numa conexão do microcosmo (órgãos físicos densos camadas sutis) com o macrocosmo universal, objetivando a circulação da energia vital.

Esse produto contém substâncias descongestionantes, anti-sépticas, expectorantes, desintoxicantes, purificadoras, aliviadoras da tensão entre outras, que não causam dependência física e psíquica causada pela ingestão de substâncias tóxicas contidas em produtos industrializados.

A natureza, a biodiversidade brasileira, a terra, o planeta, o Cosmo, as energias sutis agradecem"


Não é demais?

November Rain

19h37


19h44


20h08


quinta-feira, novembro 25, 2010

O povo com cara de bolacha

“Nesta questão do aumento do salário, precisa tomar cuidado. O povo quando fica rico, fica mais exigente”, alfinetou o deputado federal Sandro Mabel a um companheiro de Congresso, sem saber que o som da reunião do Conselho Político do governo, na última quinta-feira (18/11), vazara por erro técnico.

Mabel, deputado reeleito para cumprir seu quarto mandato e líder do PR na Câmara, é o mesmo que, em abril, abusou da hipocrisia: "Tenho minha mãe que me liga todos os dias para saber do reajuste", quando a discussão era o aumento do valor da aposentadoria.

O republicano, proprietário da empresa de biscoitos que leva o sobrenome da família, desembolsou R$ 4,8 milhões na campanha deste ano e foi o 5º candidato a deputado federal mais votado em Goiás: 148.687 votos. Teve, ao lado de Teresa Jucá (PMDB/RR), o voto mais caro do país.

O preço que teremos que pagar será muito mais indigesto.

quarta-feira, novembro 24, 2010

Sobre cafés e Julie London


Esse blog se esforça para encontrar combinações perfeitas e saborosas - quando muito, sinestésicas -, de jazz, café e cinema. Já misturou Ron Carter, esguio e elegante como um contrabaixo, com café torrado na hora, em comercial da Tully's; as notas soturnas de Miles, Jeanne Moreau e as noites parisienses, em Ascenseur pour L'èchafaud; Dizzy Gillespie com mocotó, em gravações esquecidas desde a década de 1970; entre outras viagens musicais, gastronômicas, astronômicas.

Um dos standards preferidos pelas divas do jazz (Ella, na versão mais popular, Sarah Vaughan, Peggy Lee, entre outras) Black Coffee demorou para emplacar suas notas no Moviola. E de todas versões, executadas entre as décadas de 1940 e 1960, escolhi a voz rouca e sexy da atriz Julie London, frequentemente lembrada pela atuação ao lado Gary Cooper, em O Homem do Oeste, faroeste de Anthony Mann.

Mesmo sem a extensão vocal de outras conceituadas cantoras de seu tempo, Julie tem respeitada discografia, com interpretações de Irving Berlin e irmãos Gershwin a Cole Porter e Tom Jobim. Foi a cantora mais popular por três anos consecutivos, conferidos pela Billboard, de 1955-57. Cry Me a River, de Arthur Hamilton, talvez seja sua interpretação mais lembrada.



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terça-feira, novembro 16, 2010

Bichinho - Minas Gerais

O distrito de Vitoriano Veloso, conhecido como Bichinho, é um lugarzinho perdido entre as pedras e histórias da Estrada Real. Está a 7Km de Tiradentes e a 12km de Prados - município no qual pertence.



O caminho de sete quilômetros que separam Tiradentes de Bichinho já valem a viagem. As curvas da estrada dão vista para o verde que se encontra com as pedras da Serra de São José lá longe. Casas coloniais, pousadas, artesanato e o museu do Automóvel da Estrada Real estão ao longo do trecho.

Um portal de pedra, a 2 km do povoado, dá início a uma sequência de casebres de tijolo adobro, enfeitados com fitas, esculturas de madeira, bandeirolas, namoradeiras, pinturas, fuxicos e crochês. Tudo se vende no Bichinho - e muito caro.

Vitoriano Veloso - nome em homenagem ao inconfidente de mesmo nome, um alfaiate e escravo alforriado - pertence ao município de Prados desde 1938. É um povoado que se formou com a descoberta de ricas lavras de ouro no século XVIII (a igreja Nossa Senhora da Penha foi construída em 1771) e hoje sobrevive do turismo, artesanato e culinária.

O convite ao pecado da gula está no simples e requisitado Tempero da Angela, que já conquistou o paladar dos brasileiros e as páginas do New York Times (A reportagem In Minas Gerais, an other Brazil, de março de 2009, foi emoldurada e pendurada na parede como uma medalha aos olhos de quem quiser ver).

Dona Ângela divide sua atenção em atender bem os clientes e não deixar as costelinhas fritas na gordura de porco passar do ponto. Enquanto um dos empregados colhem as alfaces na horta dos fundos, outro chega com o caldeirão de frango ao molho pardo. Come-se bem, e muito no Bichinho.

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sexta-feira, novembro 12, 2010

O mundo dentro de uma xícara

Tarde no Octávio Café, em São Paulo.


domingo, novembro 07, 2010

O paraíso na outra esquina



Do caderno
Paladar, do estadão.

Foi mais difícil convencer o cafeicultor Paulo Sérgio de Almeida a vender duas sacas de um de seus melhores cafés do que encontrar este microlote para servir no Octávio Café, em São Paulo.

Muita conversa depois, a barista Silvia Magalhães persuadiu o produtor: o microlote da Fazenda Santa Terezinha, em Paraisópolis, no sul de Minas Gerais, será o primeiro a ser oferecido no café, a partir desta terça-feira.

Por que tanta insistência? A qualidade da bebida, provada em primeira mão pelo Paladar na última semana, explica. É um café extremamente doce, no nariz e na boca. Tem corpo aveludado e aroma intenso de frutas vermelhas – características percebidas especialmente quando foi preparado na prensa francesa.

Cultivado a 1.200 m de altitude, em uma região de solo vulcânico próximo a Poços de Caldas, os grãos são colhidos manualmente quando estão maduros – daí a doçura elevada do café.

"Fiquei surpresa, porque ele é um café (da variedade) mundo novo, e eu odeio mundo novo", diz Silvia Magalhães. "É cultivado numa área sombreada que nem parece lavoura de café, e sim uma mata. É tudo artesanal, colhido manualmente. Demorou 15 dias para secar, em uma estufa suspensa e coberta."

O café deste talhão, o colônia mundo novo, conquistou fãs não só aqui. As outras seis sacas do microlote, só com cereja natural, já têm destino: Dinamarca.

"O comprador disse que só tomou um café igual ao meu, em complexidade, na Etiópia. Não esperava encontrar um café assim aqui", diz o cafeicultor Paulo Sérgio de Almeida. "Eu mesmo ainda não provei. Estou curioso para beber este café."

Este microlote da Fazenda Santa Terezinha poderá ser degustado em todos os métodos de preparo disponíveis no Octávio Café. Quem quiser também poderá comprá-lo para preparar em casa (em grão ou moído), em embalagem com 250g (R$ 44).

"Vamos torrar aos poucos, em pequenas quantidades, conforme houver demanda, para ter café sempre fresquinho", diz Silvia.

Embora ainda não tenha data marcada para começar a servir os próximos microlotes selecionados, a barista adianta quais são as origens: Divinolândia, Caconde e São Sebastião da Grama, no interior de São Paulo.

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Foto: Renan Damasceno. Café Viena, Aeroporto de Brasília. 04/11/10. Mais fotos minhas de café, aqui.

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sábado, novembro 06, 2010

Da janela lateral

O clima anda mesmo baralhado. A chuva que chega, cumprindo ritual quase religioso, no dia de Finados, este ano não veio. Não me lembro de outro dia dos mortos, em 23 anos, em que as águas da primavera não se derramassem sobre as lápides, apagando velas e ressuscitando as flores sufocadas pelos vasos de porcelana - ou embrulhos de plástico de última hora.

Com atraso, as nuvens avançaram Serra do Curral adentro e despejaram água, raios e trovões nesta sexta-feira, apagando o fogo de quem se preparava para o fim de semana. em Belo Horizonte. Aproveitei para tirar essas fotos, às 3h deste sábado, 6 de novembro, da janela lateral dum quarto de dormir.

Foram algumas experiências com balanço de branco e maior tempo de exposição do diafragma, uns 15 segundos recebendo luz ambiente. Ta-hí:




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quinta-feira, novembro 04, 2010

Dando o mínimo

Espremido entre câmeras, microfones e pão de queijo, cedidos gentilmente pelo gabinete do Relator do Orçamento de 2011, senador Gim Argello (PTB-DF), fui avaliar o tom dos comandados de Dilma em temas de apelo popular, tais como salário mínimo e CPMF.

Renan Damasceno

Brasília - A ante-sala de pouco mais de 20 metros quadrados do 14º andar do Congresso Nacional – exatamente aquele corredor que une as duas partes da torre – foi palco da primeira discussão sobre o reajuste do salário mínimo que passa a valer em janeiro de 2011. Dezenas de dirigentes sindicais e representantes de aposentados e pensionistas, munidos de placas pedindo “Valorização”, encurtaram o espaço do senador Gim Argello (PTB-DF), relator do Orçamento da União de 2011.

O novo valor está em discussão, uma vez que a Medida Provisória que estabelece o reajuste baseado no INPC somado ao Produto Interno Bruto de dois anos anteriores não poderá ser aplicada desta vez devido à retração PIB em 2009. A MP passou a valer em 2005, comungada de forma quadripartite - centrais sindicais, entidades de aposentados, empresariado e governo.

Soa à brincadeira a primeira proposta de reajuste real apresentada por Argello de R$ 1,85, insuficiente até para um caldo de mandioca – diria Lula, o ex. No mesmo tom, o deputado Paulo Pereira da Silva, presidente da Força Sindical e deputado federal (PDT-SP), retruca desdenhando o “reajuste em parcelas, tipo Casas Bahia”. Dilma, para evitar desgaste antes mesmo de assumir a faixa presidencial, pensa em quantia superior a R 550.

As centrais sindicais pedem um aumento maior, de R$ 580. “Não descartamos também um acordo que estabeleça um índice para os próximos dois anos, desde que seja vantajoso para o trabalhador”, afirmou Paulinho.

Argello vai sentar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com a eleita, Dilma Rousseff, para discutir um novo modelo. “Temos que fazê-lo dentro da realidade. A questão não é agradar, é ser responsável”, adiantou. Segundo dados apresentados pelo senador, para cada R$ 1 de reajuste, o governo gasta R$ 286 milhões.

P.S. A Transição

Finalizo esse texto enfrentando, ironicamente, uma turbulência no voo entre Brasília e Belo Horizonte, provocada pelas nuvens carregadas na divisa entre Goiás e Minas. Na mesma fila da minha poltrona, está o jovem deputado petista Odair Cunha. Três à frente, Roberto de Carvalho, vice-prefeito de Belo Horizonte. Avisado em chamadas do Aeroporto Juscelino Kubitschek, o deputado e futuro desempregado Virgílio Guimarães não embarcou. Administrar o partido na partilha de cargos será um desafio ainda maior para Dilma.

terça-feira, novembro 02, 2010