
''São pessoas bem diversas, não dá para responder essa pergunta de maneira fácil. Não existe um padrão, mas tem muita gente do Rio, São Paulo e do Sul. Principalmente a rede de atrizes está bem concentrada nessa região'', afirma.
Em sua tese, no entanto, ela identifica os locais onde ocorrem a maior parte do recrutamento dos atores e atrizes, e a maioria deles está ligada à prostituição, como boates, pontos de rua ou sites de acompanhantes.
Em sua pesquisa, Maria Elvira acabou traçando um perfil do universo pornô brasileiro, mas ela conta que foi dificil quebrar a barreira inicial para entrar nesse mundo. ''Eu escrevia para produtoras, entrava em contato pelo 'fale conosco', mandava mensagens por Orkut e nunca tinha resposta''.
Sua sorte mudou quando um jornalista do Rio lhe passou o telefone pessoal de Rita Cadillac. A ex-chacrete e atriz pornô não só aceitou dar uma entrevista à pesquisadora como conseguiu outros contatos para ela. Na mesma semana, outro golpe de sorte: um produtor da Brasileirinhas, a maior produtora de filmes pornográficos do país, entrou em contato com Maria Elvira e a convidou para o lançamento do filme pornô de Mateus Carrieri. A partir daí, tudo ficou mais acessível e, entre 2006 e 2008, a antropóloga entrevistou mais de 50 pessoas e acompanhou várias produções em São Paulo, desde o recrutamento dos atores até as gravações e distribuição dos filmes. Segundo ela, o recrutamento dos atores, no chamado pornô comercial, passa por vários estereótipos.
''O mundo do pornô joga com esses estereótipos. Um deles é o mito da sexualidade bestial do negro'', explica a pesquisadora. Isso faz, por exemplo, com que os negros sejam bem colocados nesse mercado, por eles são estigmatizados como ''bem dotados'' e amantes ''selvagens''. (...)
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