Sexta-feira, Dezembro 30, 2011

Pegou ...

A letra da música tem 248 caracteres em três estrofes (dois tercetos e uma quadra) que se repetem três vezes, em 2min45, sendo que da primeira para a segunda estrofe as únicas palavras que mudam são "nossa, nossa" trocadas por "delícia, delícia".

É executada (nos dois sentidos) em quatro acordes: B F# G#m E (Si, Fá sustenido/Sol sustenido menor, Mi). Fui o espectador número
95.895.107 do clipe, hoje cedo, no Youtube.

Pronto! Só isso que tinha para falar sobre "Ai, se eu te pego", do cantor neo-sertanejo Michel Teló, que, em artigo da revista Forbes desta semana, teve o sucesso internacional comparado ao de Carmen Miranda, Ronaldo e Pelé, que entraram para a história com bem mais do que uma música, um filme ou um gol.

Não sei de onde surgiu, qual a idade ou se já compôs outra música - e confesso que não me interesso muito, apesar de a música grudar que nem chiclete. O hit soma mais de 95 milhões de acessos no Youtube e é a mais baixada no iTunes em países como Portugal, Alemanha e Argentina. Segundo a revista, calcula-se que o cantor lucrou em torno de R$ 33 milhões. Dificilmente, para não dizer nunca, vai ser biografado pelo Ruy Castro ou ser chamado de Rei por isso.

Economicamente, abre as portas do mundo para o entretenimento brasileiro, ajudando a exportar Paula Fernandes e Luan Santana, nossas versões de Shania Twain e Justin Bieber. Nas últimas cinco décadas, oferecemos ao exterior Tom, Sérgio Mendes, Milton Nascimento, Naná Vasconcelos, Toninho Horta, Sepultura e engolimos muita coisa indesejada. Estava na hora de aprontarmos uma com eles...

Quinta-feira, Dezembro 29, 2011

Oremos

Grandes momentos do jornalismo:

Diferentemente do que foi publicado no texto "Artistas periféricos passam despercebidos", à pág. 5-3 da edição de ontem da Ilustrada, Jesus não foi enforcado, mas crucificado, e a frase 'No princípio era o Verbo' está no Novo, não no Velho Testamento."

(Folha de S. Paulo - 7.dez.94)

Quarta-feira, Dezembro 28, 2011

Eros no caos



Em ano de Primavera Árabe, morte de Osama Bin Laden e Steve Jobs, crise europeia, dos movimentos de ocupação, de Fukushima e outros desastres, imagens fortes não faltaram. Mas em meio a tantas fotos de guerra, sangue, tiroteio e destruição (como vocês podem ver nesta excelente seleção), fico com o lirismo do registro Rich Lam/Getty Images, em Vancouver (Canadá), durante a violência gerada pelos torcedores do time de hóquei local, Canucks, após a derrota para o Boston Bruins, em julho, na decisão da Stanley Cup.

Lembrei, aos escolher a foto, do texto "Eros no caos dos egos em fúrias" publicado pelo Piauí #58, que acompanha as fotos da manifestação na seção _portfólio.

Terça-feira, Dezembro 20, 2011

Ilhabela vale um conto…



“Amanhã à noite o tempo muda. O mar vai ficar grosso e, para atravessar, só até o meio da tarde”. A previsão do canoeiro Didico, que há 30 anos vive da pesca e da travessia entre o canal de São Sebastião e a Ilhabela, Litoral Norte de São Paulo, soou como um preceito. No fim do dia seguinte, o tempo escureceu, a chuva veio e nenhum boneteiro saiu ao mar.

A praia do Bonete é uma das mais de 40 que formam Ilhabela, município-arquipélago a 135 quilômetros da capital São Paulo. Fica ao sul da ilha, na costa voltada ao oceano Atlântico, e pode ser acessada de barco – os boneteiros oferecem o serviço, saindo de São Sebastião ou da Ponta do Sepituba, variando de R$ 50 a R$ 80 por pessoa – ou pela trilha que rompe a mata atlântica, passando por duas cachoeiras: Lage e Areado. A caminhada de 11.740 metros tem grau de dificuldade elevado e dura em média quatro horas.

O Bonete é a praia mais longa da ilha, com mais de 600 metros de extensão de areia e árvores chapéu-do-sol, nas quais os turistas se aproveitam da sombra e os boneteiros se estendem à sesta. Em uma das pontas, desemboca o rio Nema, que os pescadores usam para manobrar seus barcos. As praias da costa oceânica, por serem de difícil acesso, se tornaram rota de turismo ecológico, de pesquisadores e surfistas. Os 27.025 hectares de preservação de mata atlântica representam 85% da Ilhabela.

A água vem da montanha e move o gerador de energia que abastece a comunidade de cerca de 90 casas – 50 de moradores e as mais recentes de veranistas –, bares, restaurantes e pousadas. A maior parte das construções, de pau-a-pique, se aglomera em uma mesma ruela, que faz a curva e sai do outro lado da praia, passando pela capela de Santa Verônica, onde os pescadores pedem proteção.

O bonete é berço de uma tradicional comunidade caiçara, que começou a se formar no século 16, resultado da miscigenação de nativos e piratas europeus, principalmente espanhóis e britânicos, que abandonaram o ofício e se fixaram no local. O caiçara, palavra de origem tupi usada para designar os habitantes de zonas litorâneas, do Sul fluminense ao Sul do Paraná, vive da pesca e agricultura de subsistência.

“A gente nunca saiu daqui, apesar de ficar cada vez mais difícil viver longe da cidade. Meus avós, pais e irmãos nasceram de parteira e a vida gira em torno do que o mar nos oferece. Seja trabalho ou alimento”, conta Débora Santos de Souza, de pouco mais de 30 anos e mãe de três filhos, que carrega o sobrenome de um dos piratas que povoaram a praia: Guilherme de Souza, de origem desconhecida, que pilotava um barco à vela, e a família Santos, que se iniciou com o casamento de um congo com uma parteira. Como a documentação é escassa, a cultura e história da praia são transmitidas através da cultura oral.

Tradição e modernidade
Embora a distância seja longa e o acesso à cidade, difícil, os mais jovens mantém forte relação com a cultura urbana. Camisa do atacante Neymar, do Santos, parece uniforme obrigatório entre os moleques. Enquanto Débora conversava, seu filho, Walter, de nove anos, ficava admirado com a câmera e pedia, a cada foto, para se ver no visor. Os meninos da vila, passam a noite de olho nos notebooks, mesmo que a internet, por meio de hotspots, seja lenta. Uma das lanchonetes, com placa amarela e vermelha, sustenta nome sugestivo: McBonets.

Os mais velhos vivem da pesca. E, como na história de Ernest Hemingway (O velho e o mar, 1952), tratam o mar com devoção e tiram dele o sustento, com persistência. Pescam enchova – peixe de carne saborosa e fácil de pescar –, sardinha e tainha, entre outros mais. Os peixes são servidos junto com a tradicional farinha de mandioca, fabricada pelas mulheres da vila.

Os caiçaras são, originalmente, um povo de origem católica, herança da colonização portuguesa. Há várias festas tradicionais ao longo do ano, como a homenagem à Santa Cruz, em maio, e da Santa Verônica, em julho, que atrai muitos turistas. Os mais velhos saem pela ilha, como em uma folia de reis, entoando antigos cantos. Um deles, eu aprendi antes de sair. “Ilhabela vale um conto/ O Perequê conta cem/ O Bonete vale tudo/ pela beleza que tem”.

Os caiçaras

A palavra caa-içara é de origem tupi: caa (galhos, paus ou mato) e içara (armadilha). O termo é usado para denominar as comunidades de pescadores tradicionais da região litorânea do Paraná, São Paulo e Sul do Rio de Janeiro. As primeiras comunidades datam do século 16, da miscigenação de nativos e piratas europeus. Mais tarde, receberam influências de negros libertados da escravidão. Os caiçaras evoluíram aproveitando os recursos naturais, que resultou numa grande intimidade com o ambiente. Povo anfíbio, entre o mar e a floresta, estas pequenas comunidades tentam, ainda hoje, preservar seus valores de grupo. Seus territórios - praias e enseadas - são de difícil acesso. Atualmente, estas terras são alvo da especulação imobiliária, por causa de sua beleza e excelente estado de conservação.

Titanic à brasileira

A intimidade com o mar garante ao caiçara o trabalho e a sobrevivência, uma vez que as rochas e a profundidade do canal de São Sebastião exigem muita técnica de quem se aventura mar adentro. Entre 1882 e 1991, 14 grandes embarcações naufragaram no entorno da Ilhabela. O caso mais conhecido é do luxuoso Príncipe de Astúrias, um paquete espanhol, que se chocou com as rochas da Ponta da Pirabura, ao sul da ilha, em 5 de março de 1916, quatro anos depois de o transatlântico britânico Titanic se chocar com um iceberg no trajeto Liverpool-Nova York. O navio, que partiu de Barcelona, em 15 de fevereiro, fazia sua sexta viagem à América Latina. Por volta das 4h da manhã do dia 5, porém, bateu violentamente na laje submersa da Ponta da Pirabura, abrindo uma enorme fenda no casco, desaparecendo em menos de cinco minutos. Cerca de 450 pessoas dos 578 tripulantes morreram, sendo arremessados contra o íngreme costão da ponta da Pirabura. Muitos corpos chegaram às praias da ilha arrastados pela maré, fato que sustenta causos de mistério e heroísmo até hoje.

Quarta-feira, Dezembro 14, 2011

O Grito



A foto de Jackson Romanelli, na capa do Estado de Minas de ontem (13/12) é uma das melhores do ano. A ajudante de cozinha Naielle Cristina Alves da Silva, de 21 anos, presa nas ferragens da van atingida por ônibus na segunda-feira na BR-040, em Ribeirão das Neves, Região Metropolitana de Belo Horizonte, em acidente que envolveu quase 100 pessoas e deixou 31 feridos.

Segunda-feira, Dezembro 12, 2011

114 coisas que fiz em BH


Já fui atendente de lan house na Savassi. Não perdi o sotaque. Entendi que “garrado” pode significar várias coisas, inclusive antônimas. Expliquei mais de 114 vezes onde fica Ilicínea. Corri na Praça da Liberdade, na barragem Santa Lúcia, no Parque Municipal, atravessei andando o viaduto de Santa Tereza sozinho depois das 2h, desci Bahia e subi Floresta, vi o dia amanhecer de cima da Serra do Curral e anoitecer sentado na Praça do Papa. Vi a cidade de cima várias vezes. Nunca fui assaltado. Morei no Barro Preto e, embora hoje more em cima, fui duas ou três vezes, no máximo, na Feira de Artesanato da Afonso Pena.

Comi tropeiro do Dondinho, torresmo do Orlando, macarronada do Bolão, mexido do Chopp da Fábrica, pirata do Marcinho, omelete do Rei do Omelete, batata com bacon do Balaio, filé à cubana do Lucas, feijoada do Jorge Americano, pizza do Cardoso, empanada do Pizza Sur, costela do Fogo de Chão, picanha da Adega do Sul e juntei pratinhas para comprar um marmitex do Mercado Novo. Nunca atrasei o aluguel. Já me chamaram de Sorín e me confundiram com Loco Abreu. Joguei futebol na Toca da Raposa. Jogo futebol toda semana e marco gols. Ainda não comprei um contrabaixo, nem um iPhone, mas saí para pesquisar preço várias vezes.

Já vi Chico Buarque no Palácio das Artes, Slayer no Chevrolet Hall, João Donato e Egberto Gismonti na Praça do Papa, Bituca em todas as casas possíveis, Iron Maiden e Ozzy no Mineirinho e conversei com John Pizzarelli sobre amenidades no Conservatório. Vi, às terças, o genial Nenem ao lado de Beto Lopes naquele inferninho da Timbiras. Assisti Chico Amaral no Centroequatro e uma Jam com Toninho Horta outros ases e alguns curingas no Godofredo. Já fui à gafieira e em show de death metal no Armazém, de trash metal no Lapa e de glam rock no Matriz. Já fui em show para agradar amigo. Pedi autógrafo para o Ruy Castro e fiquei na fila para ver uma palestra do Luis Fernando Veríssimo, que não falou quase nada.

Assisti Cruzeiro e Atlético no Mineirão e sei a falta que faz. Comi o tropeiro do Mineirão e sei a falta que faz. Vi, à minha frente, o Coelho dar um safanão no Kerlon Foquinha. Vi o Flamengo perder e ganhar. Levei bolada na final da Superliga e entrei em briga de Flamengo e Boca Juniors na Liga das Américas de Basquete. Perguntei sobre o caso de doping ao Cesar Cielo e levei uma patada. Fiz uma jogadora de vôlei chorar ao revelar que seu time tinha sido eliminado. Depois, fiz as contas, e o time ainda tinha chance. Fiz pergunta besta em coletiva. Ajudei Itamar Franco a subir no carro de som e vi uma mulher desmaiar ao ser beijada no rosto pelo Aécio. Voltei de Santa Tereza trocando as pernas, me esqueci de algumas noites anteriores. Fiquei bêbado no Maleta, no Clube da Esquina.

Rezei na Igreja da Boa Viagem e fiz promessa na de São Sebastião.

Conheci o amor da minha vida, Mariana. Levei-a para jantar no Atlântico e dividi com ela um PF no Casão. Fiz faculdade. Fiz amigos, alguns que tenho certeza que vou levar para a vida toda. Já tomei o cafezinho do Nice e já bebi mais de 114 cafés no Café Kahlua – o último, um delicioso Araponga, neste minuto.

Me arrependo de umas 114 coisas que fiz e me orgulho de mais de 114.

Já fui estagiário do Estado de Minas, do Portal Uai, da Agência Pallavra Certa, coordenador de comunicação de uma central sindical, repórter dO TEMPO e voltei como repórter onde comecei na carreira (não na lan house, no EM).

Bebi uísque ao som de Miles e Itaipava assistindo do palco uma banda que nunca tinha ouvido falar e 80 mil se descabelavam lá embaixo (acho que Victor e Leo). Fiquei bêbado em baile de debutante de desconhecida. Fiquei bêbado em vários lugares, inclusive alguns inapropriados. Já assisti um culto na Igreja Universal (também bêbado). Jantei com um assassino. Conversei sobre lutas com um ministro.

Assisti Felini no sótão da Casa de Cultura da Rua da Bahia e tudo de Glauber Rocha no Humberto Mauro. Saí do Belas Artes sorrindo depois de Meia Noite em Paris. Não entendi os dois últimos filmes do Godard. Fui aspirante a cineasta. Menti ao falar que gostava de montagem soviética.

Fiz mais de 114 coisas que não posso revelar aqui.

Já perdi o horário. Perdi prova, apresentei trabalho sem ter lido. Defendi monografia com nota máxima. Dei e tomei furo. Errei informação. Ajudei amigo a fazer mudança e a pintar apartamento. Comprei 12 livros e já não tive dinheiro para comprar um. Peguei ônibus de madrugada. Conheci taxista cantor, taxista evangélico, taxista repentista, taxista gente fina e taxista que me mandou descer do carro. Andei mais de 15 quilômetros a pé em um dia.

Moro aqui há sete anos. Já desgostei de Belo Horizonte. Hoje, gosto.

Sexta-feira, Novembro 25, 2011

Salva-vidas

A sequência "Violência Abortada", de Epitácio Pessoa (Estadão), mostra o jovem reciclador Adriano Carlos Gonçalves da Silva, de 19 anos, fugindo amarrado, após escapar de dois homens que o executariam, no bairro Olaria (Lorena-SP). Adriano conseguiu se libertar com a chegada do carro da reportagem do Grupo Estado e o flagrante captado pelo fotógrafo. “Quando fiz as fotos me senti usado por Deus para salvar uma vida. Isso já foi o meu maior prêmio”, afirmou Epitácio, premiado com o Esso de Fotografia deste ano.


Sexta-feira, Novembro 18, 2011

Manezinho no topo do mundo

O ATP Finals, torneio que reúne os oito melhores tenistas da temporada, a partir de domingo (20/11), em Londres, foi palco da consagração de Gustavo Kuerten, que se tornou o primeiro brasileiro a atingir a liderança do ranking da Associação dos Tenistas Profissionais (ATP), com o título de 2000, em Lisboa, quando a competição ainda era chamada de Masters Cup. O feito fechava com brilhantismo a temporada mais vitoriosa de Guga, que havia conquistado naquele mesmo ano o segundo dos três títulos do Aberto da França, o do Masters 1.000 de Hamburgo e havia sido vice-campeão dos Masters de Roma e Monte Carlo.

Guga permaneceria no topo do ranking por 43 semanas até novembro de 2001, revezando no posto com o russo Marat Safin. Com o título no piso rápido de Lisboa, ele se tornou o 18º jogador a assumir a liderança, e o primeiro em nove anos a desbancar a hegemonia norte-americana, que, desde o sueco Stefan Edberg, em 1991, terminava o ano na liderança, com Jim Courier, Andre Agassi e Pete Sampras – os dois últimos os principais rivais do brasileiro em Portugal.

A estreia de Guga não foi nada promissora. Sentindo o peso da temporada desgastante, ele quase abandonou a partida contra Andre Agassi, mas ficou em quadra até o fim, perdendo, de virada, por 2 a 1. No dia seguinte, na partida decisiva, teve pela frente justamente o rival de Roland Garros, o sueco Magnus Norman, que havia lhe vendido caro a vitória no saibro francês por 3 a 1. Mais confiante, o brasileiro repetiu o triunfo, desta vez por 2 a 0, mesmo placar que eliminou o russo Yevgeny Kafelnikov, que lhe garantiria o segundo lugar no grupo e o duro desafio de enfrentar Pete Sampras na semifinal. O jogo foi épico, com vitória de virada do brasileiro por 2 a 1.

“Se me dissessem, quando o torneio começou e depois ainda de passar aquele aperto no início, que para ser campeão eu teria que vencer o Kafelnikov, o Sampras e o Agassi, em três dias seguidos, não acreditaria. Mas fui avançando aos pouquinhos, ganhando jogo por jogo, crescendo a confiança e, hoje, entrei com tudo na quadra,” contou Guga, na entrevista após o título.

Tranquilo e com a torcida a seu favor, Guga entrou na quadra central do Pavilhão Atlântico sem sentir que o jogo lhe valeria o título e o tão sonhado posto de nº 1 do mundo. Logo no primeiro game, quebrou o saque de Agassi, vantagem suficiente para fechar o primeiro set em 6/4. Na segunda parcial, manteve a mesma calma, mas a quebra veio apenas no quinto game. Com um ace, fechou novamente por 6 /4, placar repetido no terceiro set.



SALTO NO RANKING Guga surpreendeu o mundo ao conquistar o título de Roland Garros, em 1997, aos 21 anos. Ele encerrou aquela temporada em 14º, mas, sem títulos de expressão no ano seguinte, terminou 1998 em 23º. Em 1999, com os títulos do Masters de Roma e Monte Carlo, se firmou entre os 10 primeiros. Foi questão de tempo para, em 2000, atingir o topo do ranking.

A partir de domingo, oito tenistas disputam o tão sonhado título, embora o posto de nº 1 já esteja garantido pelo sérvio Novak Djokovic. Além dele, estão na briga Rafael Nadal, Andy Murray, Rafael Nadal, David Ferrer, Jo-Wilfried Tsonga, Tomas Berdych e Mardy Fish. (Renan Damasceno/Estado de Minas)

Quarta-feira, Novembro 16, 2011

Vale um conto

Desde Nove Rainhas (2000, dir. Fabián Bielinsky), considero Ricardo Darín um dos melhores atores em atividade no cinema mundial. Minha opinião foi ganhando consistência com a atuação do argentino em Kamchatka (2002, Marcelo Piñeyro), Lua de Avellaneda (2004, Juan José Campanella), culminando no premiado O Segredo de Seus Olhos (2009, Campanella), vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.

Entretanto, fui perceber sua versatilidade em dois filmes menores que assisti este ano: Carancho (Pablo Trapero), em que interpreta um advogado que aproveita de vítimas de acidentes de trânsito para lucrar o seguro -- conhecidos como Abutres --, e, agora, em Um Conto Chinês (Sebastián Borensztein), filme em cartaz no Brasil.

Um Conto Chinês, por ser despretensioso, surpreende pela sensibilidade de seus personagens. Solitário dono de uma loja de ferramentas, Roberto (Darín) é um veterano da Guerra das Malvinas que vive recluso em sua casa há vinte anos, cercado por suas manias. Seu sossego é interrompido por Jun, um chinês que apareceu depois de ser roubado e arremessado de um taxi em Buenos Aires.

Roberto não fala chinês e Jun não fala espanhol. Roberto procura o isolamento e Jun, um tio, seu único parente vivo. Apesar das diferenças e dificuldades, Roberto e Jun descobrem um inusitado elo nos recortes de notícias estapafúrdias colecionadas pelo argentino: uma vaca que caiu do céu.

O filme, mais um da rica produção argentina, sustentado pela figura de Darín (aqui, entrevista dele ao Starte, da Globo News), é marcado pelas sutilezas e rudez do amável protagonista. É um conto sutil, pequeno como um conto chinês, mas que se revela sábio e grandioso.



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Sábado, Novembro 12, 2011

Polícia, para! Quem precisa?

Não queria entrar no debate PM-USP, mas diante do reducionismo que se tornou o assunto – maconheiros x boçais, e nada mais –, uma coisa me impressionou nos últimos dias: ex-companheiros de faculdade, atuais universitários e tantas outras pessoas que passaram a vomitar moralidade e conservadorismo nas redes sociais.

Não que o argumento usado (de que os universitários não passavam de playboys, bancados pela família), não seja válido, mas pela forma que decidiram marginalizar a manifestação, criando uma patrulha moral e ideológica. Cuidado, pessoal, para não sair batendo continência ao primeiro golpe de estado ...





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Quarta-feira, Novembro 09, 2011

Smokin Joe



Renan Damasceno - Estado de Minas

Dentro do ringue, apenas dois homens foram capazes de superar Joe Frazier: Muhammad Ali e George Foreman. Fora dele, o primeiro homem a vencer Ali foi nocauteado na noite de segunda-feira, aos 67 anos, vencido por um câncer no fígado. Frazier, que recebeu o apelido de ‘Smokin’ Joe, por sua forma de se movimentar e esquivar no seu canto, não teve tempo para se defender da doença, descoberta há pouco mais de um mês, que o obrigou a se internar várias vezes nas últimas semanas na Filadélfia (EUA).


Nascido Joseph William Frazier, em 12 de janeiro de 1944, Joe era filho de uma família de lavradores da Carolina do Sul. Nos anos 1950, seus pais compraram uma TV e os sábados à noite se tornaram o momento de a família se reunir para assistir aos combates de Sugar Ray Robinson, Rocky Marciano, Willie Pep e Rocky Graziano. Apaixonado por lutas, o menino negro de apenas 12 anos não tinha dúvidas de que seria lutador e partiu para os treinos.

Mudou-se para a Filadélfia, quando foi descoberto, ainda jovem, pelo manager Yancey Durham. Em pouco tempo, conquistou as famosas Golden Gloves (Luvas de Ouro) por três anos consecutivos, em 1962, 1963 e 1964. Em Tóquio’1964, aos 20 anos, foi campeão olímpico dos pesados, dando início à lucrativa carreira profissional.


Frazier, apesar de ter sido um pugilista baixo para os padrões dos pesos-pesados (1,85m e 110kg), compensava a falta de estatura com a ferocidade que lhe rendia a comparação com um “touro raivoso”. Disputou 13 títulos mundiais dos pesos pesados. Recebeu o cinturão de seu compatriota Buster Mathis, em 4 de março de 1968, e o entregou a George Foreman em 22 de janeiro de 1973, em Kingston, Jamaica. Em 1970, venceu o compatriota Jimmy Ellis e unificou o título do Conselho Mundial de Boxe (CMB) e o da Associação Mundial de Boxe (AMB).

DO MADISON A MANILA Frazier tinha um devastador gancho de esquerda. Foi exatamente o temível golpe que levou Cassius Clay, que mais tarde passaria a usar o nome de Muhammad Ali, à lona no 15º assalto do combate no Madison Square Garden (Nova York), em 1971.

Até 1973, quando perdeu os títulos para George Foreman, Frazier foi imbatível. Tentou duas vezes recuperar o posto de campeão, mas perdeu para Ali, em 28 de janeiro de 1974, no mesmo ginásio nova-iorquino, e, um ano mais tarde, na sangrenta luta entre os dois, em Manila (Filipinas).

Desafetos, Frazier e Ali se provocavam. Mas o maior boxeador de todos os tempos lamentou a morte do ex-rival, a quem não poupou elogios. “Eu sempre me lembrarei de Joe com respeito e admiração”.


MEMÓRIA





A luta do século

Joe Frazier ficará na memória dos amantes do boxe por ter sido o primeiro a derrotar Cassius Clay, que mais tarde passaria a se chamar Muhammad Ali, no auge de sua glória, em 8 de março de 1971, no Madison Square Garden (Nova York). Batizado de A luta do Século, o combate foi dominado por Ali nos três primeiros assaltos e por Frazier, a partir do quarto. No sexto, Ali demonstrava muito cansaço e Frazier aproveitou para encurralá-lo. No último round, Joe acertou belo gancho de esquerda, desequilibrando o oponente. Na decisão por pontos, os juízes deram a vitória a Frazier por unanimidade. A derrota foi muito sentida por Ali, que voltou a disputar um cinturão mundial apenas em 1974, quando superou George Foreman, em luta no Zaire, confronto retratado pelo documentário Quando éramos reis.

Quarta-feira, Outubro 26, 2011

Terça-feira, Outubro 18, 2011

Anagramas (parte 3)

O R L A N D O S I L V A

S A L V O N O A R D I L




Quarta-feira, Outubro 12, 2011

Digital x Papel


A internet modificou muitos aspectos do nosso cotidiana e, como não poderia ser diferente, alterou nosso relacionamento com os meios de comunicação -- e com os jornais diários, em particular.

A Associacion para la Investigación de Medios de Comunicacion (AIMC), da Espanha, acaba de publicar a pesquisa "A imprensa: Digital x Papel", que investigou o comportamento e as preferências dos leitores em relação aos sistemas de distribuição de conteúdos, tradicional e online.

O quadro acima, retirado do site Paperpapers, resume bem qual tipo de conteúdo os leitores procuram em cada plataforma. Uma leitura rápida é suficiente para perceber que o público consome jornal impresso para formar opinião e aprofundar em assuntos e temas -- o que nos leva a concluir que o papel deve ser cada vez mais analítico, responsável por ler e traduzir a notícia para o cotidiano do leitor. O breaking news (os boletins curtos e instantâneos) e a cobertura full time passam a ser, em definitivo, função da internet.