quinta-feira, agosto 18, 2011

As fotos e os fatos

A troca de quatro ministros em dois meses - o último, Wagner Rossi, pediu demissão ontem após admitir carona em jatinho oferecido por uma empresa de agronegócios quando ministro da Agricultura -, faz com que o caminho de Dilma fique mais turvo e tortuoso antes de completar um ano de mandato.

Vista como mais cruel e fria que o antecessor, que foi mais volutarioso nas desgraças de seus homens, a presidente dá motivos para que uma bancada insatisfeita clame pela volta de Lula. Há quem aposte em crise permanente até 2014

Ao longo de seus oito anos de mandato, Lula teve nove ministros defenestrados - Dilma, em oito meses, quase a metade. Dois deles voltaram com a corda toda este ano e já se estreparam: Antônio Pallocci, ex-ministro da Fazenda de Lula e da Casa Civil de Dilma, e Romero Jucá, ministro da Previdência por duas semanas em 2005, cujo irmão denunciou agora o esquema na Agricultura.

Dilma parece tropeçar nos próprios pés. Nas aulas de fotojornalismo, ouvi por aulas a fio o clichê tentadoramente romântico de que "a imagem vale mais que mil palavras". Ontem, a foto de Dilma na capa do Correio Braziliense diz muito mais que podemos comentar.

Portanto, vou gastar menos palavras com esta e relembrar um clique muito parecido, em momento não menos conflitante, do ex-presidente Jânio Quadros. A foto dos pés enviesados do desorientado Jânio, que não sabia se ia para direita ou esquerda naquele início de década conturbada, rendeu o Prêmio Esso de 1962 ao fotógrafo Erno Schneider, do JB. Era uma visita do presidente à gaúcha Uruguaiana para encontro com o presidente argentino Arturo Frondizi.