terça-feira, novembro 06, 2012

quarta-feira, setembro 26, 2012

Chance para ver Bird


Até quarta-feira que vem, o Cine Humberto Mauro, do Palácio das Artes, exibe a mostra Clint Eastwood com 11 filmes do diretor, sendo dois imperdíveis: o western os Imperdoáveis, (gênero que consagrou Clint como ator) e Bird, cinebiografia do saxofonista Charlie Parker, em atuação irretocável de Forest Whitaker. 


Bird é de 1988 e o terceiro de uma sequência de trabalhos de Whitaker com grandes diretores. Em 1986, atuou em Platoon, de Oliver Stone, e em A cor do dinheiro, de Martin Scorsese. Ao viver de forma impecável o pai do Bebop, Whitaker ganhou o prêmio de melhor ator em Cannes e indicação ao Globo de Ouro -- não foi indicado ao Oscar, que foi, com justiça, para Dustin Hoffman (Rain Man).

Bird também marca a carreira de Clint por ser o primeiro filme em que trabalhou exclusivamente na direção e produção, sem atuar. Ele interpretava desde 1955, quando estreou em Revenge of the Creature, em papel tão coadjuvante que sequer é citado nos créditos. A estreia na direção foi em 1971, no thriller Play Misty for Me.

A seleção de filmes mostra um Clint Eastwood capaz de passear com desenvoltura por diferentes gêneros cinematográficos: do western (gênero no qual se consagrou como ator) com "Os Imperdoáveis", ao melodrama em "As Pontes de Madison"; do cinema de biografia, com "Bird", ao drama social de "Menina de Ouro"; do thriller psicológico presente em "Sobre Meninos e Lobos", ao filme de guerra, em "Conquista da Honra" e "Cartas de Ivo Jima".



terça-feira, julho 17, 2012

Olimpíada em rede

Estamos a pouco mais de uma semana dos Jogos Olímpicos de Londres. Apesar do esforço de organizadores em controlar o acesso dos atletas às redes sociais e limitar o compartilhamento de conteúdo feito pelo público de dentro das arenas, a internet vai ter impacto significativo na maneira em que os espectadores se relacionam com o maior evento no esporte. Ninguém ficará de fora, mesmo se o interesse for mínimo.

Em Pequim, eram 6 milhões de contas no Twitter. Hoje, mais de 140 milhões. Neste período, o Facebook se consolidou como principal rede social, com mais de 900 milhões de usuários. Alguém duvida que qualquer fato olímpico relevante -- conquista ou fiasco -- vai ocupar em poucos minutos o topo dos Trending Topics ou a timeline do Facebook?



Com informações do Mashable via @midia8

O novo Pelé

A edição especial Veja Olimpíada, nas bancas desde ontem, faz alusão à histórica capa da primeira edição da extinta Realidade, de abril de 1966, com Pelé vestido de guarda da rainha, dois meses antes da Copa do Mundo da Inglaterra. O "novo Pelé" é Neymar, também ídolo santista, principal esperança da inédita medalha de ouro olímpica – a conquista que falta para a galeria de títulos da Seleção Brasileira.

A aposta foi boa, mas que a homenagem não termine de forma trágica, a exemplo da campanha verde-amarela que buscava o tri consecutivo em 1966. Na ocasião, o time do técnico Feola venceu Bulgária por 2 a 0 e foi derrotado por Portugal e Hungria, ambos por 3 a 1, caindo na primeira fase.



segunda-feira, julho 16, 2012

Woody Allen, meus 10 filmes preferidos

Ainda no embalo de "Para Roma, com amor" -- novo filme do Woody Allen em homenagem às cidades europeias, que chega à capital italiana depois de passar por Londres, Barcelona e Paris --, saí do cinema tentando listar meus filmes preferidos do diretor.

Claro que Woody Allen dirige mais filmes do que eu tenho tempo para vê-los. Mas assistir um, assim como abrir um pacote de biscoitos, torna impossível deixar de devorar o próximo. E assim foi desde que vi Desconstruíndo Harry, há alguns anos.

Depois de muito pensar e pesar cheguei à lista dos 10, respeitando ESTRITAMENTE MEU GOSTO. Desta forma, alguns títulos, como o consagrado Hannah e suas irmãs, na lista de 9 em cada 10 apaixonados por Allen, não está na minha relação. Também por este critério, deixo claro que qualquer filme com Diane Keaton leva ampla vantagem sobre os demais.

Por não ter conhecimento técnico e cinematográfico suficientes, desconsidero fotografia ou profundidade do roteiro, deixando de fora, por exemplo, filmes daquela onda meio bergmaniana da década de 1980, para mim, meio chatos. Para me limitar, resolvi escrever poucas linhas sobre cada filme. Para saber mais, corra para a locadora (ou para o Megaupload, f*** S.O.P.A).


1 - Meia-noite em Paris (2010)
Juntar Hemingway, Fitzgerald, Buñuel, entre outros, em um mesmo enredo tornando-os personagens tipicamentes de Woody Allen, sem ser artificial e ainda conectando-os ao nosso tempo, é o grande trunfo do filme. E ainda tem Paris e Marion Cottilard.

2 - Manhattan (1979)
Tem a Diane Keaton. A trilha sonora é assinada por Gershwin, a fotografia em um romântico preto e branco e os personagens naqueles desencontros e questionamentos de sempre.

3 - Zelig (1983)
Um falso-documentário divertidíssimo sobre Zelig (WA), que assumia as feições das pessoas que convivia. Atuação primorosa.

4 - Tudo o que você queria saber sobre sexo (mas tinha medo de perguntar) (1972)
Uma série de esquetes que vai do TV show "qual é a sua perversão?", com Gene Kelly, à ficção científica que resulta em uma teta gigante e assassina. O Grand Finale é o espermatozóide quertionador vivido por Allen.

5 - Annie Hall (1977)
É o auge dos romances neuróticos do diretor. Talvez seja o filme que melhor sintetiza o seu estilo.

6 - A última noite de Boris Grushenko (1975)
Uma sátira dos grandes romances russos. Boris é um soldado covarde e medroso, um anti-herói que, temeroso com a morte, resolve chamá-la para dançar.

7 - Desconstruíndo Harry (1996) 
Depois de passar por uma fase com filmes mais "profundos" e viver um inferno astral no divórcio com Mia Ferrow, Allen renasce com esse filme. Comédia ao seu melhor estilo.

8 - A Era do Rádio (1987)
As trilhas sonoras são a cereja de bolo dos filmes do diretor, geralmente revivendo e redescobrindo algum clássico do jazz da década de 1930/1940. Neste filme, ele resolve fazer da música e dos anos de ouro os seus protagonistas.

9 - Dorminhoco (1973)
Comédia pastelão de primeiríssima qualidade. Allen em atuação a Buster Keaton. Por falar em Keaton, tem a Diane (no auge).

10 - Vicky Cristina Barcelona (2008)
Poderia fechar a lista com o ágil e sarcástico Bananas ou com o mamão com açucar Match Point. Mas Vicky Cristina reúne ótimos atores, uma bela cidade e um diretor que não tem medo de se reinventar.

segunda-feira, julho 09, 2012

Perdeu como britânico


Uma frase do chefe de esportes da BBC, Tom Fordyce, resumiu na medida exata a derrota do anfitrião Andy Murray para o suíço Roger Federer, na decisão do Aberto de Wimbledon, neste domingo, no sul da capital inglesa: Murray perdeu a final, mas ganhou o coração dos britânicos. Sem título de um tenista da casa desde o tri de Fred Perry, 1934-1936, e com a frustração de sete quedas em semifinais nos últimos anos com Tim Henman e com o próprio Murray, os britânicos vislumbravam, enfim, encerrar o jejum de sete décadas. Mas ainda não foi desta vez.

Apesar da frustração, os fãs entenderam o esforço de Murray e, claro, a superioridade de Federer -- o maior tenista de todos os tempos e, com o troféu, o melhor por mais tempo, superando Sampras em número de semanas como nº1 do mundo, com 287. As lágrimas do britânico estamparam todas as capas, acompanhadas de frases de apoio.

Murray sai fortalecido de Wimbledon e encerrou uma maldosa brincadeira que o acompanha: quando vence é britânico. Se perde é escocês.

Desta vez, Murray perdeu como britânico.

sábado, junho 23, 2012

Um dia sem futebol

Em setembro do ano passado, um torcedor do Alianza Lima morreu em uma briga entre a torcedores de sua equipe e do Universitario -- clássico do futebol peruano -- no estádio Monumental de Lima.

Walter Oyarce, que foi arremessado de uma tribuna do estádio, tinha 24 anos e faleceu quando era levado em uma ambulância a um hospital de Lima. A polícia não conseguiu prender o agressor porque torcedores impediram que as autoridades o encontrassem.

Dias depois, a Federação Peruana de Futebol anunciou que o campeonato retornaria no mês seguinte e proibiu a torcida de entrar nos estádios.

Para o diário esportivo El Bocón, a violência culminaria na morte do futebol nacional. Em protesto, saiu com os espaços comumente dedicados ao futebol em branco. Um jornal sem notícias, com uma mensagem: "Continuar com a violência só fará  nosso futebol desaparecer. Cuidemos do futebol, cuidemos da vida.

A iniciativa venceu o Leão de Ouro em Cannes, categoria "Best use in Print"



Vi no Midia Mundo

sábado, junho 16, 2012

Nocaute no boxe mineiro

A história sempre nos surpreende. E foi puxando fio por fio (do telefone), página por página (do acervo do EM) e personagem por personagem, que reconstruí uma época gloriosa do esporte mineiro que caiu no ostracismo: os anos de ouro do boxe, que revalizava com o futebol na era pré-Mineirão. As histórias dos lutadores, hoje septuagenários, são deliciosas, de cinema.

Renan Damasceno - Estado de Minas

Quarta-feira, 20h30. O público ainda se acomodava na arquibancada do Ginásio do Paissandu, na Lagoinha, e as câmeras da TV Itacolomi passavam pelo último teste antes de a luz principal acender e o alvoroço se aquietar. “Boa noite, senhoras e senhores. Está começando mais um Telebox Bemoreira. Deste lado do ringue...”, era o procedimento quase litúrgico do narrador Ulisses Nascimento, o Gravatinha, ao anunciar os lutadores que, no fim da década de 1950, movimentavam a capital mineira em acaloradas lutas de boxe....

domingo, junho 03, 2012

Mudaram as estações ...

Vídeo disponibilizado pelo British Council (aqui) mostra como era o processo de confecção de um jornal impresso em 1942.

Desde então, saíram as máquinas de escrever e chegaram os computadores, as prensas deram lugar às rotativas modernas e a pesquisa digital poupa os jornalistas de consultar tomos e mais tomos no departamento de documentação.

Já o processo de produção, da reunião de pauta ao deadline, passando pela apuração e redação, pouca coisa mudou.

  Via Webmanario

Jornalismo e memória

O Estado de S. Paulo disponibilizou no fim de maio uma preciosidade para pesquisadores, historiadores e interessados pelas mudanças do país e do mundo no último século. Estão no ar as edições editalizadas de 137 anos do diário paulista, desde a primeira edição em 4/1/1975 do então A Província de S. Paulo. São 2,4 milhões de páginas.

Os detalhes da digitalização, aqui. E o link para o Acervo Estado, aqui

Outros dois importantes jornais também têm seu acervo para pesquisas na web. A Folha de S. Paulo -- que reúne também as páginas de Folha da Manhã e Folha da Noite, desde 1921 -- e o extinto Última Hora, que teve as 36 mil páginas de cinco anos de jornal (1951-56) digitalizadas pelo Arquivo Público de São Paulo.


Divirtam-se.

quinta-feira, maio 17, 2012

Sexo na cidade


Arte arrojada na capa da revista Barcelonês
via El Portadista

sexta-feira, abril 27, 2012

Gràcies, Pep!

Este blog fala pouco de futebol - deixo isto para meu trabalho nas páginas diárias. Mas como o Barcelona é, antes de tudo, uma expressão de arte e meu texto no papel servirá apenas para embrulhar peixe amanhã, não pude deixar de registrar aqui a despedida de Pep Guardiola do comando da seleção catalã (seleção, sim, pois é um selecionado de nijinskys em busca da perfeição).

Por este perfeccionismo, poderia comparar o estilo Guardiola à direção de Stanley Kubrick, que repetia cada enquadramento à exaustão, ou a um conto de Borges, onde cada palavra, maior ou menor, tem sua parcela na métrica, no ritmo. Falar que o Barcelona joga por música é lugar-comum.

Da mesma forma que ouço saudosismos sobre as seleções de 1970 e 1982, de Zizinho, Pelé, Platini, Cruijff e Beckenbauer, poderei contar aos meus netos que vi dois momentos inesquecíveis no futebol: o gol de Petkovic na final do Carioca'2001 -- que é o maior momento da história esporte -- e o Barcelona de Pep Guardiola.

(Vale a pena ler o perfil de Pep, publicado no El País e traduzido pelo Ilustríssima, da Folha, sobre os dois anos sabáticos do treinador antes de assumir o Barça. Exemplar)



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quarta-feira, abril 25, 2012

Esporte e pedofilia, uma cortina de silêncio

No início de maio, ao lado do fotógrafo Jair Amaral, fui à Caratinga, no Vale do Rio Doce, para saber como reagiram amigos e parentes de alguns garotos vítimas de suposto abuso sexual por parte de um treinador de futebol local, Maguila, que tinha bom trânsito entre grandes clubes do Rio e de Minas. 

Uma operação deflagrada em janeiro pela Polícia Civil acusou o treinador de induzir e seduzir jovens a atos sexuais, vendendo-lhes a falsa ilusão de conseguir espaço em algum grande clube do país.

A história dos meninos de Caratinga se repete Brasil afora, mas são abafadas pela conveniência, pelo medo e a vergonha. E não é de hoje, como comprova denúncias de esportistas famosos que vão das ginastas Nádia Comaneci e Olga Korbut à nadadora Joanna Maranhão, que dá nome a projeto de lei em tramitação que amplia o tempo para prescrição do crime.

O acesso às pessoas próximas ao caso foi difícil e a recepção, inóspita. Segundo o delegado do caso, os pais preferiam acreditar que era mentira da polícia a aceitar que o filho havia sido abusado.O que me surpreendeu foi a cortina de silêncio na cidade. A pedofilia é uma mancha que, mesmo acobertada, macula o esporte.




A REPORTAGEM COMPLETA ESTÁ AQUI

terça-feira, abril 24, 2012

Hemingway and Gelhorn

Pouco mais de um ano depois de ser interpretado por Corey Stoll, no genial Meia-noite em Paris, Ernest Hemingway volta às telas, desta vez como protagonista. 

A HBO divulgou o primeiro trailer de Hemingway & Gelhorn, estrelado por Clive Owen e Nicole Kidman, sobre a relação entre o romancista e a correspondente de guerra Martha Gellhorn (mais sobre os dois aqui)

Eles se conheceram na Flórida, em 1936, e em seguida Gelhorn foi destacada para cobrir a Guerra Civil Espanhola (1936-1939). O divórcio inspirou Hemingway a escrever o romance Por quem os sinos dobram. 

Aos apaixonados por literatura, lembro que está previsto para o fim do ano o lançamento de On the Road, de Jack Kerouac (dir. Walter Salles), que concorre à Palma de Ouro em Cannes.

segunda-feira, abril 23, 2012

Para que serve um blog?

Este blog entrou em crise de identidade - haja visto a infrequência das postagens. Ficou vago, perdido entre tantas formas de produção de conteúdo que, voluntária ou involuntariamente, despejamos nas redes sociais.

Usava este espaço para textos mais longos, mas o tempo para reflexão ficou espremido entre frases de 140 caracteres que posto todo dia o dia todo no Twitter, alguns links que compartilho no Facebook e fotos (agora com filtros cool!) que descarrego no intagram.

Confesso que esta criação full time e multimidiática me dá a sensação de estar em uma barraquinha que, entre maçãs do amor e algodão doce, está pendurado a placa "troco frases, fotos e sacadas descartáveis por likes e compartilhamentos".

Vou tentar tocar esta Moviola, cada vez mais dando jus ao nome: recortando e montando alguns fragmentos da realidade. Mas agora em versão curta-metragem.

sexta-feira, março 30, 2012

Heleno, estrela trágica

Foram alguns meses de pesquisa, algumas semanas fazendo contatos e cinco dias de viagem para recontar a trágica história do craque-galã da década de 1940, Heleno de Freitas, ídolo do Botafogo e playboy da high society carioca, que morreu louco com apenas 39 anos, em um hospício em Barbacena.


Foi um dos trabalhos -- não são muitos, claro --, que mais gostei de fazer. Ao lado do fotógrafo Alexandre Guzanshe, fui a São João Nepomuceno, cidade natal do jogador, ao Rio, conversar com o único filho, e a Barbacena.


Entrar no hospício desativado, onde hoje funciona um hotel com os dias contados, foi uma experiência estranha. Mas as histórias dos personagens que viveram com Heleno, há meio século, são fascinantes. O resultado foi o caderno Heleno, Estrela Trágica, publicado no Estado de Minas, em fevereiro:

quarta-feira, março 28, 2012

O futuro

Diario La Nación de Buenos Aires, 4 de março de 1981

Vi no Paper Papers