quarta-feira, julho 14, 2010

Crônica de uma morte anunciada - PARTE 1


Tanure anuncia o fim do "JB" impresso

FOLHA DE S. PAULO, de 14/07/10

O "Jornal do Brasil" publica hoje um comunicado aos leitores anunciando o fim de sua edição impressa, a partir do dia 1º de setembro. Seu conteúdo, a partir de então, ficará disponível apenas na internet, com preço de assinatura de R$ 9,90 por mês.
O fim do "JB" impresso abalou o comando da empresa. O presidente do jornal, Pedro Grossi Jr., discordou da decisão e não apareceu na Redação ontem, apesar de o empresário Nelson Tanure, arrendatário da marca JB, negar que o tenha demitido.
O "Jornal do Brasil" vem de longa crise financeira, agravada por passivos fiscais e trabalhistas herdados dos antigos gestores, mas o comunicado de Tanure tenta desvincular a modificação da situação de crise. O texto diz que o jornal fez uma consulta eletrônica aos leitores no último mês e que eles apoiaram a mudança.
""O "JB" vai sair do papel. E entrar para a modernidade", diz o texto, encaminhado à Folha por Nelson Tanure. O comunicado diz que os leitores economizarão R$ 40 por mês ao trocarem a assinatura mensal do jornal impresso, de R$ 49,90, pela assinatura do portal.

CIRCULAÇÃO EM QUEDA


A Folha apurou que a migração vai provocar corte de pessoal. O "JB" tem 180 funcionários, 60 dos quais na Redação. A família Nascimento Britto, dona da marca e antiga proprietária do "JB", disse não ter informação sobre o projeto de Tanure.

O jornal tinha uma circulação diária de 76 mil exemplares quando passou para Tanure. Em 2003, iniciou um caminho de recuperação, chegando a 100 mil exemplares em 2007, para novamente entrar em rota de queda.
Em março deste ano, quando a circulação estava em 20.941 exemplares, Tanure contratou Pedro Grossi Jr. para administrar o jornal.
Já circulava a informação de que Tanure iria acabar com o jornal impresso. No último dia 28, Nelson Tanure confirmou a intenção a Pedro Grossi, que começou a articular um meio de manter o jornal impresso.
Estudou-se transferir o contrato para outra empresa, blindada contra as ações trabalhistas e fiscais remanescentes. O negócio foi desaconselhado porque a Justiça tem considerado que os novos donos são sucessores na dívida.

FORA DA MÍDIA


O fim do "JB" impresso será também o fim da experiência de Nelson Tanure como empresário de mídia. Ele disse à Folha que não quer mais atuar nesse setor e que vai se concentrar em telecomunicações.
Ele tem 5,15% da TIM Participações (subsidiária da Telecom Italia, que atua em telefonia celular, telefonia fixa local e de longa distância).
Tanure só acumulou fracassos em suas incursões na mídia. Em 2002, comprou os direitos de publicação da revista "Forbes", no Brasil. Um ano depois, a "Forbes" rompeu o contrato.
Em 2003, arrendou o jornal econômico "Gazeta Mercantil", que, como o JB, acumulava grande passivo. O jornal deixou de funcionar no ano passado, e a marca foi devolvida ao antigo dono.
Em 2007, Tanure lançou a JBTV, que durou seis meses. Ainda arrendou a Editora Peixes, que também voltou para os antigos donos. Ele diz que perdeu todo o investimento que fez no "JB".

Crônica de uma morte anunciada - PARTE 2

RUY CASTRO

Último da turma

RIO - Em maio de 1959, o "Jornal do Brasil" carregava o peso de seus 68 anos. Era um jornal caótico, feio e ultrapassado -alguns de seus colaboradores ainda usavam bigode encerado. Era, sobretudo, um jornal de classificados- os anúncios ocupavam quase toda a primeira página, e quem fosse visto lendo-o estava procurando emprego ou faxineira.

E, então, sem aviso nem fanfarra, na manhã de 2 de junho, diante de um quase irreconhecível "Jornal do Brasil" nas bancas, todos os outros jornais é que pareceram caóticos, feios e ultrapassados. Ele ficara limpo, elegante e moderno, com os títulos parangonados, os textos e fotos dispostos geometricamente, as colunas separadas por espaços, e não fios. Mas o principal seria sua reforma jornalística, capitaneada pelo jovem Janio de Freitas, depois continuada por seus sucessores.

A partir daí, trabalhar no "JB" tornou-se a aspiração de todo jornalista. Equivalia a um Ph.D. E mesmo os que, como eu, amavam o "Correio da Manhã" flertavam com o "JB". Bem, deu-se que, muito depois, em 1975, eu fosse levado para lá, para criar uma revista colorida dentro do jornal: "Domingo", a primeira do gênero no país.

Fiquei dois anos no "JB", numa redação estrelada por Elio Gaspari, Marcos Sá Corrêa, Zozimo, João Saldanha, João Máximo, Renato Machado, Norma Couri. Deu para sentir a diferença em relação a empregos anteriores: ao telefonar para alguém e me apresentar como "Fulano de Tal, do "Jornal do Brasil'", ninguém deixava de vir correndo ao aparelho.

A mística do "JB" durou até 1990, quando uma sucessão de erros administrativos, financeiros e editoriais começou a destruir o jornal. Chega agora ao fim, aos 119 anos, com a decisão de limitar-se à versão internet. Parece incrível, acordar e não ter o "JB" de papel para folhear. Mas há muito eu era o último de minha turma a ainda fazer isto.

Crônica de uma morte anunciada - PARTE 3

Jornal do Brasil foi o sonho
profissional de uma geração

FERNANDO GABEIRA
ESPECIAL PARA A FOLHA

O "Jornal do Brasil" foi o sonho profissional da nossa juventude desde os anos 1950 até o princípio dos anos 1960. Representou o sonho profissional de toda uma geração no início da década de 1960. Foi a mais radical reforma jornalística feita no país até aquela data.
O uso do espaço em branco na introdução de fotografias com a luz ambiente e excelentes reportagens eram alguns dos seus componentes.
O desenho do jornal, trabalhado por Amílcar de Castro e inspirado no pintor holandês Mondrian, representou durante muito tempo uma atração internacional, porque muitos jornalistas vieram do exterior para observar aquelas mudanças.
Na parte cultural, o "Jornal do Brasil" inovou lançando um suplemento literário voltado para o concretismo, mas que revelou alguns dos principais poetas e escritores do país.
Nos últimos anos, o "Jornal do Brasil" tornou-se um fantasma do que era, conservando a máxima de que um jornal leva mais de uma década para morrer.


O jornalista FERNANDO GABEIRA é deputado federal (PV-RJ) e trabalhou no "Jornal do Brasil".

Crônica de uma morte anunciada - PARTE 4

Reproduzido do blog do autor, 13/7/2010; título e intertítulos do Observatório da Imprensa.

Notícia de uma morte anunciada

Por Ricardo Kotscho em 14/7/2010

Só falta marcar a data da morte, aos 119 anos, do melhor jornal em que já trabalhei na vida, um símbolo da imprensa brasileira do século passado.

Ainda esta semana, Nelson Tanure, o atual dono da marca, vai anunciar o dia em que deixará de circular o Jornal do Brasil, um dos mais antigos, revolucionários e respeitados veículos já publicados no país. Fosse uma pessoa, era o caso de dizer como antigamente: trata-se de uma perda irreparável. Para lembrar dele, restará apenas uma versão eletrônica.

O necrológio já havia sido muito bem escrito pelo colega Carlos Brickmann, semana passada, em sua coluna no Observatório da Imprensa. Agora, quem anunciou oficialmente o desenlace, em sua edição desta terça-feira [13/7], por ironia do destino, foi justamente O Globo, outrora principal concorrente e algoz do Jornal do Brasil.

Prestígio

Trabalhei por três temporadas no JB, primeiro como seu correspondente na Europa, na década de 1970, e depois na sucursal paulista, nos anos 80/90.

Para se ter uma idéia da força e do prestígio deste jornal, quando fui contratado pela grande jornalista Dorrit Harazim para ser seu correspondente na então Alemanha Ocidental, ela me alertou para a responsabilidade: "Você vai ter que se comportar como se fosse um embaixador do JB na Europa".

No elegante restaurante da diretoria, onde fui convidado a almoçar para ser apresentado aos meus novos chefes, os homens estavam todos de terno e havia tantos copos e talheres à minha frente que não sabia nem por onde começar – ainda mais, depois da advertência da Dorrit, a chefe dos correspondentes internacionais do jornal.

De roupa esporte, me senti um verdadeiro caipira sentado à mesa da rainha da Inglaterra. Meses depois, participaria com Dorrit de uma reunião dos correspondentes do JB na Europa, um timaço com mais de dez jornalistas na época, convocada para acontecer num grande hotel de Paris –vejam que chique…

Craques

O JB deste tempo ainda reunia a seleção brasileira da imprensa. Não havia limite de despesas para se fazer uma boa reportagem. O grande sonho de todo jornalista era trabalhar lá um dia. Tinha vários craques em cada editoria. Ouso afirmar que nunca mais se montou uma redação daquela qualidade em jornal algum.

Não vou me meter a elencar os nomes, como fez o robusto Carlinhos em sua coluna, "O circo da notícia", porque eram tantas as estrelas que não vou me lembrar de todos os mestres com quem convivi. Basta apenas lembrar, por exemplo, que trabalhei ao lado de Walter Fontoura, Elio Gaspari, Ancelmo Góis, Zuenir Ventura, Ricardo Setti, Célia Chaim, Renato Machado, Augusto Nunes e Evandro Teixeira, entre tantos outros cobras do jornalismo.

O que mais me fascinava no Jornal do Brasil era o ameno ambiente de trabalho e a absoluta independência editorial. Para se ter uma idéia, a dona era uma condessa, a condessa Pereira Carneiro, e o diretor, um lorde, o seu genro Nascimento Brito.

Nunca os vi de perto e jamais recebi uma "ordem da diretoria" para fazer ou deixar de fazer determinada matéria. Mais tarde, as coisas mudariam, e o jornal entraria numa crise financeira e editorial que o levaria à decadência, até ser arrendado para o empresário Nelson Tanure, em 2001. Começava ali a sua agonia. Em 2009, Tanure levou à morte outro grande jornal, a Gazeta Mercantil.

Tempos difíceis

Teria mil histórias a contar sobre o meu trabalho no JB, que não cabem num blog, mas podem ser encontradas no meu livro de memórias "Do Golpe ao Planalto – Uma vida de repórter", da Companhia das Letras.

Ao ver a notícia do falecimento esta manhã, fiquei muito triste. Foi como se estivessem apagando da paisagem e levando embora para sempre o lugar onde passei a melhor fase da minha já longa vida profissional.

Restavam lá trabalhando apenas 60 jornalistas, a circulação vinha minguando abaixo dos 20 mil exemplares, o jornal já tinha encolhido de tamanho e o passivo chegava a 100 milhões de reais. Alguns dos seus antigos craques hoje ainda podem ser encontrados nas páginas de O Globo. A imprensa brasileira deveria decretar três dias de luto.

domingo, julho 11, 2010

Realidade pulp

Se Raymond Chandler, Dashiell Hammet ou Chester Himes estivessem vivos, não seriam pulp ficcionistas. Seriam repórteres de polícia em Minas Gerais. A frieza e requintes de crueldade de três assassinatos recentes, nas aparentes pacatas serras de Minas, exigiram da imprensa um exercício descritivo digno das mais virulentas e violentas ficções noir norte-americanas.

Os crimes são roteiros que outrora fariam brilhar os olhos de John Huston, que dirigiu Falcão Maltês de Hammet, ou deixaria o eterno Philip Marlowe, detetive protagonista das obras de Chandler, de cabelos em pé.

O termo pulp, nasceu no início de 1900 e cresceu pós-crise de 1929. As revistas eram feitas com papel de baixa qualidade, a sobra da "polpa" de celulose. Portanto, a expressão "ficção pulp" foi usada para qualificar histórias de qualidade menor ou absurdas, em maioria policiais ou de ficção científica.

"Amor e morte"(Chandler, 1959)

A primeira barbaridade não seria facilmente desvendada milagrosamente por Humphrey Bogart - eterno interprete hollywoodiano dos detetives.

O personagem: o pintor Marcos Antunes Trigueiro, casado e pai de cinco filhos.
Perfil: calado, de olhar baixo e boa aparência
Crime: Matou cinco mulheres, depois de estuprá-las, todas abordadas no Bairro Industrial, em Contagem, onde ele morava.
Histórico: Traz desde o início de sua história as marcas da violência. Espancado pelo pai, dormiu ao relento e sobreviveu com sobras de comida. Cultivou relacionamentos amorosos conturbados, com vários filhos e casamentos.



"Um jeito tranquilo de matar" (Himes, 1959)

O segundo crime, nem o descritivo em minúcias Chester Himes, que em seu período de prisão (1929-1935) escreveu seus primeiros contos, poderia conceber. O nome que a imprensa tachou o grupo de assassinos, "bando da degola", é do feitio de Himes, que sempre denominou seus personagens com substantivos comuns tornados próprios: "Jones Coveiro", "Ed Caixão"...

Personagem: Bando da Degola
Perfil do líder: Transformava amigos em comparsas. Sangue-frio e espírito sádico
Crime: Esfaqueou duas pessoas, que foram vítimas de chantagem. Depois de mortos, foram decapitados e tiveram os dedos arrancados. Os corpos, carbonizados.
Histórico: Cativante, morador do Bairro Sion, garoto mimado e de boa família. No apartamento de Flores, foram encontrados filmes com cenas de decapitação de personagens, além de revista sobre a polícia secreta nazista.



"A maldição do dinheiro" (Himes, 1957)

O terceiro caso não demorará para ser rascunho de livros sensacionalistas. A história é sensacionalista. São vários roteiros que se bifurcam, de final tenebroso:

Personagem: Bruno
Perfil: Agressivo, com passagens anteriores pela polícia. Instável, dentro e fora dos gramados.
Crime: Acusado do desaparecimento da ex-amante Eliza Samúdio. Testemunhas confessam que o crime aconteceu em seu sítio, palco de orgias e denúncias de agressão anteriores. Os restos do corpo foram jogados para 11 cachorros que tomam conta do sítio.
Histórico: Nasceu em região pobre da grande Belo Horizonte. Já foi detido e prestou depoimentos por agressão, orgias e direção em alta velocidade. Ganhava em torno de R$ 200 mil em salários no Flamengo - clube que o preparava para ser um dos maiores ídolos da história. Obrigou Eliza Samúdio a tentar práticas abortivas e negou paternidade por míseros R$ 3 mil de pensão.


O perigo anda à espreita. E não temos mais Humphrey Bogart.

(os detalhes dos crimes vocês podem ler nesta matéria do Estado de Minas)

terça-feira, julho 06, 2010

Brasileirinhas ....


De @luisabrasilm, no Portal Uai.

Que o Brasil é referência quando o assunto é pornografia, é fato. O país não é somente um dos maiores consumidores de filmes pornôs do mundo, como também é o maior produtor de filmes do gênero na América Latina. Mas o que se passa nos bastidores da produção brasileira ainda é assunto pouco discutido. Movida por esse questionamento, a antropóloga Maria Elvira Díaz-Benítez passou um ano e meio estudando essa indústria para sua tese de doutorado, que deu origem ao livro ''Nas redes do sexo''. A obra chega nessa semana às livrarias, pela editora Zahar.

Maria conta que sua motivação inicial para a pesquisa foi tentar entender de onde vinham os profissionais que trabalhavam na indústria de filmes pornôs. Ao longo do trajeto, ela constatou que não é possível encontrar uma resposta que generalize quem são esses profissionais. A pesquisadora descobriu que não há distinção de origem, gênero ou classe, e que os motivos que levam as pessoas a entrarem no mundo do pornô são variados.

''São pessoas bem diversas, não dá para responder essa pergunta de maneira fácil. Não existe um padrão, mas tem muita gente do Rio, São Paulo e do Sul. Principalmente a rede de atrizes está bem concentrada nessa região'', afirma.

Em sua tese, no entanto, ela identifica os locais onde ocorrem a maior parte do recrutamento dos atores e atrizes, e a maioria deles está ligada à prostituição, como boates, pontos de rua ou sites de acompanhantes.

Em sua pesquisa, Maria Elvira acabou traçando um perfil do universo pornô brasileiro, mas ela conta que foi dificil quebrar a barreira inicial para entrar nesse mundo. ''Eu escrevia para produtoras, entrava em contato pelo 'fale conosco', mandava mensagens por Orkut e nunca tinha resposta''.

Sua sorte mudou quando um jornalista do Rio lhe passou o telefone pessoal de Rita Cadillac. A ex-chacrete e atriz pornô não só aceitou dar uma entrevista à pesquisadora como conseguiu outros contatos para ela. Na mesma semana, outro golpe de sorte: um produtor da Brasileirinhas, a maior produtora de filmes pornográficos do país, entrou em contato com Maria Elvira e a convidou para o lançamento do filme pornô de Mateus Carrieri. A partir daí, tudo ficou mais acessível e, entre 2006 e 2008, a antropóloga entrevistou mais de 50 pessoas e acompanhou várias produções em São Paulo, desde o recrutamento dos atores até as gravações e distribuição dos filmes. Segundo ela, o recrutamento dos atores, no chamado pornô comercial, passa por vários estereótipos.

''O mundo do pornô joga com esses estereótipos. Um deles é o mito da sexualidade bestial do negro'', explica a pesquisadora. Isso faz, por exemplo, com que os negros sejam bem colocados nesse mercado, por eles são estigmatizados como ''bem dotados'' e amantes ''selvagens''. (...)

Portal Uai: Livro desvenda os bastidores da
produção pornográfica brasileira

Entrevista de Maria Elvira ao catálogo da Zahar

domingo, julho 04, 2010

No limite

Ao transmitir em rede nacional a morte de um dos protagonistas, a série "Pesca Mortal", da Discovery Channel, não só bateu recordes de audiência nos EUA como reacendeu o debate em torno dos limites dos reality shows. A morte de Phil está marcada para o próximo dia 13, três semanas após ter um derrame em rede nacional. Na vida real, o coração do pescador parou de bater em 9 de fevereiro, 11 dias depois de um AVC derrubá-lo, causando paralisia parcial. Na TV, a sua agonia terá durado quatro episódios, vistos por uma multidão de curiosos.

na Folha de S. Paulo de hoje:

ANÁLISE

Radicalismo vai em direção oposta ao que o público brasileiro quer

RODRIGO RUSSO

COORDENADOR DE ARTIGOS E EVENTOS

Copiar ideias estrangeiras é algo que a televisão brasileira sempre soube fazer -e às vezes até aperfeiçoando os originais. Mas a proposta de radicalização dos reality shows não deve vingar em solo tupiniquim.
A relação do brasileiro com a programação de TV reflete alguns traços da nossa sociedade, dentre os quais a hipocrisia, um certo desejo de justiça social e uma vontade de se tornar celebridade. Misturar esses três ingredientes é sucesso garantido.
Morte ou maldade explícitas, pelo contrário, causam fuga da audiência e a caça aos responsáveis por tais atrocidades. Basta perceber a queda de audiência da última edição do "radical" "No Limite", da Globo.
Uma exceção deve ser feita ao final dos anos 90, quando programas como "Ratinho Livre" conseguiam liderar a audiência com um circo de bizarrices e horrores, mas não escapavam dos processos judiciais.
Atualmente, o grande filão é dar alguma coisa a desconhecidos: de fama instantânea -alguém sabe onde anda Zina, aquele do bordão "Ronaldo", ou mesmo a hoje bonita Gorete?- a bens materiais, como as casas oferecidas pelos programas de Gugu, Huck e Portiolli.
Mesmo em novelas, o desejo de justiça social se faz presente. Novela sem final feliz é coisa impensável, e os atores que interpretam vilões não raro são alvo de agressão verbal e até mesmo física por parte de pessoas que não sabem distinguir o campo ficcional da realidade.
Dessa forma, radicalizar os realities iria em direção oposta ao que o público brasileiro gosta de consumir na TV: as ilusões de que está tudo bem e de que tudo tem final feliz.


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sábado, julho 03, 2010

Rio technicolor - Copacabana Palace (1962)


(via @luisnassif)

Produção Franco/ Italiana/ Brasileira de 1962, Copacabana Palace é um filme que não passaria de médio não fosse a qualidade da trilha sonora, onde estão presentes João Gilberto, Tom Jobim, Luis Bonfá, Os Cariocas e Norma Bengell. Além disso, as imagens em Technicolor de um Rio de Janeiro do princípio da década de 60 são belíssimas.

O filme começa com um avião da Panair pousando no Santos Dumont, enquanto, na trilha sonora, uma cantora italiana emite em bom português os acordes de ‘Samba do avião’. Mylene Dèmongeot, que - parece - teve um caso com Tom Jobim no Rio, até hoje conta que a música foi composta para ela.

Três estrangeiros desembarcam no Rio: uma princesa (Mylene), que chega cheia de fantasias de passar três noites de amor tórrido com o amante que trouxe da Europa; um golpista que banca o milionário para roubar as jóias de milionários de verdade; e uma aeromoça (Koscina), que quer aproveitar a escala no Rio para travar um contato mais profundo com um artista brasileiro que tinha conhecido em Lisboa: Tom Jobim!!! Todos se hospedam no Copacabana Palace.